sábado, 2 de dezembro de 2017

Megadeth Presenteia Fãs Cariocas Com O Suprassumo De Sua Carreira

O mundo da música de certo modo se assemelha ao universo esportivo, onde a necessidade da escalação dos melhores e mais capacitados profissionais associado com os indispensáveis ingredientes como a sinergia e amizade são a base para um time e ou uma banda vencedora. E é sob essa fundação sólida e firme que o Megadeth tem vivido os últimos dois anos, e o reflexo positivo foi confirmado ontem (01) pelo público carioca com o show lotado do grupo no Vivo Rio.

A noite começou com a ótima apresentação da banda norte-americana, Vimic, que é capitaneado pelo fera das baquetas, Joey Jordison – completa o grupo Kalen Chase (vocal); Kyle Konkiel (baixo); Jed Simon (guitarra); Steve Marshall (guitarra) e Matt Tarach (teclado). Em uma hora do mais puro thrash/death metal, O Vimic mostrou em temas como My Fate, Simple Skeletons, She Sees Everything e Fail Me (My Temple) personalidade, qualidade e aspiração em estar no pantaleão dos grandes nomes da música pesada.


O time do Megadeth não passava pelas bandas de cá desde 2013 quando abrira a turnê do poderoso chefão, Black Sabbath, em divulgação de seu álbum 13. No entanto, a apresentação na época, ainda que competente, faltou alguns ingredientes como o célebre ‘sangue nos zóio’, o qual ressurgiu com a entrada dos monstros Kiko Loureiro (guitarra) e Dirk Verbeuren (bateria). Mas o grupo; que não felicitou o público carioca com a primeira perna da Dystopia Tour, no ano passado; se redimiu com uma apresentação impecável.

O hino Hangar 18 fora a responsável de começar a ode ao thrash metal da bay area, e num salto para o ótimo álbum Dystopia, a novata The Threat Is Real manteve o clima apocalíptico instaurado na pista desde o primeiro acorde da noite. Na máxima: fazer mais e falar menos, o xerife Dave Mustaine – integra a banda também o lendário baixista David Ellefson e os já citados Kiko e Dirk – pouco se dirige ao público, no entanto, desconta tudo em riffs e solos sobrenaturais.


A trinca diabólica com Wake Up Dead, In My Darkest Hour e Trust garantiu, mesmo de modo antecipado, já que ainda rolaria muita música pela frente, o status como uma das melhores apresentações do Megadeth na capital fluminense. O mais recente álbum, o já mencionado e premiado Dystopia, mostrou, novamente, seu poderio sonoro com sua homônima e Conquer or Die!, tendo aprovação e participação imediata dos fãs. A calmaria antes da tempestade deu-se com a melódica e cativante A Tout Le Monde, onde o público não se acanhou em cantar, em altíssimo volume, o grudento refrão.

Já a maravilhosa tempestade do mais puro thrash metal caiu torrencialmente sob as formas de clássicos como Tornado of Souls, Symphony of Destruction e Peace Sells, que fecharam excelentemente a primeira parte do show. O bis trouxe a aguardada e festejada Holy Wars… The Punishment Due, sendo a responsável pelo ponto final na ótima apresentação do grupo.


Com pouco mais de uma hora e vinte de show, o Megadeth mostrou aos fãs cariocas que está em plena forma e constituído por um time de primeira qualidade, e isso reflete, lógico, de forma essencialmente positiva no estúdio e, principalmente, no palco, já que é lá que jiripoca pia. A apresentação poderia ter sido estendida em mais músicas, visto o extenso e maravilhoso catálogo da banda, todavia, é compreendido que seja abreviado, uma vez que a performance do grupo é intensa e as canções são complexas e energéticas, o que demanda muito dos músicos. Mesmo assim, ficar com o sabor de quero mais não é lá tão ruim.

Fonte: RockBizz
Foto: Livia Teles

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Accept: O Bê-A-Bá Do Metal Germânico Invade O Rio De Janeiro

A visão holística do atual mercado fonográfico não é lá tão animadora, já que poucos são os grupos e ou artistas que merecem o prestígio e, principalmente, o honroso e suado dinheiro dos fãs por conta de obras artísticas e apresentações ao vivo aquém do esperado e desejado. Todavia, e na contramão da afirmação anterior, há um grupo seleto em que toda a estima, admiração e investimento dos fãs são pertinentes e compensados por pautarem suas apresentações e criações artistas no mais alto padrão de qualidade.

Como não poderia ser o diferente, o universo heavy metal se vale da realidade apontada nas linhas anteriores, e no seleto hall dos exemplos positivos e prósperos está a banda alemã, Accept, que vem, desde seu retorno aos palcos em 2009, presenteando seus fieis seguidores com ótimos álbuns de estúdio e fenomenais apresentações ao vivo, como a de ontem (11) no Teatro Rival, Rio de Janeiro, que primou pela pura maestria, simpatia e elegância.

Em divulgação ao mais recente disco de estúdio, o ótimo The Rise of Chaos, o Accept aportou na capital fluminense com a responsabilidade de mostrar aos fãs que toda a atenção, apoio e carinho voltado ao grupo os retornam em forma de espetáculos impecáveis. E de tal forma, irrepreensível, que Die by the Sword ecoou para os seguidores da instituição alemã do heavy metal que tiveram a feliz decisão de comemorar os novos e antigos clássicos da banda.


Os novos clássicos vieram, sem demora, representado pela ótima Stalingrad enquanto os antigos, também sem delonga, chegou sob os riffs marcantes da festejada Restless and Wild. A experiência e o ás na manga de possuir uma discografia essencialmente imaculada contribuem, e muito, para uma apresentação versada no status de imperdível, já que ignorar e desprezar a oportunidade de apreciar ao vivo e cores o bê-a-bá do metal germânico como as pérolas London Leatherboys e Princess of the Dawn é uma tarefa para lá pesarosa.

