sábado, 3 de setembro de 2011

After Forever: DeEnergize



Depois de 12 anos de carreira, com uma discografia de nove discos (contando as duas primeiras demos: Ephemeral (1999) e Wings of Illusion (1999)) a banda holandesa, After Forever, decretou o fim das atividades. A banda composta por Floor Jansen (vocal), Sander Gommans (guitarra), Joost van de Broek (teclado), Bas Maas (guitarra), André Borgman (bateria) e Luuk van Gerven (baixo), havia comunicado uma pausa nas atividades no início do ano de 2008, mas o tempo dado para aparar as arestas e resolver os conflitos não foi o suficiente para solver todos os problemas internos da banda, forçando o líder, e principal compositor, a decretar o fim das atividades.

Bem antes de tal decisão, a banda After Forever lançou o melhor disco de toda carreira, sendo muito bem recebido pelos fãs e crítica. O álbum marca estreia do grupo holand
ês em uma das maiores gravadoras voltadas ao segmento Heavy Metal - Nuclear Blast, e recebe nome homônimo à banda.

Fazendo um retrospecto dos álbuns lançados pela banda, é nítida a evolução, o grau de comprometimento em estar superando os limites, a busca pela excelência e a forma de agregar, em harmonia, todas as diferentes personalidades e experiências de seus integrantes, formand
o, assim, uma força única com o objetivo de fazer arte. Com isso lançam discos experimentais como os dois primeiros da carreira - Prison Of Desire e Decipher - sendo um grande passo para moldar sua identidade, sempre conduzindo e orientando a carreira, na qualidade das composições. O terceiro álbum - Invisible Circles - traz um conceito complexo e uma acentuada influência progressiva. Em Remagine a abordagem das composições foi concebida de forma diferente de seu antecessor, a estratégia adotada foi menos é mais tomando uma forma básica de suas estruturas. E, por fim, After Forever, o último álbum lançado pela banda, que pode ser considerado a unidade de todos os álbuns antes lançados. Mas não soando de forma datada e preguiçosa, mas, sim, reinventados e modernos. Fazendo jus à máxima que sempre norteou a banda: evolução.

O After Forever conta com dois principais compositores Sande
r Gommans e Joost van den Broek (Joost pode ser considerado o ‘novo membro’ da banda, gravou apenas os dois últimos álbuns Remagine e After Forever). A bela Floor Jansen é responsável pelas letras. O disco começa com maravilhosa "Discord", com uma pegada bem cadenciada, alternando vocais de Sander Gommans e os de Floor Jansen, ainda tendo uma orquestra dando toda uma pompa à música.

“Tão selvagem, tão bela e pura...” essa frase faz parte da primeira estrofe da segunda faixa "Evoke". De uma maneira não intencional, essas palavras conseguem resumir toda emoção transmitida por essa canção, com melodias intensas e refrão cativante. "Evoke" era sempre um bom momento no set list da banda. Já "Transitory" é um problema sério. Uma das melhores musicas já feita pela banda. Um petardo! Impossível não torturar os pescoços ouvindo esse som, o peso e pegada estão presentes nas medidas certas, há flertes dos vocais ‘demoníacos’ de Sander e os singelos de Floor.

"Energize Me" é o primeiro single retirado do álbum, uma ca
nção simples, mas que funciona muito bem com sua melodia e refrão, tem um breve mas eficiente solo de Bas. Acertaram mais uma vez na escolha do single (foi o primeiro e único vídeo clipe oficial do álbum). A próxima é a "Equally Destructive", que expõe a preocupação da banda com os acontecimentos e catástrofes ao redor do mundo! A vocalista Floor Jansen se destaca como uma grande letrista, escrevendo com muita propriedade e desenvoltura temas como meio-ambiente; cotidiano; relacionamento etc. Não há um número substancial de bons letristas que tenha tato para abordar temas complexos, sem ser enfadonho e inoportuno, a banda After Forever tinha esse trunfo e o soube usar com muita propriedade.

A canção "Equally Destructive" não foi escrita com a pretensão de moralizar a sociedade, tampouco como trilha sonora para engajamento ambiental. E, sim, com uma grande observação sobre o meio que vivemos e como nos relacionamos. "Withering Time" tem peso, vocal gutural, melodias marcantes, corais e, lógico, a excelente performance da Jansen.

A primeira participação especial do disco está em "De-Energized", trazendo Jeff Waters - Annihilator, proporcionando mais pesado à canção. As linhas de guitarra, guiada pelo competente Jeff, ganham um brilho maior, os vocais operisticos da senhorita Jansen fazem presença, alternando com o caos causado pelo potente vocal de Sander. O momento mais intimista do disco vem com a balada "Cry with a Smile. Destaque para letra, constituindo num sopro de esperança, às experiências ruins c
om as quais todos nós convivemos. A delicadeza na interpretação da vocalista, com certeza consegue cativar e sensibilizar o ouvinte.

"Envision" é uma música que me chamou atenção desde a primeira audição, por os ingredientes bpasicos em boa canção como letra legal, um refrão de dar inveja a muita banda e um vocal bem dosado de emoção e interpretação. A segunda participação especial está em "Who I am", a veterana Doro Pesh (Doro ex - Warlock) deu o ar da graça. A voz, da cantora é inconfundível e irreparável. A simbiose gerada entre os talentos individuais: Doro Pesh e Floor Jansen é incrível. A composição ainda possui uma forte influência de ‘metal industrial’, dando um quê intenso e moderno ao som. "Dreamflight" é a música mais longa e complexa do disco, mas nem por isso é chata ou presunçosa. Ela alterna vocais de Floor, Sander e Bas; aposta em interessantes orquestrações; muitos arranjos de cordas e completada com uma atmosfera suave e outrora agressiva.

