sábado, 2 de junho de 2012

Andre Matos: A Voz do Metal Brasileiro (Part 2)

Nessa segunda parte da entrevista com o vocalista, Andre Matos, são abordados temas como o musical Tommy, o qual foi protagonista; a experiência de excursionar com a também Opera rock Avantasia; seu projeto, Virgo, com o produtor/guitarrista Sascha Paeth e novidades sobre seu proximo disco solo. Então, caros leitores, mais uma vez a palavra é do digníssimo Andre Matos.


Em relação a sua colocação, quais os exemplos, na sua carreira, as coisas foram de um extremo ao outro?

Andre: Fireworks (Angra) e Reason (Shaman) foram discos extremos, no sentido de termos feito aquilo que queríamos naquele momento e não o que esperavam de nós, com isso a receptividade não foi a mesma dos discos anteriores. Por outro lado o Symfonia, onde eu compus com o Timo Tollki, eu o considero um disco bom, mas vejo que não inova. O álbum segue o power metal europeu, nórdico, com tudo muito reto e preciso.

Verdade! O som é bem quadrado e com forte referência à carreira do Stratovarius antigo.

Andre: Eu sempre deixei claro: nós não estávamos tentando reinventar o estilo, apenas pegar o melhor de cada um e colocar num álbum.

Só de gravar com o Uli Kusch deve ter sido uma experiência em tanto, não é?

Andre: Poxa, cara! Trabalhar com o Uli foi fantástico. Eu sabia da história dele com o Helloween e Masterplan, mas não sabia do extremo bom gosto para os arranjos e som da bateria, e mais, gravou tudo em dois dias.

Selecionei três momentos da sua carreira e gostaria que você comentasse sobre, ok? 1º Angra – Angels Cry; 2 º show do Shaman e convidados, em São Paulo, que sucedeu o disco RituaLive e 3º o álbum Time to be Free.

Andre: Angels Cry foi um sacrifício para ser realizado e foi a primeira vez que nós gravamos fora do Brasil. Nós ficamos literalmente exilados durante meses na Alemanha gravando o álbum, mas em contrapartida tivemos oportunidade de conhecer pessoas incríveis como Kai Hansen, sendo no estúdio dele as gravações do disco; Sascha Paeth, que virou um amigo e parceiro para vida e o Charlie Bauerfeind, que era o produtor na época. Mas não foi fácil o processo de superação, sendo assim um álbum difícil de terminar. O material estava todo na mão, porém vimos, realmente, a realidade de trabalhar com os gringos, com isso constatar o quão era diferente a forma que trabalhávamos aqui no Brasil.
O show do Shaman, RituaLive, foi quase que um milagre, porque tínhamos uma única chance para fazer aquilo, e lógico, tinha que dar certo. Acertamos no repertório; convidados; local do show; cenário e equipe; etc. Eu considero, sem falsa modéstia, que é o melhor DVD já lançado por uma banda nacional no segmento heavy metal tanto em termos de produção quanto finalização. O Time to be Free é mais um momento de superação e desapego, afinal, eu estava me responsabilizando por algo, que para mim era muito temeroso, dar minha cara a bater.

Você chegou hesitar?

Andre: Claro! Eu sair com uma banda com o nome Andre Matos? Eu nunca pensei em fazer isso, tampouco, pensei ser um tipo de Ozzy Osbourne. As responsabilidades nas minhas costas quadruplicaram, na verdade. Mas eu nunca quis um enfoque autocrático à banda, sempre quis deixar muito aberto para que a todos participasse, opinassem e compusesse, a fim de ser e ter, realmente, o espírito de banda. 

Sob uma perspectiva educacional você foi um profissional cuidadoso, lapidando-se a cada passo dado na carreira. E esse cuidado, lógico, lhe gabaritou com vários títulos, entre eles Regente. Por seu currículo, você foi escolhido a participar da peça teatral Tommy – uma encenação da Opera Rock da banda, The Who. Qual foi a sensação de estar num palco estrelando uma das mais conhecidas, e por que não, maior Opera Rock já escrita?

Andre: Esse foi o ápice da minha carreira até hoje, e com certeza fora a coisa mais empolgante que eu já fiz. Ser o protagonista de um musical, cuja música é absolutamente incrível é, com certeza, marcante. O fato de estar com uma orquestra; coral; num auditório impecável e com todo aparato de opera, foi uma experiência sensacional, a qual nunca tinha tido na minha carreira.

Como foi sua entrada para a peça?

Andre: O bacana que ninguém me conhecia! Quando cheguei para fazer o teste tinha mais de trinta pessoas querendo ser o Tommy, e eu não sabia que tinha que levar um acompanhante para fazer o playback no piano, e me perguntaram: ‘onde está o seu acompanhante?’ Respondi que não tinha e faria o canto à capela para a banca de jurados. Nessa banca havia professores de técnica vocal; diretores de teatro; a maestrina, que regeu a orquestra; diretor da secretaria de cultura, ou seja, era um negócio que botava medo. Eu me lembro da pergunta que me fizeram: ‘Só o papel principal que lhe interessa ou você faria algum outro?’. Comentei que só faria sentido para mim o papel principal, porque esse, sim, seria um grande desafio, e uma semana depois recebi um telefonema da maestrina Mônica dizendo que eu tinha sido o escolhido.