A volta do Accept com o ótimo e simpático vocalista, Mark Tornillo, ainda reverbera discussões acaloradas entre os fãs, onde uma parcela jura de pé junto que a primeira encarnação da banda é a irretocável e a que mais brilha na extensa discografia dos alemães, no entanto, tem outra turma que defende, com unhas e dentes, diga-se, a nova formação da banda. Mas seja qual for a preferência dos fãs, é notória a satisfação e a alegria dos chefes Wolf Hoffmann (guitarra) e Peter Baltes (baixo) – completa a banda os ótimos músicos Uwe Lulis (guitarra) e Christopher Williams (bateria) – em ver o Accept em grande forma espalhando sua música aos quatro cantos do planeta.

O novo álbum, o já citado The Rise of Chaos, compareceu com a pesada homônima ao disco; sob os riffs cadenciados de Koolaid; na locomotiva No Regrets e no rock n’ roll bonachão de Analog Man. O momento mais intimista do show ganhou as melodias de Shadow Soldiers, com direito ao coro emocionante do público carioca ao acompanhar as linhas de guitarra e solos de Wolf Hoffmann.


Numa viagem ao tempo, o grupo rememorou temas oitentistas como Midnight Mover, Up to the Limit, Living for Tonite, Fast as a Shark e Metal Heart, que, como era de se esperar, encontraram uma incrível sinergia e harmonia aos sons novos como a energética Final Journey e a pesada e já clássica Teutonic Terror. O ‘grand finale’, como não poderia ser diferente, fora com o hit metálico Balls To The Wall, o qual teve a participação maciça dos fãs cantando o grudento refrão.

Em pouco mais de uma hora e meia, o Accept mostrou aos fãs cariocas o porquê de estar naquele citado grupo seleto de artistas que valem a pena serem tratados com o máximo de estima e apreço, afinal, são poucos os que conseguem instaurar uma festa metálica com o talento e elegância dos alemães.

Fonte: RockBizz
Fotos: Livia Teles
Texto: Marcelo Prudente

sábado, 22 de outubro de 2016

Gamma Ray: Insanity And Genius (Anniversary Edition)

Compulsória como a lei da gravidade, onde toda matéria é sujeita a sua realidade e conceito, a ação do tempo também se faz da mesma maneira, e mais, inexorável a tudo e a todos, e nesse balaio o mundo da música está incluído, permanecendo de pé àquelas obras e artistas que colecionam, por exemplo, predicados como inovação, talento, competência, habilidade, conhecimento e tantos outros que poderiam preencher esse texto do começo ao fim.

E, mesmo aos trancos e barrancos, fora sob tais circunstâncias que o terceiro álbum de estúdio, Insanity and Genius, do Gamma Ray, lançado no já longínquo ano de 1993, provou seu valor nesse intervalo de vinte e cinco anos desde seu lançamento. Execrado e incompreendido por uns, mas saudado e celebrado por outros, IAG mostrou o Gamma Ray, ainda que contasse em seu lineup com músicos tarimbados como o futuro frontman Kai Hansen, em oscilação, trazendo momentos de puro deleite e outros, digamos, menos inspiradores.

Agora, em 2016, o álbum, como dito anteriormente, completa um quarto de século, e nada melhor que celebrar a especial data. Para tal, os alemães relançaram (no Brasil via Shinigami Records) o disco embalado em uma nova capa estampando a atual tipografia do nome do grupo; o material ganhou um segundo CD com faixas demo, ao vivo, versão estendida e cover da canção Exciter, do Judas Priest. Além disso, o CD principal foi remasterizado pelo experiente produtor, Eike Freese, ganhando uma sonoridade de maior qualidade, o que realçou os atributos do álbum.

Então, tenha certeza que a trinca inicial com Tribute To The Past, No Return e Last Before The Storm ainda será o melhor momento do álbum, mas com o adendo, agora, de uma roupagem nova em folha. Heal Me também rememora os esquecidos de plantão que é digna de elogios e se mantém como um ponto forte do disco. Pontos fracos? Sim! E veem, por exemplo, sob os nomes de Brothers e 18 Years. Deprecia o álbum a ponto de o ouvinte menosprezá-lo como um todo? De maneira alguma.

O fato que comemorar os vinte e cinco anos do lançamento de uma obra de arte como Insanity and Genius, que nunca fora unanimidade quanto aos seus predicados, é um feito e tanto, e merece, pelo menos, mais uma chance de cativá-lo pelos seus bons momentos que o fizeram passar pelo implacável teste do tempo. Então, vale, sim, cada centavo de seu merecido e suado din din.

Tracklist de Insanity and Genius:

CD1

01. Tribute To The Past
02. No Return
03. Last Before The Storm
04. The Cave Principle
05. Future Madhouse
06. Gamma Ray
07. Insanity And Genius
08. 18 Years
09. Your Tørn Is Over
10. Heal Me
11. Brothers

CD2 – Bônus CD

01. Valley Of The Kings (Live At Chameleon Studios 2016)
02. Heaven Can Wait (Live At Chameleon Studios 2016)
03. Gamma Ray (Extended Version)
04. Money (Demo with Ralf Scheepers)
05. Silence (Demo with Ralf Scheepers)
06. Sail On (Demo with Ralf Scheepers)
07. Space Eater (Rough Mix Horus studio)
08. Exciter (Judas Priest Cover)

Fonte: RockBizz

sábado, 27 de agosto de 2016

Amorphis: Under The Red Cloud

Em mais de vinte e cinco anos de carreira, a banda finlandesa, Amorphis, acumula qualidades superlativas e incomparável identidade musical, e uma boa prova de tal afirmação se estende por sua discografia e, principalmente, em seu mais recente registro de estúdio, o álbum “Under the Red Cloud”, lançado no ano passado, via Nuclear Blast, onde sua gama de influências, que variam do death, prog, gothic e folk, encontram harmonia e consonância na arte dos finlandeses.