E, para finalizar o álbum, tem a "Empty Memories". Não é um som “heavy”, embora consiga cativar e fechar muito bem o melhor disco já feito pelo After Forever e, como, emolumento, a bela Amanda Somerville mostra seu talento em uma boa parceira com Floor Jansen.

O After Forever alcançou nesse quinto trabalho de estúdio uma maturidade e evolução pouco encontradas no mercado, com composições de muita qualidade e muita desenvoltura na abordagem de suas letras. Infelizmente a banda encerrou as atividades, mas fica registrado o legado de uma das melhores bandas do Gothic Metal. Sempre tendo uma postura pró-ativa, conseguiu levar sua mensagem aos quatro cantos do mundo, passando de uma promessa e ou incógnita, à expoente no segmento onde propôs atuar. Se dedicando 100%, mostrou ao mundo, com muita propriedade, sua arte.


Nota: Fiz a matéria para o site novometal, em 2009

domingo, 21 de agosto de 2011

Mindflow: Breakthrough (Entrevista Parte Final)


Nesta última parte da longa entrevista com a banda Mindflow foram abordados temas diretamente ligados álbum, Destructive Device. Também foram reveladas algumas curiosidades desta, que é uma das maiores promessas do Prog Metal brasileiro.

O novo álbum representa um capitulo e uma evolução muito importante na carreira da banda. É perceptível que a banda conseguiu uma maior maturidade com as novas composições, como: “Lethal”, com inserção de vocais guturais, sendo uma das mais pesadas do disco, “Not Free Enough” com melodias marcantes e um “ar melancólico”... O quanto às experiências vividas com os álbuns anteriores e as turnês, contribuíram para as composições do ‘Destructive Device’?

Danilo Herbert: Muito e diretamente. O ’Destructive Device’ é o resultado de tudo que vivenciamos até esse ponto de nossa carreira. Depois de todo esse tempo, posso dizer que evoluímos em todos os sentidos, como músicos, como pessoas e também como banda. A sonoridade e coesão desse álbum reflete tudo isso.

A canção ‘Inapt World’ é umas das que mais me chamou atenção no disco. Ela possui um começo eletrizante e, logo cai o andamento, depois acompanhamos toda a evolução e dinâmica da música, transformando, novamente, em um som bem pesado, com inserção de vocais guturais e com um refrão bem melodioso.

Mas o ponto que mais me intrigou na canção foi a letra. Eu a interpretei como um grito de liberdade às amarras que a sociedade (Estado, Religião...) impõe sobre as pessoas, como uma forma de mostrar, que todos nós temos escolhas, podemos escolher o melhor ‘caminho’, e só depende de nós mesmos. Vocês poderiam comentar sobre o conceito dessa canção?


Danilo Ótima interpretação! O mais legal em se criar uma música é deixá-la livre para interpretações, pois você pode se identificar com ela de várias formas diferentes. Uma das mensagens contidas no conceito de ’Inapt World’ quer dizer exatamente que você citou acima.

Mas roteiristicamente falando ’Inapt World’ seria uma continuação para ’Not Free Enough’, que é inspirada em um caso verídico, um ato hediondo no qual uma pessoa é aprisionada por um maníaco e mantida em um quarto durante grande parte de sua vida, após anos e anos sonhando com a liberdade essa pessoa consegue escapar, mas ao ter contato com o mundo em que vivemos.

Ela chega à conclusão de que a sociedade, por sua vez, também é uma espécie de prisão, não vivemos em real liberdade aqui. Somos escravos de nossas próprias vidinhas, condenados a seguir modelos pré-definidos, obrigações sem sentido, sendo julgados por ser quem somos e forçados a nos tornar quem essa "sociedade" queira que sejamos, o que nos enche de frustrações e complexos e torna nossa existência vazia e sem sentido.

Contemplando tudo isso a pessoa acaba desejando voltar para o cativeiro, pois prefere se trancar em seu próprio mundo a viver nessa falsa liberdade.

A canção ‘Breakthrough’ foi escolhida como primeiro single. Ela é uma música bem acessível, com melodias fáceis, um refrão que envolve rapidamente o ouvinte. Embora seja uma música muito bacana, ela não representa toda a complexidade das músicas da banda. Vocês acham que isso pode desvencilhar um pouco da essência/identidade (Prog Metal) proposta pela banda?

Danilo: Acredito que não. Nunca vi o MindFlow como uma banda de músicas complexas, por assim dizer. Nossa proposta sempre foi fazer músicas que acompanhassem nosso estado de espírito, seguindo sempre o caminho que o conceito do trabalho dita.

Se é cabível se criar uma música com estrutura complexa, então vale a pena ser feito assim. Mas por outro lado, não vejo sentido em uma banda que faz músicas complexas apenas por fazer. E de certa forma, a cada novo trabalho, tentamos sempre apresentar algo de novo ao ouvinte, uma faceta diferente da banda, algo que o surpreenda... e acho que eles já esperam isso de nós.

Atualmente, como disse acima, abraçamos o desafio de sintetizar nossas idéias em músicas mais diretas, Breakthrough é o maior exemplo disso.

Além do Single, ‘Breakthrough’ se tornou vídeo-clipe, com uma conotação histórica bem legal, remetendo a filmes clássicos, como: Poderoso Chefão, Alma no Lodo, Al Capone. Contem-nos, como foi o processo de concepção do roteiro do vídeo? Qual a mensagem a ser passada com o vídeo-clipe? Quem dirigiu o video?

Danilo Fazer um clipe é sempre algo muito divertido. A idéia do Clipe de ’Breakthrough’ partiu de uma reunião que tivemos com o diretor André Moraes onde ficou decidido que o visual do clipe deveria ter o mesmo clima da capa do álbum "Destructive Device", assim como seu conceito, uma atmosfera de suspense e espionagem.