Alguém do elenco ti reconheceu?

Andre: Durante os ensaios, no meio do pessoal do coral, tinha uma garotada que me reconheceu. Os maestros e diretores falaram: ‘Espera um minuto, como eles ti conhecem?’ Eu expliquei, e assim ficaram sabendo da minha carreira, mas já passava quase um mês do decorrer dos ensaios da peça.

Foram quantos concertos?

Andre: Foram três shows, sold out! Cada noite ficava quase quinhentas pessoas para fora do teatro sem poder assistir. E, com certeza, eu adoraria repetir isso!

E por falar em Opera Rock, você participa do projeto, Avantasia, que em muito se assemelha a uma Opera Rock. Como foi excursionar com esse projeto e estar no palco com tantas vozes, onde, por incrível que pareça, há espaço para todos brilharem?

Andre: Foi também uma experiência maravilhosa, porque foi uma turnê mundial por quatro continentes, tocando em lugares incríveis aonde eu nunca tinha estado como a Rússia. Quanto ao nosso relacionamento: o clima era de pura interação e amizade, com diversão a cada noite. E eu sou amigo de longa data de todos, então, excursionar pelo mundo com aqueles caras foi algo memorável. Digo mais. Foi a primeira vez que eu tive o gostinho de excursionar como headliner de todos os principais festivais do mundo, ou seja, o tratamento nos concedido foi, realmente, vip.

Os fãs já pediam essa turnê há tempos...

Andre: Pois é! Mas demorou quase dez anos para o Avantasia ir para estrada. E foi o Sascha Paeth quem convenceu Tobias a levar o projeto aos palcos.

O projeto Virgo, também com o produtor Sascha Paeth, é longe da jurisdição do heavy metal, mas é de uma qualidade invejável por muitos músicos. Há chances de o projeto Virgo contemplar, mais uma vez, a luz do Sol?

Andre: Não rolou um segundo disco, porque, tanto eu quanto o Sascha, andamos ocupados com outras coisas. Além disso, alguém precisa se interessar em lançar o álbum, pois o mercado fonográfico mudou muito desde aquela época até os dias de hoje e o disco necessita de viabilidade para ser lançado.

Mesmo sendo um som acessível, onde há potencial de atingir o público fora do heavy metal?

Andre: O Virgo foi trabalhado de maneira errada, sendo colocado somente para os fãs de heavy metal, enquanto ele poderia transcender isso. O disco é, sim, interessante para o público de metal, onde mostra um lado “B” nosso, porque o som é focado num rock mainstream com influências de Journey, Queen e coisas desses tipos, mas, lógico, sem querer soar uma cópia ou pretensioso. O disco tem influências de blues e pop também, e trazemos para o conceito ares ‘vintage’.

Sobre o seu próximo disco de estúdio, o que você pode adiantar para nós?

Andre: Posso adiantar que as músicas estão em fase final de composição e o álbum é um equilíbrio entre os discos Time to be Free e Mentalize. Nós conseguimos chegar numa fórmula, talvez, espontânea de aproveitar o melhor de cada fase da banda, sem perder a essência e a identidade, mas, ao mesmo tempo, dando liberdade para criatividade que quisermos ter com músicas fortes e marcantes.

E as turnês? Vocês não conseguirão pegar os festivais de verão europeus.

Andre: A partir de Setembro já caímos na estrada. Mas esse período de lançamento não é bom para os festivais europeus, mas tem rolado alguns festivais de inverno, entre os meses de Novembro e Dezembro, por exemplo: Master of Rock, na Republica Tcheca Talvez participemos de alguns desses festivais.


Muito se especula, e já virou quase crendice no meio heavy metal, que você foi um dos finalistas a integrar o Iron Maiden.  O que de fato aconteceu? Se houve algum contato seu com os britânicos, como foi o desenrolar da história nos bastidores?

Andre: Quando o Bruce saiu do Iron Maiden, em 1992, a gravadora EMI, através dos representantes aqui no Brasil, começou procurar eventuais substitutos aqui no país. Na época, eu tinha recém saído do Viper e não tinha gravado o primeiro álbum do Angra, apenas uma demo, e isso foi um baque para banda, porque havia, segundo eles, a grande chance de eu ser escolhido, o que interromperia completamente os planos da gravação do primeiro disco, então, o material mandado para o pessoal do Maiden foram os dois discos do Viper e a demo do primeiro disco do Angra.