A trinca inicial, composta por “Under the Red Cloud”; “The Four Wise Ones” e “Bad Blood”, é o compêndio perfeito para revelar ao ouvinte de que se trata de um dos melhores registros dos caras, pois em tais canções estão, em doses certeiras, as melodias marcantes, harmonia complexa, vocais guturais e os refrãos grudentos que convida os fãs cantarolarem por semanas a fio.

“UTRC” consagra a identidade da banda, o que isso quer dizer? Se o ouvinte aspira por influências de folk metal às encontrará, por exemplo, em “Tree of Ages”; se o foco é o refrão melodioso, então, a pedida fica por conta de “Sacrifice”; a dinâmica, por sua vez, é a especialidade de “The Skull” e o momento mais intimista atende por “White Night”.


Como é de se esperar, a produção, sob comando de Jens Bogren (Soilwork, Paradise Lost, Opeth), se mostra meticulosa e caprichada, o que proporciona a percepção de todos os detalhes e nuances das músicas, o que colabora, e muito, em comprovar os atributos do álbum.

“Death of a King”, um dos singles do disco que ganhara videoclipe, ostenta lugar cativo nas apresentações da banda, recebendo fácil, fácil, o título de clássico. Além dos aspectos técnicos como produção e mixagem e os já citados predicados das canções, “Under the Red Cloud” ganha um caráter especial por contar com a participação da vocalista, Aleah Stanbridge (falecida no dia 18 de abril de 2016), na mencionada “White Night”.

““Under the Red Cloud” é um disco com músicas muito fortes”, disse o tecladista, Santeri Kallio, em entrevista exclusiva ao RockBizz. A citação acima resume, e muito bem, diga-se, o poderio sonoro do álbum, e sem medo de soar exagerado, ou mesmo complacente, é fácil afirmar que o disco é um dos melhores registros em estúdio dos finlandeses. Adquira sem medo!

Under the Red Cloud Tracklist (2015 – Nuclear Blast):
1. Under The Red Cloud
2. The Four Wise Ones
3. Bad Blood
4. The Skull
5. Death Of A King
6. Sacrifice
7. Dark Path
8. Enemy At The Gates
9. Tree Of Ages
10. White Night

Bônus Track

11. Come The Spring
12. Winter’s Sleep
13. The Wind (Versão Japonesa)

Amorphis:

Tomi Joutsen – Vocal
Esa Holopainen – Guitarra
Tomi Koivusaari – Guitarra
Niclas Etelävuori – Baixo
Santeri Kallio – Teclado
Jan Rechberger – Bateria

Fonte: RockBizz


sábado, 2 de julho de 2016

Roça n’ Roll: A Maioridade Da Farra Mineira

A 18ª edição do festival mineiro, Roça n’ Roll, ocorrida no último sábado, (28), pode ser fácil, fácil, resumida com adjetivos que transitam pelo aspecto técnico como profissionalismo e competência a atributos que sugerem uma percepção mais emocional como diversão, alegria e farra – e da boa, diga-se –, mas que, juntos, sintetizam o sentimento do público que compareceu à festança na Fazenda Estrela.

O festival, dividido em dois palcos principais: Sete Orelhas e Tira Couro e com o suporte da Tenda Combate, que ajudou dar vazão ao grande número de bandas escaladas, trouxe um ‘cast’ formado em sua quase totalidade por bandas brasileiras, o que serviu, mais uma vez, de prova que o Brasil está e é bem servido de bons representantes nos mais variados estilos de metal/rock.


O som gótico dos cariocas do “Lyria” teve a responsabilidade de estrear o palco Tira Couro, provando que é questão de tempo para voos mais altos, visto a qualidade do grupo. Com eficiente troca e dinâmica de palcos, o que favoreceu o procedimento do festival sem atrasos e ou imprevistos, o ‘thrashers’ do “Deadliness” marcaram presença com um repertório conciso e eficiente, ostentando todos os bem-vindos trejeitos do consagrado thrash metal como velocidade, solos virtuosos e muito peso.

Os paulistas do “Barbaria”, com suas indumentárias piratas, produziram uma ótima apresentação pautada por canções que remetem à união dos cânticos dos desbravadores dos sete mares aos baluartes do metal germânico como “Running Wild” e “Grave Digger”. O quarteto belo-horizontino, “Concreto”, colaborou com a dinâmica do festival ao trazer seu benquisto hard rock ao caldeirão de influência do Roça. E por falar em caldeirão de influência, os paulistanos do “Mythological Cold Towers” marcaram presença com seu soturno e gélido doom metal, o que favoreceu ao já citado pluralismo musical que contempla o festival.


É clara a ingerência de nomes como “Pantera” e “Sepultura” no thrash metal da banda “Maverick”, no entanto, não pense que os caras são meras cópias, pois não os são, já que souberam lapidar sua música de maneira única, criando assim sua identidade. A veterana “Holocausto” é brutal e se beneficia de tal adjetivo, onde a desgraceira de suas canções ganha eco no público que se amontoava a frente do palco para presenciar tal caos sonoro.

Se a ideia era abrir os portões do inferno e trazer as almas do mundos dos mortos, então a trilha sonora foi mais que acertada com o massacre sonoro, que também atende pela alcunha de “Torture Squad”, visto que a banda trouxe um repertório afiado e uma performance matadora da ‘nova integrante’, a vocalista Mayara Puertas, e do consagrado baterista, Amilcar Christófaro.


O punk rock de “O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos” é crítico, ácido e energético, o que corroborou para uma das mais festejadas apresentações da noite. A única representante internacional da ótima festança roceira foi a banda finlandesa, “Amorphis”, que trouxe o suprassumo de sua carreira e de seu mais recente registro de estúdio, o disco “Under the Red Cloud”. Canções como a homônima ao novo álbum, “Sacrifice”, “Bad Blood” e “Silver Bride” garantiram o sucesso nesta terceira passagem do grupo em território brasileiro.

