
Só mesmo artistas do quilate de Mr. Big e Jorn Lande para lotar o HSBC Arena em mais uma noite congelante na capital paulista. Numa pontualidade digna a ser comparada à inglesa. Pontualidade que se seguiu por toda noite. Jorn Lande começa, às 21:00, sua apresentação que pode ser dividida ou colocada de duas formas bem distintas. A primeira que o vocalista norueguês é uma das melhores vozes do hard/metal, nos dias atuais, e por conta disso é sempre um privilegio ouvir cada verso cantado pelo vocalista. E a segunda, e a não muito agradável, é que a carreira solo do músico carece de hits ou se preferirem de canções com maior apelo comercial, o que foi decisivo para o show ficar com dinâmica morna, tendo o maior destaque no cover do saudoso Dio, Rainbow in the Dark. Em uma comparação futebolística, o show do vocalista está como a seleção brasileira na Copa América: um time até bacana, mas que não sai nunca do empate.
Sem muita demora na troca de palco, Mr. Big começa sua apresentação com a energética, “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”, que num piscar de olhos cede lugar à carismática, “Green-Tinted Sixties Mind”. E por falar em carisma todos os músicos ganham nota cem nesse quesito, o que só fez aumentar a intimidade entre banda e público, com ambos se sentindo à vontade, e lógico, refletindo de maneira muito espontânea por toda dinâmica do show. “Undertow” é a primeira representante do novo álbum – o ótimo, What If . Canção que traz em seu DNA todos os elementos que ajudaram construir a identidade da banda como as melodias marcantes; refrão grudento como chiclete derretido e técnica na medida. Do novo disco também vieram as rápidas “American Beauty” e “Still Ain’t Enough For Me” e a trinca da pesada com “Once Upon a Time”, “As Far As I Can See” e Around the World. Vale comentar que o novo álbum talvez seja um dos mais completos registros da banda, porque estão lá, de forma intacta, os elementos já citados que ajudaram compor a identidade do conjunto. E o mais importante. Não soando datado ou numa tentativa desesperadora de reviver o sucesso passado. E o bem vindo flerte com metal, o que só favoreceu para o bom resultado qualitativo e a diversidade do disco.
O platinado álbum, Lean Into It (1991), foi estrutura base para apresentação dos americanos. E é desse disco que veio os momentos de maior interação com o público como na dançante “Alive and Kickin”; a festeira “Road to Ruin”; a bluesy “A little Too Loose e as açucaradas “Just Take My Heart” e “To Be With You”. “Addicted to That Rush”; “Take a Walk” e “Merciless” rememoram o primeiro disco, Mr. Big (1989), e provam que a banda sempre se destacou pela qualidade suas canções e músicos e nunca pelo visual espalhafatoso do hard/glam. “Take Cover” é única representante do mediano, Hey Man (1996). O também platinado, Bump Ahead (1993), dá o ar da graça com “Colorado Bulldog” e “Price You Gotta Pay”.
Como se não bastasse, a banda fez o rodízio de instrumentos com Paul Gilbert atacando de baterista; Eric Martin de guitarrista; Pat Torpey baixista e Billy Sheehan no vocal, para então executar o cover de Smoke on the Water (Deep Purple). De volta aos seus respectivos instrumentos, a banda ainda tira mais carta da manga, “Shy Boy”. Cover do vocalista/showman, David Lee Roth. O show contou com as apresentações individuais do guitarrista Paul Gilbert e baixista Billy Sheehan, mas é desnecessário enaltecer um ou outro, visto que a propriedade dos músicos em seus instrumentos é bem perto da perfeição. Assim como também é dispensável comentar a qualidade vocal de Eric e a precisão das batidas de Pat.
Para o Mr. Big o resultado foi mais que favorável, marcando gol de placa com público em êxtase e de alma lavada por ter valido a pena esperar quase duas décadas pelo show. Para Jorn Lande o show ficou no empate, com o cantor se destacando pela sua qualidade, mas pecando por um setlist morno!