Eu, particularmente, nunca viajei na história de que eu fosse o escolhido, porque o Iron Maiden é uma banda demasiadamente britânica para que escolhessem um brasileiro para cantar, então, já não tinha grandes planos em relação, então, foi natural que escolhessem o Blaze. O interessante que anos mais tarde, quando me aproximei mais do pessoal do Iron, nós estávamos na gravação do álbum, Fireworks, na Inglaterra, em 1998, eu fui ao show deles como convidado, e tive a oportunidade de conversar melhor com Rod Smallwood (empresário da banda Iron Maiden), quando ele comentou: ‘você foi um dos três finalistas. E você ainda continua cantando muito bem’.

O Angra dividiu o palco com o Bruce Dickinson, na turnê do Fireworks, não foi?


Andre: O Angra estava em alta na França, com isso, conseguimos fazer um show gigantesco no Zenith, de Paris, com mais de cinco mil pessoas. Convidamos o Bruce, que foi da Inglaterra à França pilotando seu próprio avião, só para nosso show. Foi maravilhoso porque ele é um dos caras que me inspiraram. Graça a Deus eu tive oportunidade de encontrar todos os meus ídolos pessoalmente, como: Rob Halford, Dio, Eric Adams, e todos foram tão gentis que foi a grande lição que aprendi.     

Há pouco tempo houve o fatídico festival Metal Open Air, onde você estava cotado como uma das atrações, e como a maioria sabe: o festival foi um desfile de erros e decisões mal tomadas e com mais tantas doses de irresponsabilidades.  Não como uma situação isolada, mas em todo contexto. O que falta para o Brasil ter festivais de heavy metal, comprometidos com público e artistas, como vemos na gringa?

Andre: No Metal Open Air, nós queríamos tocar em respeito ao público, mesmo sem receber cachê, mas quando chegamos ao aeroporto faltava metade das passagens de ida e não havia nenhuma de volta, ou seja, ficamos, totalmente, sem condições logísticas para fazer nosso trabalho. Eu acredito que houve boas intenções, no início do projeto, de fazer um grande festival, mas por uma questão de ineficácia e de dar um salto maior que as pernas, que as coisas tenham se complicado. Eu, particularmente, acredito que ninguém agiu de má fé, mas rolaram os problemas e não souberam agir com o profissionalismo necessário. No final de contas resultou num grande desrespeito com o público e bandas, obviamente. E cabe, agora, a justiça analisar e julgar quem é culpado pelo o quê.   

Esse ano você comemora vinte cinco anos de carreira. Nesses anos tenho certeza que estão contidas todas às sortes de emoções. Mas o que você falaria ao garoto Andre Matos de vinte cinco anos atrás?

Andre: Você deveria ser engenheiro (risos). Na verdade há muitas que eu gostaria de ter sido, por exemplo, um médico. Adoro a medicina e sou um pouco hipocondríaco. Mas eu cumpri minha sina, sou músico e sou muito feliz por isso.

 Obrigado pela entrevista, gostaria de acrescentar mais alguma coisa?

Andre: Agradeço a oportunidade de falar mais uma vez com vocês; agradeço o apoio durante todos esses anos, e o que depender de mim: eu continuarei firme e forte levando minha carreira adiante. Obrigado!

Nota: Obrigado a SNS Produções pelo credenciamento e feitura dessa matéria. 

sábado, 26 de maio de 2012

Andre Matos: A Voz do Metal Brasileiro (Part 1)


Equiparar a arte de fazer música ao jogo de xadrez pode ser uma analogia fria e, talvez, sem fundamento, afinal, o primeiro prioriza as emoções e segundo detém o foco nas questões analíticas. Todavia, tanto o cenário musical quanto o estratégico do xadrez tomam a precauções de terem consigo suas respectivas peças chaves, onde num estalar de dedos conseguem mudar todo um cenário. E pensar no cenário metálico brasileiro e suas principais figuras – ou peças fundamentais – vêm fácil, fácil, à cabeça o nome Andre Matos e toda sua obra que faz do heavy metal nacional não uma unanimidade por excelência, mas prova que com muito comprometimento, talento e com a máxima: fale menos e faça mais, se constrói uma carreira de sucesso, vide discos seminais que vocalista lançou, por exemplo: Theatre of Fate (Viper); Angels Cry e Holy Land (Angra); Ritual (Shaman), que, sem menor gota de dúvida, são argumentos justos de ter o nome Andre Matos no legado do heavy metal brasileiro. E foi para saber mais da reunião com a banda Viper, disco novo, carreira solo, Opera Rock Tommy.... Que fomos bater um papo com o simpático, Andre. Então, caro amigo, pode abrir sua gelada e aumentar o som porque o bate-papo é dos bons...

 Parece que o ano de 2012 reserva boas surpresas aos seus fãs antigos com a turnê To Live Again Tour, rememorando seu tempo com a banda Viper. Conte-nos um pouco mais dessa história de reavivar a época do Viper?