Nem o frio congelante que fazia na Fazenda Estrela conseguiu empalidecer a ótima apresentação da banda “Noturnall”, que esbanjou técnica apurada em um repertório curto, porém de grande intensidade e pujança, com canções como: “Zombies”, “Fake Healers” e o cover da banda “Angra”, “Nova Era”. Os donos da casa, o “Tuatha de Danann”, deram o ar da graça com seu folk metal, pontuando, como de costume, seu show com extrema simpatia, farra e canções do teor de “We’re Back”, “Rhymes Against Humanity”, “Tir Nan Og” e “Finganforn” sendo cantadas uníssono pelo público.

O “Cracker Blues” tem o traquejo e manha que apenas as bandas com anos e anos de estrada têm, mas o que isso quer dizer? Performance brilhante, letras sarcásticas e inteligentes e um instrumental soberbo capaz de extrair o restante de energia remanescente do público. E, para finalizar a comemoração de dezoito anos do Roça n’ Roll, coube à banda carioca, “Hatefulmurder”, com seu visceral e intenso thrash/death metal, sacramentar a ode ao metal em suas mais diferentes personificações.

A maioridade do festival Roça ‘n Roll não se dá apenas pela contabilidade dos anos de existência, mas, sim, pelo amadurecimento que o festival tem passado em todo esse tempo. É de grande prazer para o público e artista perceber que a qualidade, responsabilidade e profissionalismo são alguns dos pilares de sustentação do festival, o que corrobora em afirmar que o Roça n’ Roll é um dos mais celebrados e festejados festivais do Brasil.

Fonte: RockBizz
Foto: Livia Teles

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tuatha de Danann: Festa Folk No Rio De Janeiro

Como é bom afirmar que o Brasil não faz bonito apenas por ser uma das melhores e calorosas plateias do mundo, mas por possuir também excelentes e competentes representantes na cena metálica, e tal afirmação fora fácil, fácil, endossada pelo público que lotou a casa carioca Rock Experience no último sábado, (7), para prestigiar as pratas da casa Quintessente e Dreadnox e o maior expoente brasileiro do folk metal, o Tuatha de Danann.

A noite começou com os trabalhos da banda Quintessente, que retornou às atividades depois de catorze anos de hiato, e mostrou que canções de forte acento no metal extremo estão dentro de sua jurisdição, sendo muito bem recebida pelo público por conta de sua desenvoltura e talento.

O Deadnox já é nome tarimbado na cena brasileira, e foi com o competente heavy metal dos cariocas que a noite já tomava traços de inesquecível, embora alguns problemas no som pipocassem vez ou outra e gerasse certo descontentamento nos músicos, mas nada que depreciasse e ou trouxesse desprazer ao público.


Com as emoções à flor da pele e o calor lá nas alturas, os cariocas receberam e deram as boas vindas aos mineiros do Tuatha de Danann, que, com os inúmeros predicados que lhes são atribuídos, trouxeram o suprassumo de sua carreira e o ápice da noite com a celebração do metal nacional de primeira qualidade.

Foi com “We’re Back” e a participação da plateia cantando cada verso e refrão da canção que os mineiros começaram a festança folk metal e a exaltação da carreira de um dos maiores expoentes do metal brasileiro. “Rhymes Against Humanity” mostrou o porquê do mais recente álbum, “Dawn of a new Sun”, ter figurado entre os principais lançamentos do ano passado.


Tocar no tema de unanimidade e consonância pode ser um campo minado, ainda mais quando o item apreciado é arte, ou seja, é um assunto que pode legitimar um vasto matiz de interpretações e avaliações, mas no caso da banda “Tuatha de Danann” talvez seja um dos raros casos onde a concordância quanto às virtudes e atributos de sua arte são percebidas e apreciadas de forma análoga entre seus fãs, sem margens a poréns ou indagações.

Destacar o domínio técnico dos músicos – Bruno Maia (vocal, guitarra e flauta); Rodrigo Berne (guitarra e vocal); Rodrigo Abreu (bateria); Giovani Gomes (baixo e vocal); Edgard Britto (teclado) e Alex Navar (Uilllean Pipe) – é algo trivial, uma vez que é evidente e já fora mais do que constatado tal questão. O diferencial fica por conta da simpatia que todos os músicos transmitem ao público, criando uma atmosfera positiva e íntima à festa folk.

“Believe is True”, “Bella Natura” e “Land of Youth” rememoram o porquê do álbum “Trova di Danú” ter projetado e alçado o nome dos mineiros além-fronteiras, visto a qualidade das canções que compõe o disco, cabendo, hoje, a alcunha de clássico. “The Dance of the Little Ones” e a requisitada “Finganforn” foram os dois momentos de maior euforia, deixando os mineiros em visível prazer por estarem tocando a um público caloroso.


Com pouco mais de uma hora de show, o Tuatha de Danann trouxe temas de toda carreira, mostrando o porquê de terem um lugar de vanguarda no cenário metálico brasileiro e, como sempre, pontuando a apresentação como uma grande festa folk e fazendo parecer, aos desavisados, que aquela farra instaurada no Rock Experience é algo simples e corriqueiro.

E vale duas menções honrosas: A primeira fica por conta da Be Magic Produções que fora a responsável pelo ótimo evento. Já a segunda menção fica para o público carioca que lotou a casa de show, provando, mais uma vez, que um evento bem produzido com bandas de qualidade é a receita certa para ser bem sucedido.