No clipe um velho mafioso, ao ver um álbum de fotografias antigas, relembra seus dias de glória como líder de uma gangue mafiosa. O clipe é repleto de imagens fortes e cores cuidadosamente escolhidas, desde as roupas dos jovens mafiosos até o sangue na sequência do tiroteio, isso tudo para dar ao clipe uma aparência de Graphic Novel, uma das grandes sacadas introduzidas no projeto pelo diretor André Moraes. O Clipe de ’Breakthroug’ pode ser visto na íntegra pela página do MindFlow no Myspace: www.myspace.com/letyourmindflow.

O álbum ‘Destructive Device’, como já foi mencionado, tem uma temática sombria e pesada. Há uma evolução e inovação no som apresentado no disco. Mas também inova com adição de duas faixas com sistema binaural - First Things First e Screwdriver Effect remetendo a sessões de torturas, mutilações flagelação e muita dor (escuto essas duas faixas me lembro de filmes, como: Jogos Mortais e Albergue). Expliquem-nos o conceito dessas duas faixas? Como surgiu a idéia? Quem gravou os gritos da pessoa sendo torturada e a voz do torturador? Não foi preciso torturar a pessoa de verdade, para chegar a esse resultado bem real, foi? (risos)

Ricardo Winandy - A idéia dessas duas faixas veio sobretudo da vontade de experimentar a gravação em áudio 3D, binaural. Essa gravação, quando escutada com headphones, dá a impressão para o ouvinte de estar participando da cena (no caso da tortura), e desperta sensações que com o áudio normal não é possível causar.
Elas fazem parte do nosso jogo “Follow Your Instinct”, em que as pessoas têm que encontrar um serial-killer. Nessas faixas os “detetives” presenciam uma tortura e no final são também torturados.
O mais interessante é que quem fez a voz da mulher sendo torturada foi a menina que ganhou o primeiro jogo. O nome dela é Natália, e ela foi uma ótima atriz (se tivéssemos torturado ela de verdade também não íamos contar). Já quem fez a voz do serial-killer é um segredo...

Vocês fizeram alguns shows (se não me engano dois, aqui no Brasil) com a banda Symphony X, nos contem como foi a experiência e, o que foi absorvido pelo Mindflow, em estar tocando com um dos principais expoentes do Prog Metal?

Rafael Pensado: Já conhecíamos o trabalho deles, todos os membros da banda foram muito atenciosos conosco, nos convidaram pra jantar em Manaus e pudemos trocar idéias, em 2008, Russel Allen, visitou o camarim do MindFlow e ficamos relembrando a turnê passada, Russel nos agradeceu durante o show deles, foi muito legal e uma honra tocar com eles.

Vocês já tocaram em diversos países e continentes, conviveram com diversas culturas e etnias, mas o país mais inusitado e com menos “peso” e expressividade no mundo Heavy Metal que vocês visitaram foi à Coréia do Sul. O que vocês podem nos falar sobre essa experiência?

Rafael: Coréia do Sul é um dos países mais desenvolvidos no mundo, provavelmente é o povo asiático mais extrovertido, todos os shows tinham um ótimo público e eles não tem vergonha em vir conversar, tirar fotos, etc....
O que mais chamou a atenção durante nossa estadia, é como eles conseguem mesclar o alto desenvolvimento tecnológico com a preservação cultural milenar, uma experiência que deixa qualquer um humilde.

Está disponibilizada para download, no site da banda, uma compilação chamada: ‘Just a Destructive Mind’. Essa coletânea só está disponível nesse formato? Se a resposta for positiva, há chance de lançamento dessa compilação, fazendo parte da discografia da banda?

Ricardo: A coletânea é uma seleção de algumas de nossas músicas preferidas dos nossos 3 discos, totalmente digital, e pode ser baixada gratuitamente pelo link music.letyourmindflow.com. Resolvemos fazê-la como um presente para os nossos fãs e para quem deseja conhecer a banda e ainda não teve oportunidade.
Ainda não temos planos de lançá-la em CD, até porque nossa principal intenção é a distribuição gratuita. Mas quem sabe num futuro próximo?

Com o lançamento do segundo disco ‘Mind Over Body’, surge à trama e game Alternate Reality Game (ARG) “FOLLOW YOUR INSTINCT” que envolve assassinatos, crimes, rede de intrigas e, principalmente, muito mistério. No novo disco - ‘Destructive Device’, há continuação da saga “FOLLOW YOUR INSTINCTS 2.0 - J.A.C.K.”, ou seja, jogo ganha um envolvimento maior ainda na carreira da banda. O que vocês podem nos falar sobre o conceito do game? E, qual seu grau de importância para a marca Mindflow?

Ricardo: O jogo é basicamente uma caça a um serial-killer através de pistas no CD, música, encarte, sites, etc. Quem se propõe a jogar se coloca como um detetive para conter o assassino e evitar mais mortes.
Ele surgiu como uma brincadeira no álbum Mind over Body que vinha com um encarte em quadrinhos exclusivo para ele. Como mais de 3.000 pessoas participaram dessa brincadeira com a gente, e o assassino ainda está à solta, o jogo continuou numa nova versão.

O Destructive Device já vem cheio de pistas no pôster, encarte, faixas binaurais, luva, músicas, e o novo site tem uma área com vários ambientes do hospital psiquiátrico do qual o assassino fugiu, além do blog do J.A.C.K..
Quem quiser começar a jogar pode fazer pelo link www.mindflow.com.br/followyourinstinct.

O que é Mindflow Street Team?

Ricardo: É um exército de fãs que se juntam para executar algumas missões e em troca disso recebem prêmios como camisetas, CDs, encontros com a banda, ingressos de show, além de acesso a uma área exclusiva com material exclusivo, entre outras vantagens.