Andre Mantos: Bem, essa foi uma idéia que nós, ex-membros do Viper, os remanescentes da formação original, tivemos, pois, independente das nossas carreiras e tudo que ocorreu ao longo dos anos, nós nos mantivemos amigos, vizinhos de bairro, em São Paulo. Ou seja, volta e meia nós nos encontrávamos para bater papo e sempre voltava à tona essa idéia de fazer alguma coisa comemorativa, fazer algo para valer juntos. Há uma fase anterior em que o Viper voltou com outro vocalista, o Ricardo Bocci, que era um excelente cantor, e lançou o disco de inéditas, All My Life, cujo álbum eu participei e realizei alguns shows como convidado. Com isso, o Viper estava em outra etapa com vocalista próprio, e eu super focado na minha banda solo, logo, a reunião com a banda não se faria possível. Mas eu sabia que passaria um período no Brasil, porque não estou morando o tempo todo aqui, e voltaria ao país para turnês da banda solo e da gravação do novo disco, cujo processo começará em breve. Com isso, eu teria essa disponibilidade e coincidiu de encontrar com o pessoal do Viper. Aliás, quem levantou muito essa questão da reunião foi o pessoal do site Wikimetal, porque são nossos amigos há muitos anos, quando do começo da banda. Eu me lembro que cada um dos integrantes fora entrevistado, um por vez, e nessas entrevistas se via muito claramente que havia em cada um a vontade de voltar trabalhar novamente juntos, mas a questão era: vontade nós temos, no entanto, não sabemos quando e como. E foi questão de alguns meses atrás que nos encontramos e veio à ideia definitiva de fazer a reunião com todos os membros originais, inclusive com o Yves Passarel.  

Mas o Yves não é membro do Capital Inicial?

Andre: Sim! Ele está no Capital há dez anos e a banda tem uma agenda fixa com shows marcados pelo ano inteiro, então, nessa reunião ele colocou para a gente: ‘quero muito participar, claro, por uma questão de amizade e afinidade, mas não poderei participar de todos os shows, porque tenho compromissos marcados há mais de seis meses e não posso faltar’.

São 22 anos que separam o artista Andre Matos e a banda Viper.  Nesse ínterim, com certeza, ambas carreiras passaram por inevitáveis processos de amadurecimento. Você acredita que esse fator tempo será facilitador, no sentido de algo como: calçar aqueles confortáveis pares de chinelos, ou será algo que exigirá mais cautela, afinal, são carreiras com respostas e vivências diferentes?

Andre: Com certeza será como colocar um par de chinelos antigo! Eu me mantive mais ativo na cena, mas, honestamente, entre nós não há problema quanto a isso, mesmo que, eventualmente, eu tenha alcançado uma projeção maior fora do Viper não irá interferir em nada, e tem mais, naquela época era muito difícil alcançar uma projeção desse tipo. Nós fomos um dos pioneiros! O que prevaleceu de tudo isso foi a nossa amizade. Nós nos gostamos muito, de verdade. E nos ficou muito claro quando entramos no estúdio para ensaiar pela primeira vez, eu, por exemplo, não sabia o que esperar, mas me surpreendi positivamente ver os caras tocando. E há uma coisa que costumo responder em entrevista quando me perguntam qual o período da minha carreira mais gosto e ou tenho boas memórias, e eu sempre digo: foi o período com o Viper.

Mesmo com o estrelato da sua carreira com Angra e os álbuns Angels Cry e Holy Land?

Andre: Sim! O Angra foi pontuado pelo profissionalismo. O Viper era tudo na raça! Nós pegávamos ônibus de linha carregando instrumento nas costas para tocar na periferia ou onde havia espaço, e quem viveu isso nunca esquece, então, eu dou muito valor a essas coisas. Nós fazíamos música por amor, pelo romantismo de fazer heavy metal num país recém saído da ditadura militar aonde nada era permitido, por isso essas experiências foram tão interessantes e marcantes para cada um de nós.
Essa volta não vai se basear somente no saudosismo e nostalgia, afinal, somos pessoas diferentes hoje em dia que evoluíram de uma forma ou de outra, portanto, a ideia não é tentar imitar o que éramos há vinte anos, mas, sim, resgatar um pouco daquela essência, e mesmo com outras experiência e vivências diferentes quando nos juntamos no estúdio para tocar, e vai ser assim ao vivo, a fraternidade continuou a existindo.

O projeto tem como força motriz a execução dos álbuns Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate.  Ambos são discos relativamente pequenos, que juntos totalizam algo perto de um concerto de uma hora e meia. Vocês planejam incluir outro material ou talvez uma música nova?

Andre: Nós estamos preparando algumas outras coisas, mas nada inédito. Não foi composto nada inédito e isso, teoricamente, seria uma segunda etapa do trabalho que nós não planejamos ainda. Nós vamos fazer uma turnê comemorativa que vai durar um mês e meio, ou seja, começa e termina aí. Como se fosse evento único! Haverá uma continuação disso? Isso depende de inúmeros fatores e nós não queremos dar o passo maior que as pernas prometendo mil coisas agora, porque o que temos de concreto é essa turnê com começo, meio e fim. Além disso, vou me dedicar exclusivamente à minha carreira solo, porque já estou gravando o disco novo, e a partir de Agosto ou Setembro já estarei em turnê com a carreira solo, então, para aqueles que pensam: o Viper vai continuar agora? Não! É uma coisa pontal.  