Fotos: Livia Teles
Nota: Fiz a matéria para o site RockBizz: http://www.rockbizz.com.br/tuatha-de-danann-festa-folk-no-rio-de-janeiro/

domingo, 1 de maio de 2016

Marillion Emociona Mais Uma Vez Público Carioca

Depois de dois anos da última visita na capital fluminense, a banda progressiva Marillion retorna ao palco do Vivo Rio com um show de trejeitos de ‘best of’, onde o caráter festivo e contemplativo a uma carreira pautada por inúmeros hits foi a tônica de toda a apresentação.

Sem disco novo de estúdio para divulgar – que será lançado no segundo semestre deste ano –, os britânicos souberam, como sempre, emocionar o público com canções irrepreensíveis que edificaram suas carreiras e discografia de sucesso como é o caso de “The King of Sunset Town”, que relembrou o ótimo álbum “Season End” e rememorou o porquê da grande aceitação do até então novo vocalista, Steve Hogarth – completa a banda Steve Rothery (guitarra); Mark Kelly (teclado); Pete
Trewavas (baixo) e Ian Mosley (bateria) –, visto os predicados do disco e da canção citada.

O Marillion é uma das poucas, quiçá a única, bandas de rock progressivo considerada clássica que se mantém ativa nos dias de hoje, lançando discos de estúdio com periodicidade e que nada devem ao passado de glória, e uma das provas de tal afirmação pôde ser conferida sob os acordes de “Power”, canção que compõe o mais recente lançamento, o brilhante “Sounds That Can’t Be Made”.

A produção de palco foi de contornos simples com apenas um grande telão, ao fundo do palco, que trazia imagens respectivas às canções, o que fora mais que suficiente para a para celebração da noite progressiva, afinal, quando músicas do quilate de “You’re Gone”; “Hooks in You”; “Cover My Eyes (Pain in Heaven)” e “Man of a Thousand Faces” ecoam pelo PA tais detalhes de palco tomam um caráter efêmero.


O carinho e apreço dos britânicos pelo público brasileiro não é novidade, mas parece que os fãs cariocas são tratados de forma ainda mais especial, fato provado com a execução da emocional “Lavender”, ganhada no ‘grito’ pelo público. E se a ideia era emocionar, o ápice emocional da noite veio com a canção “Sugar Mice”, que representou o excelente disco “Clutching at Straws” e provou que uma banda pode ter seu momento intimista sem soar piegas e/ou gratuito.

As radiofônicas “Kayleigh”; “Beautiful” e “Easter”, cantadas uníssono, enfatizaram, mais do que nunca, o atributo de ‘best of’ do show. “Sounds That Can’t Be Made” fora, infelizmente, prejudicada por problemas técnicos, gerando visível insatisfação em Steve Hogarth que logo, logo, sugeriu à execução de outra canção, sendo “Afraid of Sunlight” a escolhida para desanuviar os problemas da antecessora. E para fechar a primeira parte da apresentação veio à homenagem ao cantor/compositor, Prince, com a canção “King”, que contou com imagens projetadas ao telão de ídolos que marcaram a história da música e cinema contemporâneo.

Para o primeiro ‘encore’ da noite, a progressiva “The Invisible Man” trouxe a tessitura complexa que todo fã de rock progressivo é ávido, figurando em um dos momentos mais celebrados do show. E para o segundo e último ‘encore’ e para finalizar a sexta passagem do Marillion na capital fluminense, a citada “Beautiful” e o clássico oitentista “Garden Party” convidaram o público a cantar cada verso e melodia, comprovando o quanto a música do Marillion é bem quista pelas bandas de cá.

Com quase duas horas de show, o Marillion fez o que lhe é atribuído e praxe: emocionar seu público com belas canções. Quanto ao público carioca se pode afirmar também que sua atribuição fora feita de forma brilhante, prestigiando e celebrando um dos principais nomes do rock progressivo. Agora, resta a torcida por um retorno breve com a divulgação do próximo registro de estúdio, que promete ser um álbum de contorno progressivo, complexo e denso, o que é uma afirmação mais que benvinda aos fãs do quinteto britânico.

Fiz a matéria para o site: www.rockbizz.com.br 
Link Publicação: http://www.rockbizz.com.br/marillion-emociona-mais-uma-vez-publico-carioca/

quinta-feira, 3 de março de 2016

RockBizz: Seu Guia de Rock & Heavy Metal


O site RockBizz surgiu no cenário brasileiro com o objetivo de ser o melhor site de rock do país, trazendo notícias, entrevistas, reportagens e tudo que envolve o mundo Rock e Heavy Metal. E mais, tem como prioridade ser a mais confiável fonte de informação para o leitor, estabelecendo uma relação de fidelização com o público.   

Para mais informações acesse: http://www.rockbizz.com.br/

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Metallica: Nem mesmo as falhas diminuíram a grandeza do show

Contar quantas apresentações a banda americana, Metallica, fez no Brasil nos últimos tempos é uma contabilidade que faz os entusiastas do som do maior pilar do thrash metal abrirem um sorriso de orelha a orelha. E a coisa fica ainda mais especial quando as apresentações são parte do menu do maior festival brasileiro, Rock in Rio.


Em sua terceira edição seguida no festival, James Hetfield (voz e guitarra) & cia - Lars Ulrich na bateria, Kirk Hammet na guitarra e Rob Trujillo no baixo) trouxeram parte do supra-sumo de sua carreira, o que foi mais que suficiente para que o numeroso público superasse o cansaço e pouco se importasse para calor escaldante que cismava drenar a energia de quem tivesse a audácia de pular para cima de qualquer mosh pit.

Com “Fuel” começam os trabalhos e logo vem a enigmática e pesada ‘For Whom the Bell Tolls’. “Battery” pode se dar ao luxo de constar no setlist do apocalipse mundial, visto a avalanche sonora de pura fúria que saía dos PAs. Uma pausa para respirar e dar boas vindas ao público e logo se vê o quanto Sir. Hetfield é aquele raro caso no qual o indivíduo tem a manha de fazer bem seu trabalho - que é tocar e cantar - e tem carisma de sobra que o coloca num patamar acima de muitos pseudo-rockstars.