Vemos o pessoal do Street Team como membros da banda, mantemos um contato muito próximo com todos que fazem parte.
E qualquer um pode participar, não importa o tempo que têm disponível ou o conhecimento sobre a banda. Para saber mais informações, basta acessar o site www.letyourmindflow.com/stbrasil.

Quais os planos para turnê 2009? Há planos para um giro europeu e norte americano?

Ricardo: No momento estamos fazendo alguns shows aqui no Brasil junto com o Sepultura e o Angra e estamos em negociação para uma turnê nos Estados Unidos no segundo semestre.

É considerada a idéia para gravação de DVD e/ou Cd ao vivo?

Rafael: Sim, temos isso em mente, mas não temos pressa para lançar ainda, como tudo o que fazemos, será de uma forma não usual, temos muitas cidades que queremos visitar antes de registrar oficialmente uma apresentação.

Para encerrarmos essa entrevista, gostaria que a banda elegesse três álbuns expressivos (na opinião de vocês) das respectivas décadas - 70, 80, 90.

Rafael: Anos 70- Yes / The Yes Album - Anos 80- Rush / Moving Pictures
Anos 90- Metallica / Black Album

Agradeço muito a disponibilidade e atenção que nos foi dada, desejamos muito sucesso e vitórias ao Mindflow. Ficamos orgulhosos de ver uma banda brasileira alcançando uma posição de destaque. Esse espaço é reservado para vocês...

Rafael: Agradecemos pelo interesse no nosso trabalho! Vida longa ao Novo Metal e Let your MindFlow....

Nota: Fiz essa matéria para o site Novo Metal: http://www.novometal.com/entrevistas/exibir.php?id=263

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mindflow: Destructive Device (Entrevista Parte 1)


A banda brasileira de ‘progressive metal’ Mindflow foi formada no ano de 2003 e possui em seu catálogo três discos de estúdio (Just Two of Us...Me and Them, Mind Over Body e Destructive Device). Neles o grupo mostra uma qualidade, requinte e versatilidade muito acima da média, com letras baseadas em críticas sociais, ideologias, mistérios e temas agressivos.

Elogiado em todos os países que mostrou sua arte, o grupo ultrapassou o estágio de promessa e despontam hoje um dos melhores representante do estilo no Brasil. O portal Novo Metal teve a oportunidade de ter uma longa conversa com a banda sobre muitos assuntos e curiosidades ligadas a carreira da Mindflow. Dividiremos esta entrevista em duas partes. Então, amigos vamos a primeira seqüência de perguntas. ‘Let Your MindFlow’

Nota: Essa é a primeira entrevista que fiz com a banda brasileira Mindflow no ano de 2009. A matéria foi originalmente publicada no portal Novo Metal. http://www.novometal.com/entrevistas/exibir.php?id=261

Olá, agradeço muito a disponibilidade da banda em nos conceder essa entrevista. É um grande prazer te-los conosco. Gostaria de começar perguntando sobre o novo disco da banda - Destructive Device, que possui uma temática bem sombria. De onde veio a inspiração para abordagem tão ‘dark’ para o álbum?

Rodrigo Hidalgo: O prazer é nosso. No MindFlow temos a tendência de sempre, em um novo trabalho, criar uma atmosfera que englobe as músicas, vídeos, site etc. A idéia era criar um mundo de conspiração e espionagem. Tentamos refletir isso em tudo para transmitir esse suspense. Buscamos algo que fosse contemporâneo mas vestido em uma nevoa de misterio.

Como vem sendo a resposta dos fãs?

Rodrigo: Tem sido incrível! Principalmente ao vivo que é onde o MindFlow pode mostrar todo o peso. O público reage muito bem e nos devolve uma energia enorme! Com relação às criticas ao disco não poderiam ser melhores. Estamos muito satisfeitos!

Vocês firmaram uma parceria com o renomado produtor Ben Grosse. Como se deu esse encontro entre vocês? Havia outros nomes a serem cogitados para a produção do disco?

Rodrigo: Sempre admiramos o trabalho do Ben em bandas como Disturbed, Sevendust. Sabíamos que algo muito interessante sairia da mistura dele com o MindFlow. Quando fizemos um show em Los Angeles, mandamos um convite pra ele. Depois da apresentação saímos para jantar e começamos a conversar.

Qual a importância de Ben para o resultado qualitativo do disco? Suas influências forem levadas até que ponto, para que a banda atingisse o nível sonoro apresentado no disco?

Rodrigo: O Ben foi muito importante em todo o processo. Procuramos por ele para produzir o disco porque sabíamos aonde ele levaria a sonoridade do MindFlow. Trabalhamos juntos desde a pré-producao até a mix final e sabíamos onde queríamos chegar. O Ben é um excelente produtor, tem uma sensibilidade musical diferenciada e é um engenheiro muito talentoso. A mistura dele com o MindFlow foi muito feliz e o resultado nos deixou muito orgulhosos.

É creditada a participação da Rinat Arinos, assinando co-autoria dos vocais, como foi o envolvimento e parceria dela com a banda?

Rodrigo: A Rinat teve um papel muito importante. Ela trabalhou lado a lado com a gente na criação das melodias vocais. Ela é uma produtora muito talentosa e tem ótimas idéias. A maioria das linhas eram criadas de manhã, e já gravadas a tarde.

O som praticado pelo Mindflow é o Prog Metal. Há influências de muitas bandas e, até mesmo, gêneros musicais no som da banda, é perceptível. Mas a essência é calcada no progressivo. Gostaria que vocês nos contassem o processo evolutivo que a banda tem passado nos últimos anos. Pegando como ponto partida o primeiro disco - ‘Just the Two of Us...Me and Them’, onde a influência progressiva era muita mais acentuada.