Que atribuição de valor e responsabilidade você agrega a ambos os discos na formação do cenário metálico brasileiro?

Andre: Eu não quero puxar a sardinha para nossa brasa dizendo que nós éramos os únicos porque não os fomos. Antes de nós o pessoal do Stress, Dorsal Atlântica, Sepultura, Vulcano, Santuário, Centúria, Salário Mínimo, etc, já tinham lançado seus discos e essas bandas que devem ser lembradas e veneradas por quem se interessa pela origem do movimento.
A diferença é que nós começamos com uma idade tenra, vamos dizer assim. Eu comecei com treze para catorze anos; o Pity tinha quinze, ou seja, todo mundo variando entre catorze a dezesseis. Éramos garotos querendo fazer musica, querendo fazer metal.

O primeiro show foi o que pegou fogo?  

Andre: O primeiro show foi em 1985, e não foi esse que pegou fogo, não. Esse foi mais tarde em 1988 ou 1989. Eu já tinha feito o número com a tocha várias vezes e nunca tinha pegado fogo, mas é aquela história: o cara que se afoga é o que sabe nadar bem! Depois daquele episódio nunca mais! Mas tem um pessoal que ainda espera esse número nos novos shows (risos).

Mesmo colocando fogo no palco e a pouca idade vocês compartilharam todo o movimento heavy metal da época.

 Andre: (risos)... Soldiers of Sunrire foi lançado em 1987, e não deixa de ser um dos pioneiros do estilo. Já o Theatre of Fate, de 1989, foi um marco, porque foi um dos primeiros discos nacionais com uma produção internacional, e lógico que há de dar crédito a isso, afinal, veio um renomado produtor inglês para gravar o álbum; o disco foi gravado num estúdio, que não existe mais, que era da BMG/RCA, em São Paulo, que tinha um equipamento absurdo, tanto que o som daquele disco é atual e as músicas são maravilhosas. Eu sou suspeito para falar, mas acho as canções tão incríveis que falam por si só. Esse álbum é o caso de estar na hora certa e no lugar certo.


Com o Viper e Shaman você lançou dois álbuns de estúdio e com o Angra um pouquinho mais: três discos de estúdio. Por que dessa inquietação?

Andre: Vou ser muito sincero com você: funciona enquanto há clima e sincronicidade na banda, e se em algum momento isso é atrapalhado ou cessado o desenrolar são as brigas de egos e coisas do gênero. E para mim isso funciona. Eu não sou o tipo de cara que topa subir no palco com uma pessoa que não estou me dando bem ou não falo, e estar lá apenas pelo negócio ou lado do business, então, eu não tenho medo de recomeçar, aprendi a recomeçar desde cedo.

Praticar esse desapego é difícil, não é?

Andre: Uma separação é sempre difícil e doloroso.

Mudando de assunto, o seu nome sempre foi sinônimo de qualidade musical. Dito isso, o projeto Symfonia, com o álbum In Paradisum, passa longe de qualquer coisa que você já tenha produzido, visto que o projeto falha com idéias mal trabalhadas e elaboradas. E olha que tinha gente boa no negócio como você, Uli Kusch e Timo Tolkki. Então, porque a coisa desandou de tal forma?

Andre: Symfonia iniciou como um projeto que tomou ares de banda e foi interrompido precocemente. Eu acho que foi uma coisa que poderia ter evoluído e ter feito mais, mas não dependeu de mim. Foi arbitraria a decisão de cessar esse projeto.

Você acha que não teve a demanda suficiente para o projeto?

Andre: Eu não tenho nada a reclamar em relação a isso, porque acredito que tudo que você começa, e olha que eu tenho experiência nisso de recomeçar tudo, você tem um caminho a trilhar, então, você não pode esperar estar no topo da montanha de um dia para o outro, há o caminho a trilhar e é justamente nesse ponto que houve discordância de mentalidades entre os envolvidos, achando que só reunindo alguns nomes famosos a coisa seria um sucesso imediato.

Você considera que In Paradisum depõe contra ou a favor de sua carreira?

Andre: Eu gostei muito! Eu o considero um ótimo disco composto por ótimos músicos e os shows foram de uma energia incrível, com feedback excelente para a banda e química excelente no palco. Por mim, eu não tenho nada a reclamar, mas eu sou um cara que tenho a tendência de fazer as coisas não visando o lucro imediato, eu faço só quando realmente gosto e me alimento disso. O lucro financeiro vem depois, afinal, sobrevivo de fazer música, dão-se outros jeitos de sobreviver, mesmo apostando num projeto a médio prazo. Ás vezes, você precisa fazer um segundo, terceiro ou quarto disco para receber o merecido reconhecimento. Muitas são as bandas que esperaram quase dez anos para chegar ao patamar que elas mereciam.

Você lançou com o Angra três discos de estúdio oficiais, sendo que os que estouraram foram o Angels Cry e Holy Land. Como foram os feedbacks dos discos e turnês naquela época?