Apontar deslizes ou descuido nas apresentações da banda é uma tarefa inglória, mas, infelizmente, mesmo com as engrenagens tão azeitadas a execução do clássico “Ride the Lightning” ficou prejudicada pela ausência do som em dois momentos seguidos, o que levou os americanos abandonarem, por breve momento, o palco, gerando visível descontentamento nos músicos.

Sanada a escorregadela, a banda se retratou com canções do quilate de “Sad But True”, “Master of Puppets”, “One”, “Fade to Black”, “Seek and Destroy” e “Wherever I May Roam”, que fizeram o público evaporar de suas lembranças quaisquer resquícios de problemas técnicos e prestigiar uma das maiores identidades da música pesada em atividade.

Na contramão das apresentações anteriores, a banda optou por uma produção de palco um tanto diferente, sem fogos ou efeitos especiais, mas deveras especial, com alguns felizardos fãs assistindo ao show em cima do palco, bem pertinho de seus heróis, e, lógico, servindo também de “ornamentação” do espetáculo.
Para o último ato da noite, a banda cumpre a cartilha de ficar na zona de conforto e dar aos fãs o que querem: clássico. Então, nada mais óbvio que sacar temas do teor de ‘Nothing Else Matters’ e ‘Enter Sadman’.

Com pouco mais de duas horas de show, o Metallica fez uma apresentação sólida pautada em sua zona de conforto, ou seja, alicerçada por parte de seus maiores ‘hits’. Nem mesmo o descuido de sua produção em deixar o som morrer em certo momento foi responsável em empalidecer o show, tampouco depreciar sua posição de vanguarda no thrash metal mundial.

Nota: Fiz a matéria para o site Território da Música: http://www.territoriodamusica.com/noticias/?c=40363

domingo, 4 de outubro de 2015

Rock In Rio: O Slipknot veio para reinar absoluto



Muito se fala do mainstream do heavy metal atualmente, onde a indagação que mais ferve nas conversas é: quais – ou pelo menos qual – bandas irão carregar o fardo de serem os bastiões para perpetuação do estilo? E, pelo visto, caro leitor, os únicos a terem os requisitos e demonstrarem interesse por tal incumbência são os americanos do Slipknot, o que fora fácil, fácil, provado na noite da última sexta-feira (25) quando de sua apresentação no festival Rock in Rio.

Calor ora intercalado com vento frio, ora intercalado com pingos de chuva; calor ora intercalado com a ansiosidade, ora intercalado com a fúria do público. Déjà vu de um apocalipse? Não! Apenas a ambiência perfeita para o maravilhoso caos sonoro dos caipiras de Iowa.


O prelúdio da maior desgraceira sonora que passou pelo Palco Mundo foi ‘XIX’, e com os dois pés na porta ‘Sarcastrophe’ derruba qualquer devaneio que se pudesse ter de calmaria, visto que banda e público uniram forças para transformar a Cidade do Rock numa bem vinda hecatombe musical.

Quem acompanha a carreira da banda já sabe que ela nunca pisa num palco para fazer uma apresentação daquelas do tipo ‘vamos cumprir tabela’, porque o cheque já compensou. Longe disso, os caras fazem valer cada centavo investido pelo público, com uma produção de palco deveras bacana, onde o próprio capiroto fez questão de ser parte da ornamentação em meio a inúmeras labaredas de fogo. 

A experiência de ter mais de quinze anos de estrada deixa tudo mais fácil para a banda, e esse ‘know-how’ pôde ser facilmente notado na performance avassaladora dos músicos, bem como na composição do repertório aonde temas da qualidade de ‘Psychosocial’, ‘The Devil in I’, ‘People = Shit’, ‘Surfacing’, ‘Wait and Bleed’, ‘Sulfur’, ‘Spit and Out’, ‘The Heretic Anthem’ e ‘Duality’ foram os argumentos necessários para os fãs trazerem à tona o prazeroso purgatório instaurado no festival. 


Como dito anteriormente, os músicos são experientes e técnicos e conseguem, como poucos, proporcionar uma apresentação digna dos maiores baluartes do Rock/Metal, mas vale fazer uma menção honrosa ao vocalista, Corey Taylor. O vocalista possui o que muitos querem e poucos têm: talento e carisma. É o raro caso do artista que está em um nível acima dos de mais. 

Com quase duas horas de show, o Slipknot provou, mais uma vez, para o público brasileiro o porquê de ser o maior expoente do heavy metal mundial da atualidade. Aos que relutam em aceitar tal realidade só lhes resta o lamento e o choro, visto que a maravilhosa desgraça sonora que também atende Slipknot veio para reinar absoluto.

Nota: Fiz essa matéria para o site Território da Música: http://www.territoriodamusica.com/noticias/?c=40411

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Black Label Society: Experiência que todos deveriam vivenciar



Já é mais do que sabido e comprovado que o Brasil faz parte do cronograma e rota obrigatória dos principais artistas internacionais dos mais diversos estilos, e é aproveitando dessa realidade que o público brasileiro não perde tempo e retribui colocando-se como um dos mais receptivos e calorosos do mundo. E é nessa entoada que os fãs brasileiros de rock/metal dão as boas vindas e expressam sua gratidão a seus – heróis – músicos favoritos.

E numa luta digna de titãs que a banda americana Black Label Society travou uma batalha sonora com o público carioca, na última sexta-feira, dia 08, onde os riffs e os solos do mestre de cerimônia, Zakk Wylde, degladiavam e, ao mesmo tempo, uniam-se à massa sonora do público, transformando  o Circo Voador numa bomba de hidrogênio, visto tamanha energia do público e artista.