Danilo Herbert: Realmente, no MindFlow incorporamos muitas influências diferentes, baseadas na bagagem musical de cada um de nós, mas acho que isso acontece de maneira bem natural, não temos o compromisso de sermos estritamente progressivos. É legal observar como nossa maneira de compor foi se modificando com o passar do tempo... Quando gravamos o "Just the two of us..." queríamos que as músicas soassem bem dramáticas e ligadas entre si, exatamente como uma trilha sonora, pois o conceito da estória pedia que fosse assim, por isso, classifico nosso primeiro álbum como progressivo.

Na época do "Mind over Body" resolvemos levar essa liberdade que o progressivo nos dá ao extremo, tentamos colocar todas as nossas influências juntas, misturamos ritmos, saturamos os contrastes, e aumentamos a atenção a todos os climas das passagens. O resultado disso foram músicas riquíssimas em detalhes e cores, o que fez com que o álbum soasse totalmente experimental. Já no "Destructive Device", que acredito oferecer um progmetal mais moderno, assumimos o desafio de sintetizar nossas composições, que até então eram extensas na sua maioria, em músicas mais diretas e coesas, que funcionassem melhor ao vivo e que convidassem o público a fazer parte do espetáculo e não os deixassem apenas como meros expectadores na platéia, vendo tudo aquilo acontecer tão rápido e sem poder interagir com a banda.

Também nos preocupamos muito com a plástica sonora dos instrumentos e da voz, isso deu ao "Destructive Device" uma qualidade de audio muito superior aos antecessores. O que concluo de tudo isso é que todos os três álbuns expõem facetas diferentes do MindFlow, oferecendo ao ouvinte diferentes abordagens, com isso também sinto que estamos cada vez mais perto do que eu chamaria de estilo próprio.

O trabalho gráfico apresentado nos discos da banda é surpreendente: muito acima da média. Tudo é muito bem elaborado, com aspecto visual de muita qualidade e muito chamativo (em formatos Slipcase e Digipak). Mas para chegar a um material tão excelente como este, há um custeio e, diga-se de passagem, não parece ser dos menores. Gostaria que vocês comentassem como é elaborado esse material. E, qual a importância em estar ofertando um trabalho tão requintado?

Danilo: Umas das grandes vantagens em ser uma banda independente, é o fato de você poder se produzir e de estar a par de todos os aspectos relacionados à sua arte. Assumimos e acompanhamos todas as fases do processo de criação dos nossos álbuns, desde a concepção até a confecção da embalagem. Dessa forma, descobrimos que o valor de custo para a produção de um disco é bem diferente do preço final que pagamos nas lojas. Sabendo disso, podemos pesquisar quais as maneiras mais viáveis de se produzir e vender um disco com a melhor qualidade possível e a um preço justo, e isso é uma das coisas das quais não abrimos mão.

A proposta principal do MindFlow é oferecer aos fãs sempre o melhor que está ao nosso alcance, por isso, nos dedicamos inteiramente para que a pessoa que adquira nosso disco tenha sempre em mãos, algo a mais do que apenas uma mídia que transporta a música, e não apenas isso, fazemos com que todas as mídias que usamos: cd e encartes, posters, cartões, sites, vídeos, camisetas e outros, interajam entre si, criando uma atmosfera envolvente em torno do conceito que se quer transmitir e assim fortalecendo o trabalho da banda.

O Mindflow têm três álbuns lançados na carreira, e sempre aposta alto em um trabalho, que vai de encontro à tendência do mercado. Hoje, gravadoras/selos estão minimizando e otimizando todos os custos e processos, por conta de inúmeros motivos, mas tendo como principal razão a pirataria. Vocês acham que, além da qualidade sonora, um trabalho especial de embalagem, um aspecto visual de luxo é determinante para o fã comprar o disco? Que esse seja o diferencial que os fãs anseiam, o ‘quê’ que esteja faltando, visto que Cd/Dvd passou a ser artigo quase de ‘luxo’, levando em consideração o preço abusivo praticado por parte de algumas gravadoras/selos?

Ricardo Winandy: Para todos os CDs que lançamos, pensamos na embalagem como um complemento do som. Uma foto, imagem, desenho, a letra em si, e tudo o que envolve o CD, nos ajuda a passar o que estávamos pensando ao compor e a nossa visão sobre cada música.

No Mind over Body por exemplo, tiramos uma foto para cada música, cada uma com a nossa interpretação, além de um encarte de 24 páginas em quadrinhos para uma delas. Já o último CD, Destructive Device, colocamos bastante pistas e dicas para o nosso jogo além de um pôster. Ambos são em um formato bem diferenciado. Quanto ao nosso primeiro CD, por ser conceitual, utilizamos do encarte para nos ajudar a passar a história do disco.

Vocês lançam mão de uma outra estratégia de divulgação bem bacana, que é disponibilizar um cadastro no site da banda, onde o fã ganha um adesivo, cards de divulgação e uma carta (sobre o jogo Follow Your Instinct 2.0 - J.A.C.K.), convidando o ouvinte a fazer parte do “Mundo - Mindflow”. Qual a importância de sempre estreitar a relação entre ‘artista - público’?

Ricardo: A internet abriu a possibilidade do artista conhecer mais seu público, assim como do público conhecer mais o artista. Damos uma importância enorme para essa interação, principalmente por gostarmos muito. Como valorizamos muito as pessoas que gostam do nosso trabalho, sempre que podemos procuramos presenteá-los, como é o caso dos adesivos, que qualquer um pode pedir pelo link www.mindflow.com.br/free.