Andre: Na época, o álbum Holy Land foi extremamente criticado, e hoje, talvez, seja considerado o melhor da carreira do Angra.  Mas na época nós sofremos, principalmente, no Brasil. No mercado internacional, não! Aqui foi muito detonado, mas lá fora foi bem entendido.

Devido aos elementos brasileiros?

Andre: Justamente! Muita resistência do público, que muitas das vezes é extremamente conservador. O disco demorou uns dez anos para ser bem aceito aqui no Brasil. E, sem dúvida, é um dos discos o qual me entreguei em 100% na composição.

A composição na época era focada em você e no Rafael Bittencourt?

Andre: Sim!  O foco era em nós, mas os outros também participaram.

O conceito do álbum veio de quem?

Andre: Se eu não me engano, eu desenvolvi esse conceito junto com o Rafael, mas a música, Holy Land, eu fiz sozinho. E esse conceito do título do disco veio da música que eu fiz.

Diante do feedback que vocês tiveram na gringa com o Holy Land seria esperado um álbum nos mesmo trejeitos, mas foi totalmente o extremo com o Fireworks.

Andre: Com certeza, porque a tendência é você sempre evoluir para algum lugar.

E é difícil agradar todo o público, por exemplo: se fizer um disco igual ao anterior você está criatividade e se inovar demais você perde suas raízes.


Andre: A grande sacada, na realidade, e em como tudo na vida, é você ter o equilíbrio.  As pessoas não entendem o que é estar na pele de um músico. É muito fácil criticar quando você não tem a responsabilidade de fazer as coisas, mas quando você faz você fica numa corda bamba, onde farei um trabalho que para mim é motivador? Ou vou farei aquilo que meu público deseja ouvir? Muitos incorrem no erro extremo de se repetir apenas para satisfazer o público e outros correm o risco oposto: não satisfazer nada o público e fazer aquilo que quer. As coisas não são por aí! Você tem que lembrar que você não faz música só para você. Quer fazer música só para você? Grava suas próprias músicas e você mesmo as escuta sozinho. Eu faço isso. Tenho minhas composições clássicas que compus para mim. Mas, por outro lado, essa postura reacionária e o medo de inovar são perigosos, porque você vai receber criticas como: mais do mesmo; o cara não tem mais criatividade e não se reinventa há anos, então, há de achar o caminho do meio, nem tanto ao mar e nem tanto a terra, sabendo inovar e manter suas raízes, o que é benéfico, mas isso demanda concentração e muito autocontrole.

Nota: Realizei essa entrevista para o Jornal do Interor Sul Fluminense. Agradeço o apoio da produtora SNS Produções. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Angra: Alcançando Novos Horizontes

Pensar no gênero heavy metal como um estilo isolado é tentar colocar uma grande metrópole dentro de uma pequenina e pacata cidade do interior, visto que a sombrinha do estilo dá cobertura a diversas facetas e abordagens. Muitos estão firmes até os dias de hoje, trazendo o sorriso ao fã incondicional, mas há aqueles que por um motivo ou outro se desgastou ficando de pé apenas as bandas pioneiras do determinado estilo.   


Quer um exemplo? Heavy Metal Melódico. Há tempos vem respigando nos oportunistas de plantão a gotinhas de água fria, ficando na ativa somente as bandas que de uma maneira ou outra têm sua raiz no estilo e faz valer a atenção do ouvinte, e o exemplo que vem fácil, fácil, à cabeça é a banda brasileira Angra, que apesar dos contratempos se mantém firme ao Heavy Metal Melódico. Foi para saber as quantas andam a carreira da banda que fomos bater um papo com o guitarrista Kiko Loureiro e o vocalista Edu Falaschi. Então, sem nove horas porque quem está com a voz é o Angra... 

 O Angra, mais uma vez, renasce após um período de turbulência, e indo na contra mão dos acontecimentos negativos, eu gostaria de saber quais os pontos positivos que vocês puderam tirar dessas experiências não tão agradáveis?

Kiko Loureiro: Com certeza foi a união entre a banda. A gente aprende muito com os tropeços, e no caso do Angra, a questão da união foi um dos fatores que mais se destacou.

Edu Falaschi: O respeito também é um dos pontos que podemos destacar, porque é básico em qualquer relacionamento, sem ele não há relação que dure, e isso serve para relacionamento entre familiares, casais ou numa relação de amizade.

Kiko: Exatamente! Até porque o respeito é uma forma de dosarmos e sabermos nossos limites, quando termina o meu limite, começa o da outra pessoa. Sem dúvida, esses são alguns dos pontos positivos que podemos tirar das experiências do passado.   

Dentre as coisas boas que podem ser tiradas desse período negativo, uma delas foi a volta do baterista Ricardo Confessori. Como foi essa reaproximação com ele? Vocês chegaram a cogitar outros nomes para ocupar o posto?