Divulgando o mais recente álbum de estúdio, Catacombs of Black Vatican, o 'guitar hero', Wylde, trouxe alguns dos melhores momentos de sua carreira solo. Com grande presença de palco e uma banda afiada – completada por Dario Lorina (guitarra); John DeServio (baixo)  e Chad  Szeliga (bateria) – a noite começa com os riffs das vibrantes “The Beggining...At Last” e “Funeral Bell', e foi assim: sem perder tempo mesmo que o peso “Bleed for Me” ecoou e fez tremer as estruturas da tenda do Circo

O líder Zakk Wylde é adepto do fale menos e toque mais, ou seja, o foco é, como deveria ser a apresentação de todo e qualquer músico, a 1ª arte, no entanto, mesmo com poucas palavras o guitarrista/vocalista consegue cativar os fãs que formam, segundo o próprio Wylde, a família Black Label Society.

E já que foco é falar menos e tocar mais, a apresentação de uma hora e meia de duração contemplou considerável número de canções que, de maneira ou outra, conseguiu mostrar as diferentes facetas e momentos da banda. Temas como as novas “Heart of Darkness”, “Angel of Mercy” e “My Dying Time” encontraram boa sinergia com as já clássicas “Stillborn”, “Suicide Messiah”, “Godspeed Hellbound”, “The Blessed Hellride” e “Concrete Jungle”.


Apontar falhas ou deslizes na performance dos músicos seria como, no ditado popular, procurar agulha em um palheiro, e sendo demasiadamente criterioso, as bolas fora ficaram por conta das falhas no microfone que, vez ou outra, cismava embolar e ausência de alguns temas do teor de “Fire It Up”e “Genocide Junkies”.


Zakk Wylde é um músico que faz parte do seleto time do primeiro escalão da música pesada. Além disso, falar de sua técnica e sua importância dentro do universo das seis cordas é ser redundante a algo que está claro a todos, seja fã de sua arte ou não, mas é fato que prestigiar uma apresentação do 'viking americano' é uma experiência que todo fã de música pesada deveria vivenciar.

Nota: Fiz a matéria para o site Whiplash: http://migre.me/q2im0  
Foto: Alessandra Tolc

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Para o guitarrista Wolf Hoffmann, Accept vive ótima fase

O Accept está na ativa desde o final dos anos 60, quando ainda atendia pelo nome de Band X. Desde então o grupo passou por diversas mudanças de formação.

São o guitarrista Wolf Hoffmann e o baixista Peter Baltes que seguram as pontas desde 1976 e foi com o primeiro que conversamos sobre a repercussão do mais recente disco, “Blind Rage”, e sobre a nova fase, com Mark Tornillo nos vocais, que é tido como 'o cara certo' para a banda.

Hoffmann falou sobre a importância dos fãs para o sucesso do Accept e também sobre a apresentação que a banda fez no Monsters of Rock no final do mês passado - a quarta com a nova formação, com Uwe Lulis (guitarra) e Christopher Williams (bateria), considerada “inesquecível” pelo músico.

Faz um tempo desde que o álbum “Blind Rage” foi lançado, como tem sido o o retorno até agora?

Wolf Hoffmann: O lançamento foi em agosto de 2014 e a reação tem sido muito acima do que esperávamos. Estreou na primeira posição nas paradas de venda alemã e a maior surpresa ficou por conta do primeiro lugar também nas paradas de venda finlandesas. Além disso, essa é a primeira vez que alcançamos a posição de número um no ranking de vendas. Com “Blind Rage”, nós estamos nas paradas de muitos países e com shows lotados. Para nós isso é missão é cumprida! Obrigado a todos os fãs.

Os últimos três discos foram produzidos por Andy Sneap, produtor conhecido por trabalhar com bandas pesadas como Arch Enemy e Nevermore. O que Andy adicionou à música do Accept?

WH: Ninguém pode impulsionar Peter e eu mais do que nós mesmo, mas a coisa mais importante de Andy é que ele tem o coração de um músico e nós nos conectamos com ele. Eu chamaria isso de uma cooperação saudável.

O Accept tem lançado grandes álbuns desde começo dos anos 1980. E o Accept do século XXI parece ainda mais energético do que uma banda que ainda precisa provar seu valor. Qual o combustível para manter a chama da banda acesa?

WH: Só existe um principal combustível para nós: Nossos fãs! Quando nós nos reunimos, em 2010, ninguém poderia prever a reação, ninguém! O mundo da música tinha mudado, os fãs do Accept colocaram a banda nos eixos, o que nos encaminhou ao centro das atenções, não ao topo, mas muito acima de grandes bandas. Então, tudo que nós temos e somos capazes de dar vem do mesmo lugar: nossos fãs. Em cada show, Peter e eu nos olhamos e dizemos: Isso é realmente de verdade? E pensamos também: Vamos retornar o favor e mostrar que ainda não acabamos, há mais por vir...Vamos curtir juntos!

Cada vocalista foi importante para o desenvolvimento da banda, mas agora com Mark Tornillo podemos ver o raro caso no qual o cantor substituto brilha ainda mais que o cantor original...

WH: Mark chegou a nossas vidas de forma inesperada e totalmente desconhecida, como um tipo de intervenção do alto. Sua voz é a voz que precisamos nesse ponto de nossas vidas. E eu acredito, como ninguém, que ele entende seu papel, sabe o que nós estamos fazendo e o que é Accept, ele cabe perfeitamente na nossa visão. Nós não comparamos, porque respeitamos quando um fã tem uma opinião diferente sobre quem é quem. Mas para me fazer 100% entendido: nesse momento, Mark Tornillo é a pessoa certa para nós e desde 2010 até o dia de hoje a grande maioria dos fãs, em todo mundo, está com a gente.

Ele é o cara certo para estar com a gente agora. As músicas que escrevemos agora e as músicas que escrevemos no passado ganham complemento na voz de Mark, o que outro vocalista, em outra época, provou não ser o cara certo.