Fazendo um comparativo entre os três álbuns lançados pela banda (‘Just the Two of Us... Me and Them’; ‘Mind Over Body’; ‘Destructive Device’), é bem nítido um maior peso nas linhas de guitarra no novo álbum. Essa “ênfase” foi proposital? Já havia pretensão de acentuar o peso nas linhas de guitarra?

Rodrigo: Isso foi natural devido ao direcionamento das músicas do Destructive Device. Quando começamos a compor as musicas, buscamos uma sonoridade que fosse empolgante ao vivo. Algo que soasse forte e impactante. Ficamos muito felizes com o resultado!

Ainda falando sobre guitarra, eu gostaria que Rodrigo Hidalgo comentasse sobre o timbre que alcançou no - ‘Desctructive Device’, e qual equipamento você usou?

Rodrigo: Gostei muito do timbre de guitarra que chegamos no álbum. Tudo foi construído com camadas. Gravei varias vezes as bases e riffs com equipamentos diferentes, microfones etc. Usei um Triple Rectifier Mesa Boogie, Triaxis, Sansamp, Buddha. Dependendo da música combinava essas camadas de forma que nos parecia mais adequada.

Danilo sua voz tem um timbre muito peculiar, com grande alcance e entonações diferentes, quais os estudos que você já teve? Como faz para cuidar da voz? Quais os nomes o influenciaram?
Sua performance teatral e interpretativa das canções, é algo em destaque, trazendo uma maior emoção a execução das músicas, você poderia nos falar, o quão importante é essa postura no palco?


Danilo: Muito obrigado pelas palavras! Comecei a cantar aos 15 anos, mas só encarei a prática de forma séria aos 20, iniciei meus estudos nessa época. A partir daí comecei a sentir a evolução que a técnica vocal me proporcinou em termos de qualidade e versatilidade, desde então nunca mais parei de estudar, sou fascinado pelo assunto! Existem vários métodos para se cuidar da voz, mas a melhor dica sem dúvida alguma, é sempre estar muito bem descansado e relaxado... quanto mais melhor.

São muitos os cantores que me influenciaram e ainda influenciam. Acho que não haveria muita surpresa nessa parte, pois, são os mesmos que influenciam a todos, sendo assim, vale a pena citar (os que acho que são) os nomes mais incomuns dessa lista de influências, como: Mike Patton, Seal, Michael Kiske, Ed Kowalczyk, Michael Stipe.

As músicas do MindFlow em sua maioria são dramáticas, com temáticas densas e obscuras, e ainda assim repletas de energia. Acredito que toda essa carga no palco, requer uma interpretação mais teatral, dessa forma, tento vivenciar esses sentimentos quando canto para que as pessoas consigam sentir a "verdade" que nossa música quer passar e se conectem com a banda. A partir daí a troca de energia acontece e torna tudo muito mais fácil.

Continua...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mr. Big: What If Tour (São Paulo - Brasil)


No final dos anos 1980 o quarteto americano Mr. Big dava seus primeiros passos, na época, no solo fértil do hard rock, com o lançamento homônimo à banda. Mesmo sendo um solo fértil ao estilo, muitos grupos ficaram pelo caminho por não ter a base essencial para fincar bandeira no show business – talento. E inversamente proporcional a isso, Mr. Big tinha (tem) de sobra, lançando discos aclamados tanto por crítica e fãs. Mas, infelizmente, não foi o suficiente para manter a formação da banda e solucionar alguns problemas internos. As boas notícias começaram a surgir em 2009 com a reunião da formação clássica e a volta aos palcos. O que era bom ficou ótimo com o lançamento do novo álbum, What If. E para ficar excelente só faltava uma turnê pelo Brasil. Então, não falta mais. O Mr. Big veio suprir a ausência, que durou quase duas décadas, dos palcos brasileiros com duas datas no país – São Paulo 09/07 e Porto Alegre 10/07. Em São Paulo, o norueguês, Jorn Lande, foi o encarregado de abrir a noite com seu hard/heavy.

Só mesmo um bom show de rock para despachar para bem longe o frio que fez na cidade de São Paulo, mas essa tarefa só foi feita pelo Mr. Big, visto que a apresentação de Jorn pecou por um repertório fraco e pouco motivador. O norueguês é um exímio vocalista. Na verdade, um dos melhores na atualidade. Mas, infelizmente, o cantor perdeu a mão e apresentou um show morno.

Já com o HSBC Arena em quase sua lotação máxima, o Mr. Big sobe ao palco, às 23,00, com a vibrante “Daddy, Brother, Lover, Little Boy” e a melodiosa “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”. Em uma rápida saudação o vocalista, Eric Martin, diz: “Como prometemos, nós voltamos”. A banda se apresentou no Brasil, na cidade de Santos/SP, em meados dos anos 1990. “Undertow” é a primeira a representar o poder do novo disco. A experiência de estar há décadas no meio musical é sempre benéfica ao bom músico e à boa banda, o que se aplica em número e grau ao Mr. Big. A banda soube estruturar um repertório que prestigiasse tanto as canções clássicas como “Alive and Kickin”; “Road to Ruin”; “Just Take My Heart”; “To Be With You” e “Colorado Bulldog”, quanto canções do novo álbum, por exemplo, “American Beauty”; “Still Ain’t Enough For Me” e “Once Upon a Time”.

Sei que ainda é cedo para dizer. Muitos shows e festivais virão. Mas a apresentação do Mr. Big, em São Paulo, é forte candidata a ser o melhor do ano. Como eu disse: o que era bom ficou excelente com a visita de Paul Gilbert (guitarra); Eric Martin (vocal); Billy Sheehan (baixo) e Pat Torpey (bateria), ao Brasil.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Epica: Fundição Progresso - Rio de Janeiro


Depois de quase uma semana de uma das maiores e piores catástrofes naturais no Rio de Janeiro, o público carioca teve bons motivos para sorrir, no último Domingo (11/04/10). O responsável, ou melhor, os responsáveis por esses bons momentos de diversão foram as bandas Tierramystica e Epica.