Kiko: A saída do Aquiles e os problemas com nosso antigo empresário são questões independentes uma da outra, só para deixar claro. Mas quanto à saída de Aquiles da banda e fazer a substituição, nós não tínhamos a idéia de tirar um e já colocar um outro no lugar. Na verdade, nós queríamos ver quem era o mais indicado a integrar à banda, testamos algumas outras pessoas para ocupar o lugar.

Edu: O Ricardo não era a única opção, era apenas uma das possibilidades que estava ao nosso alcance, então, não foi o único nome a ser cogitado a ocupar o lugar do Aquiles não.

Kiko: Lógico que o fato de termos trabalhado com Ricardo anteriormente pesou na nossa decisão final. Mas cogitamos, sim, outros nomes para a bateria do Angra.

Depois que os problemas foram sanados, o Angra partiu para uma interessante turnê com o Sepultura, como foi essa experiência de dividir o palco com um dos maiores representantes do metal brasileiro? Esses shows foi uma forma de exorcizar os problemas e recarregar as baterias para compor o novo disco?

Edu: Com certeza! Não tinha como entrar em estúdio para compor um novo álbum depois de tanto tempo parado com o Angra. Mesmo que nesse tempo cada um de nós tivesse envolvido com seus próprios projetos, o Angra estava parado, então, a gente precisa recarregar as energias.

Kiko: E foi uma forma de entrarmos na mesma sintonia e dar boas vindas ao Ricardo. Foram, em certa forma, shows importantes para o Angra, nos ajudou alinhar muita coisa na banda.


Como vocês devem saber, está rolando na gringa a turnê Big Four, com os quatro grandes representantes do thrash metal americano (Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax). Vocês acreditam que poderia rolar algo parecido aqui no Brasil, com as quatro maiores bandas de metal/rock do país, como: Sepultura, Angra, Korzus e Dr. Sin?

Kiko: Eu acho que não! São duas realidades diferentes, são dois mercados diferentes. Não tem como saber se o público brasileiro quer algo parecido com isso, às vezes, o público quer um som mais pesado ou um som que está sendo mais falado e comentado na mídia como o emocore, enfim! Aqui é diferente de lá fora, não acredito, que algo assim possa dar certo no Brasil.

Edu: Nós não temos esse termômetro para saber se algo desse porte possa vingar aqui no Brasil. Até porque as bandas possuem estilos diferentes, e isso acaba não enquadrando ao formato da Big Four, que são bandas do mesmo estilo, lógico que cada uma possui sua identidade. Então, eu também acho que não rolaria algo assim aqui.

Vamos falar um pouco do novo disco que se chama Aqua, que significa Água em latim, e foi inspirado na última obra de William Shakespeare – A Tempestade. Gostaria que vocês comentassem um pouco sobre o conceito do álbum?

Edu: Foi um amigo nosso que nos falou sobre a obra A Tempestade – de William Shakespeare, ele comentou para que déssemos uma conferida no conteúdo da obra, que era a última obra de Shakespeare e era tida como algo negativo, porque a ligavam diretamente à morte do autor.

Kiko: Acabamos gostando da sugestão e trabalhamos em cima do conceito da obra. Foi a primeira vez que trabalhamos em completa harmonia com o conteúdo de um livro, no álbum anterior nós trabalhamos, sim, baseados em um livro, mas era um livro de figuras.
Foi interessante porque todos nós tivemos que ler e estudar “A Tempestade”, e foi um trabalho em conjunto, cada um ficou responsável por escrever material sobre determinada parte do livro. A parte boa, também, nesse processo de composição foi que nos juntamos em um sítio, assim como fizemos no álbum Holy Land, para compor o álbum. Foi duro deixar nossos familiares e pessoas as quais gostamos por esse tempo, mas foi necessário para alcançarmos o resultado que o Aqua tem.

Edu: E trabalhar com essa obra de Shakespeare tinha tudo a ver com o que o Angra tinha passado recentemente. Na obra há traição, lealdade, vingança, amor... Há muito do que o Angra viveu nos últimos tempos, o que acabou se tornando a opção ideal para trabalharmos no novo álbum.

O elemento Água é essencial a quase toda forma de vida, provendo meios que asseguram a sobrevivência, sendo, talvez, o aspecto mais positivo dele. Por outro lado, a Água pode ser incrivelmente impiedosa com as tormentas, sendo esse um dos aspectos negativos. Então, em um contraponto com o elemento Água, o álbum tem as melodias, representando a calmaria e o acentuado peso, mostrando o lado não tão “belo” da coisa?

Kiko: De certa forma, sim! O Angra sempre trouxe essa característica de combinar as melodias e o peso nas canções, é uma forma de compor o que trazemos desde o primeiro álbum, e tem funcionado muito bem.

Edu: Faz sentido o que você falou! Há elementos no disco que representam a calmaria das águas e outros representam o seu lado mais violento. É uma forma de perceber o álbum. 


O disco foi produzido pela própria banda, com co-produção Brendan Duffey e Adriano Daga, chegando ao fim da parceira com o produtor Dennis Ward, que já beirava os 10 anos. Porque vocês acharam que esse era o momento certo de trazer “sangue novo” à produção?