Recentemente tivemos a notícia que o baterista Stefan Schwarzmann e o guitarrista Herman Frank saíram da banda. O que você acha que os motivou a sair da banda? Até onde podíamos ver tudo estava bem...

WH: Herman e Stefan são profissionais e trabalharam duro por nós durante muitas décadas. Lembre-se que na época em que a banda voltou, nós dificilmente podíamos pedir a alguém para largar o que fazia para nos atender. Nada nos fazia acreditar que excursionaríamos novamente, o que é mais fácil de encarar para uns do que para outros. Foi mais ou menos assim: vamos ver quão longe nós vamos e mantemos nossos trabalhos regulares. Herman e Stefan agarraram a chance de fazer, mas o que eles queriam há muito tempo era ter a banda deles. Nós todos os apoiamos, especialmente porque eles nos deram prioridade número um nos últimos anos. Não é a questão de como era ou parecia ser, eles saíram e isso era o que eles queriam fazer para vida deles.

Como era seu relacionamento com Herman e Stefan? Você escutou a nova banda deles, Panzer?

WH: Você tem olhar isso pelo angulo certo. O Accept não tem trabalhado nos últimos 15 anos. Por isso, Herman e Stefan trabalharam em suas carreiras e em muitas bandas. Quando nós voltamos, em 2010, tivemos a sorte de ambos não terem compromissos, o que teria atrapalhado nossa reunião para turnê que realizamos. E desde então eles foram convidados de turnê a turnê, o que faz sentido porque, como eu mencionei anteriormente, ninguém poderia prever o que aconteceria com o Accept. Ou seja, todo mundo ficou livre para ficar conosco o quanto queria. Nós todos sabíamos e estávamos de acordo com isso.

Todos sabem que faz mais de três décadas que Peter e eu estamos juntando forças, o que é algo que nós amamos, ao invés de ficarmos presos com outros músicos – nós somos abertos e temos as pessoas certas para apoiar o Accept em cada época. Foi de uma forma incomum, e para alguns ainda é, quando se trata de heavy metal, mas acontece sempre com muitas bandas.

Olhando a história das grandes bandas, você vai encontrar diferentes formações. Eu acredito que não exista banda nesse planeta que está com a mesma formação desde o começo. Música não deveria ser definida por quais rostos estão lá para serem vistos, ela deveria ser definida por como é a química de trabalho para criar grandes canções.

Herman e Stefan nos deram mais de quarto anos de suas vidas, mas eles não nos deram seus sonhos. Herman é um ótimo guitarrista e eles estão, agora, em um perfeito “casamento”, com o Schmier do Destruction. A música deles é boa e se a química tem algum sentido, eles devem estar felizes juntos. E é isso que conta na vida, na minha humilde opinião.

O Accept acabou de anunciar a entrada do guitarrista Uwe Lulis e do baterista Christopher Williams. Eles são membros permanentes da banda ou estão preenchendo a lacuna para atual turnê? E como está indo o trabalho com os dois?

WH: Está indo como o esperado: ótimo! O que é permanente em nossa linha de trabalho? Pouquíssimos têm a sorte de ter algo permanente em suas carreiras. Peter e eu somos o coração do Accept e somos os únicos, os dois cavalos que estão puxando a carroça há tempos tanto musicalmente quanto em performance.

Nós montamos o Accept quando tínhamos 16 anos de idade, não se esqueça! Mas, lógico, que nós nunca pudemos e poderemos fazer isso sozinho, então, quanto melhor nosso companheiro de banda for, melhor nós seremos também. Há tanta coisa que rola entre músicos, sendo que o essencial são as apresentações ao vivo nos colocarem juntos, ao mesmo tempo, e é isso que tem acontecido.

Vocês fizeram um show matador no festival Monsters of Rock, com os dois novos músicos, e podemos dizer que foi um show perfeito. Vocês esperavam essa reação dos fãs brasileiros?

WH: Nós amamos tocar no Brasil! A gente estava olhando para frente como criança em dia de festa de aniversário... Nós estávamos muito felizes. Nós sempre vivemos pela reação dos fãs e quando os fãs reagem daquela forma nós ficamos muito felizes. Nada nos dá mais energia que os fãs. E não se esqueça que esse foi 4º show com os dois novos caras, sim, nós já os conhecíamos e ensaiamos, mas tudo muda quando você está no palco junto, e eu acho que eles se saíram muito bem. É justo dizer também que Mark Tornillo deu seu melhor no show e Peter e eu estávamos no céu. Obrigado Monsters of Rock! Foi um evento inesquecível para nós.

Se você tivesse que escolher apenas um álbum para mostrar a uma pessoa o que é o Accept, qual seria e porquê?

WH: Escolho o álbum “Accept”. Entretanto, cada disco representa certa época de nossa vida e depende o que você quer mostrar sobre o Accept. No começo dos anos 1980 nós abrimos as portas para todo o Speed e por décadas você tem várias fases. E hoje temos o que temos com o Accept, fazendo tudo com uma devoção sem fim para ser melhor a cada dia.

O que virá agora? Disco de estúdio? Super double DVD ao vivo? Férias?

WH: Peter e eu sempre nos sentimos: “Nós estamos em permanente férias!” Nosso mais recente disco, “Blind Rage” (o terceiro em menos de cinco anos), foi primeiro lugar em vendas na Alemanha e Finlândia e nas paradas de vendas em outros países. Nós tivemos, com os últimos três discos, no Reader Charts, e com os dois últimos ao mesmo tempo. Além disso, nós precisamos de um disco que bata isso tudo, nós trabalhamos duro e esperamos que o 'compositor' que está em nós nos presenteie de novo.

Nota: Fiz essa matéria para o site: http://www.territoriodamusica.com/noticias/?c=39202
Foto: Lauro Capellari / TDMusica