Às 20h05 foi dado o pontapé para levar para bem longe o gosto amargo da última semana, que, infelizmente, ficará marcada na memória dos cariocas. Sob uma intro de belíssimo gosto entra em cena a banda porto alegrense, Tierramystica. A banda pratica um heavy metal com fortes influências de música latino americana, o que é um grande “ás”, visto que não soa datada, tampouco, uma cópia do que muitos já se cansaram de tocar. Tierramystica, embora seja uma banda nova, é segura de suas composições, o vocalista Gui Antonioli mostra simpatia e boa desenvoltura para conduzir o público, com carisma e boa movimentação de palco.

Os destaques negativos vão para a má equalização do som, atacando os ouvidos de maneira alta e estridente. O segundo e último porém da apresentação da banda Tierramystica foi a execução dos covers de Iron Maiden e Avantasia (Fear of the Dark e Sign of the Cross, respectivamente), músicas desnecessárias para apresentação da banda. Como disse o vocalista Gui Antonioli, “temos que valorizar nossa cultura latino americana”, ou seja, era música do Tierramystica que o público queria escutar. Esses porto alegrenses têm todo potencial para estar entre os grandes do metal brasileiro, mas isso só o tempo dirá.

Passava das 21h00 quando um dos maiores - se não maior - representante do symphonic metal adentrava o palco. Com o som melhor equalizado que a banda de abertura, o Epica começa com a intro “Samadhi” seguida imediatamente pela forte e energética “Resign to Surrender”, músicas que compõem o mais novo disco de estúdio da banda, “Design Your Universe”. Sem tempo a perder emendam a já clássica “Sensorium”, cantada em uníssono pelo animado público carioca, que em momento algum se deixou intimidar pelo poderio sonoro dos holandeses.


“Há um tempinho que nós não viemos ao Rio de Janeiro, desde 2005, na turnê com os amigos do Kamelot”, diz Simone Simons. Feitas as honras da casa pela simpática vocalista, a empolgação volta com a ótima “Unleashed”, e mesmo com a significativa melhora na qualidade de som o bendito ainda teimava soar ora estridente e um tanto embolado. Mas sem ligar para os tropeços dos operadores da mesa de som, a banda executa, sem direito a respiro, “Martyr Of The Free Word”, mais uma representante do novo disco, que obteve reposta imediata do público. Vale ressaltar que o Epica tem se elevado a cada novo álbum de estúdio, conseguindo se reinventar dentro do próprio estilo.

Agora é a vez do simpático guitarrista/vocalista Mark Jansen saudar a platéia, pontuando, “até que não está muito quente hoje. Bem, a próxima música é muito requisitada, mas eu não vou dizer qual será, vocês vão ter que descobrir sozinhos.” O petardo é do álbum “Divine Conspiracy”, “Fools of Damnation”. A canção seguinte foi a hora do breve descanso da bela Simone. A trilha “The Imperial March”, do clássico vilão Darth Vader, ganhou novos contornos e acentuado peso na interpretação da banda, som que ainda se faz presente no interessante álbum “The Classical Conspiracy”. “Mother of Light” veio na seqüência com uma recepção fria do público, talvez tenha sido a única bola fora no ‘setlist’, mas nada que depreciasse a grande apresentação.

A excitação foi geral quando os primeiros acordes da tão aguardada “Cry for the Moon” ecoaram pela Fundição Progresso. Com delicadeza de seus movimentos e a mestria de sua voz, Simone toma o público pelas mãos e os convida a um passeio meio às melodias e arranjos magníficos, que mais parecem músicas dos anjos. “Tides of Time” traz consigo, mais uma vez, o destaque para a ‘frontwoman’, interpretando a música com doses extras de emoção e carisma.

“Vocês querem mais? Vocês querem mais? Sim ou não?” Pergunta Mark Jansen. Com a resposta mais que positiva, Mark surpreende em mostrar que aprendeu rapidíssimo alguns palavrões, e anuncia a pesada “The Obsessive Devotion”. A boa resposta a esse som é praxe, o grande “quê” na execução da canção diz respeito ao entrosamento dos guitarristas. Incrível como Isaac Delahaye adaptou-se rapidamente à banda.


“Kingdom Of Heaven (A New Age Dawns, Part V)” em seus quase 15 minutos de duração, consegue representar todos os elementos que compõem a crescente e sólida carreira desses holandeses: peso, melodia, orquestrações pomposas, grandes arranjos e um bom gosto ímpar na arte de compor. Ao final da música a banda se despede do público, com aquele “tchauzinho” pra lá de mentiroso, que só serve para dar charme ao show.

Na volta ao palco, o tecladista Coen Janssen deixa o público escolher entre ir para casa ou escutar mais som e com a segunda opção mais que ovacionada o Epica executa “Sancta Terra” e “Quietus”, deixando platéia em êxtase absoluto.

O grande trunfo era guardado para cartada final, “Consign to Oblivion (A New Age Dawns, Part III)” é o peso em sua mais pura essência, sabiamente inserido na identidade musical da banda. “Consign to Oblivion” conseguiu dar a tônica da toda apresentação, representando todas as facetas dessa referência no estilo symphonic metal.

Usando o clichê jargão: “tudo que é bom dura pouco”, às 23h15 chega o fim da apresentação em solo fluminense. O único porém dessa última visita do Epica aLinko Rio de Janeiro, foi a teimosia do som, que vez ou outra insistia embolar um bocado. No mais, tudo foi impecável: público afiadíssimo, boa banda de abertura e o Epica em sua melhor forma, divulgando seu melhor disco. Só poderia dar no que deu, fãs e bandas satisfeitos por cada um fazer bem sua parte.

Ah! Um grande obrigado às bandas, por ajudar o Rio de Janeiro a superar a última semana de tragédias.

Nota: Fiz essa matéria para o site Território da Música: http://www.territoriodamusica.com/shows/?c=894

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Grave Digger: Rio de Janeiro


A banda alemã, Grave Digger, virá ao Brasil para três apresentações - 22/07 Rio de Janeiro; 23/07 São Paulo e 24/07 Curitiba. A banda está divulgando o álbum, The Clans Will Rise. Os ingressos estão à venda no site www.ticketbrasil.com.br
Para maiores informações quanto ao show do Rio de Janeiro: 2493-0005

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mr. Big: Latin America Tour (São Paulo)


Como em qualquer área profissional, o mundo da música tem aquelas mentes ou bandas que se sobressaem por tornar o comum e básico em algo extraordinário. O mais afoito não perderia tempo em pedir um exemplo. E, sem uma gota de dúvida, dentre os possíveis exemplos está o Mr. Big. Seria hilário se não fosse trágico. Mas mesmo sendo esse grande exemplo de brilhantismo e gozar de grande prestígio no mercado nacional, a banda só deu o ar da graça pelas bandas daqui, no distante ano de 1994, para se apresentar no festival M2000 Summer Concerts, na cidade de Santos, São Paulo. Ou seja, já tinha mais que passado da hora para um retorno ao Brasil. E com duas datas reservadas para o país – São Paulo 09/07 e Porto Alegre 10/07 – o Mr. Big veio, no último final de semana, saldar a dívida de quase duas décadas. Na apresentação de São Paulo ainda teria como convidado especial o norueguês, Jorn Lande.

Só mesmo artistas do quilate de Mr. Big e Jorn Lande para lotar o HSBC Arena em mais uma noite congelante na capital paulista. Numa pontualidade digna a ser comparada à inglesa. Pontualidade que se seguiu por toda noite. Jorn Lande começa, às 21:00, sua apresentação que pode ser dividida ou colocada de duas formas bem distintas. A primeira que o vocalista norueguês é uma das melhores vozes do hard/metal, nos dias atuais, e por conta disso é sempre um privilegio ouvir cada verso cantado pelo vocalista. E a segunda, e a não muito agradável, é que a carreira solo do músico carece de hits ou se preferirem de canções com maior apelo comercial, o que foi decisivo para o show ficar com dinâmica morna, tendo o maior destaque no cover do saudoso Dio, Rainbow in the Dark. Em uma comparação futebolística, o show do vocalista está como a seleção brasileira na Copa América: um time até bacana, mas que não sai nunca do empate.

Sem muita demora na troca de palco, Mr. Big começa sua apresentação com a energética, “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”, que num piscar de olhos cede lugar à carismática, “Green-Tinted Sixties Mind”. E por falar em carisma todos os músicos ganham nota cem nesse quesito, o que só fez aumentar a intimidade entre banda e público, com ambos se sentindo à vontade, e lógico, refletindo de maneira muito espontânea por toda dinâmica do show. “Undertow” é a primeira representante do novo álbum – o ótimo, What If . Canção que traz em seu DNA todos os elementos que ajudaram construir a identidade da banda como as melodias marcantes; refrão grudento como chiclete derretido e técnica na medida. Do novo disco também vieram as rápidas “American Beauty” e “Still Ain’t Enough For Me” e a trinca da pesada com “Once Upon a Time”, “As Far As I Can See” e Around the World. Vale comentar que o novo álbum talvez seja um dos mais completos registros da banda, porque estão lá, de forma intacta, os elementos já citados que ajudaram compor a identidade do conjunto. E o mais importante. Não soando datado ou numa tentativa desesperadora de reviver o sucesso passado. E o bem vindo flerte com metal, o que só favoreceu para o bom resultado qualitativo e a diversidade do disco.

O platinado álbum, Lean Into It (1991), foi estrutura base para apresentação dos americanos. E é desse disco que veio os momentos de maior interação com o público como na dançante “Alive and Kickin”; a festeira “Road to Ruin”; a bluesy “A little Too Loose e as açucaradas “Just Take My Heart” e “To Be With You”. “Addicted to That Rush”; “Take a Walk” e “Merciless” rememoram o primeiro disco, Mr. Big (1989), e provam que a banda sempre se destacou pela qualidade suas canções e músicos e nunca pelo visual espalhafatoso do hard/glam. “Take Cover” é única representante do mediano, Hey Man (1996). O também platinado, Bump Ahead (1993), dá o ar da graça com “Colorado Bulldog” e “Price You Gotta Pay”.

Como se não bastasse, a banda fez o rodízio de instrumentos com Paul Gilbert atacando de baterista; Eric Martin de guitarrista; Pat Torpey baixista e Billy Sheehan no vocal, para então executar o cover de Smoke on the Water (Deep Purple). De volta aos seus respectivos instrumentos, a banda ainda tira mais carta da manga, “Shy Boy”. Cover do vocalista/showman, David Lee Roth. O show contou com as apresentações individuais do guitarrista Paul Gilbert e baixista Billy Sheehan, mas é desnecessário enaltecer um ou outro, visto que a propriedade dos músicos em seus instrumentos é bem perto da perfeição. Assim como também é dispensável comentar a qualidade vocal de Eric e a precisão das batidas de Pat.

Para o Mr. Big o resultado foi mais que favorável, marcando gol de placa com público em êxtase e de alma lavada por ter valido a pena esperar quase duas décadas pelo show. Para Jorn Lande o show ficou no empate, com o cantor se destacando pela sua qualidade, mas pecando por um setlist morno!