Kiko: Nós já temos experiência suficiente de conduzir a produção de nosso disco, aprendemos muito com o Charlie, que foi o produtor do disco Angels Cry, já no álbum seguinte nós nos colocamos de uma forma mais objetiva, dizendo o que queríamos ou não fazer, com isso fomos ganhando respeito por determinarmos o que íamos fazer. Com Dennis foi uma ótima parceria, tudo era feito na base do diálogo, nós falávamos alguma coisa e ele dava seu posicionamento, e assim corria ao contrário.  Mas, agora, chegou a hora de fazermos por nossa conta, e ainda tivemos a ajuda de Brendan e Adriano, o que só agregou ao trabalho.

Edu: E já estava na hora de pegarmos essa parte do trabalho, temos maturidade para fazê-lo e sabemos onde queremos chegar com ele, então, foi natural esse processo para todos nós.

Vocês mudaram também o direcionamento artístico da banda, optando por trabalhar com o Gustavo Sazes, tanto na arte do álbum e no design do site da banda. Como foi esse encontro de vocês? A arte final que Gustavo apresentou, era a identidade visual que o disco pedia?

Kiko: Nós conhecíamos o trabalho do Gustavo, foi simples a decisão de trabalhar com ele. Passamos para ele, mais ou menos, a forma que queríamos o material, ele captou bem a nossa mensagem, e acabou nos apresentando uma arte que combina perfeitamente com o conceito do álbum. Ficou muito bom o trabalho dele! 

Uma curiosidade, são varias as bandas e projetos que surgem de membros e, até mesmo, ex-membros do Angra (exemplo: Almah, Bittencourt Project, Shaman). Parece que a “Água” – Aqua – que vocês bebem é pra lá de especial, porque todas as bandas e projetos têm qualidade acima da média.

Kiko: Muito obrigado, entendo como elogio! Mas é ruim, ao mesmo tempo, só ter essas bandas, né? Porque parece uma coisa “panela”, mas acaba virando mesmo, não sei por quê. Tem muita coisa do aprendizado que tivemos com o mundo da música, a gente já fez e faz eventos internacionais, o que acaba nos trazendo muito aprendizado.

Se vocês fossem representar em poucas palavras as diferentes fases da banda, sendo a primeira os álbuns Angels Cry, Holy Land e Fireworks; a segunda fase com os discos Rebirth, Temple of Shadows e Aurora Consurgens e a atual fase o álbum Aqua?

Kiko: Eu não sei cara! Eu vejo o período dos discos bem definidos, exemplo: Angels Cry foi um momento de descobrimento e imaturidade, misturada a vontade muito forte de fazer alguma coisa e com muitas idéias. O segundo disco a gente disse: “Nós somos brasileiros, sabemos o que queremos e vamos mostrar o que temos de melhor”, então, nós tínhamos mais bem definido o objetivo. Em Fireworks as coisas não iam bem, o André já mostrava desinteresse pela banda, o que acabou acontecendo sua saída tempos depois, não foi tão legal. Rebirth foi, então, o renascimento mesmo, foi uma vontade minha e do Rafael de mostrar que o Angra não era só o André, ele não fazia tudo sozinho. E mais! Tinha um conceito por trás, tanto que foi Rafael quem teve a idéia de montar a banda.
Assim fica um pouco mais fácil de falar sobre as épocas do Angra, dividir em três fases fica um pouco difícil de resumir em poucas palavras.

Quais os planos para o futuro? O que os fãs podem esperar?

Kiko: Tem os shows que vão começar, vamos fazer Loudpark no Japão em breve. O que os fãs podem esperar, com certeza, são muitos shows.

Agradeço pela entrevista e até a próxima...

Kiko: Obrigado você e obrigado a galera de Volta Redonda, quero dizer que em breve o Angra vai estar aqui tocando para vocês, tem um lance de votação para ver quais bandas vão vir à cidade, então votem para o Angra vir tocar aqui. Valeu!  

sexta-feira, 9 de março de 2012

Hangar: 15 anos de estrada


Há um bom tempo atrás se perguntasse a um fã brasileiro de música pesada quais as bandas formam o time de elite do metal nacional, a resposta era previsível e de certa forma mecânica. Poucas peças mexiam no tabuleiro e sempre passava a sensação que nada valeria atenção se não viesse daquele seleto clube. Pois o tempo passou e é certo que o mercado evoluiu junto. Inúmeras bandas ganharam vida, e principalmente, tomaram corpo para provar que dá para tirar muito caldo da prata da casa. 

Com quinze anos de estrada, seis discos de estúdio, turnês internacionais e com a aprovação dos melhores veículos de imprensa voltados à música, a Hangar é peça fundamental nas engrenagens da cena metálica brasileira, e seu líder, o baterista Aquiles Priester, não só comanda de perto cada passo da banda, como também é um dos instrumentistas responsáveis em trazer holofotes internacionais ao Brasil. 

Então ninguém melhor do que o próprio Aquiles Priester para nos falar a quanto anda sua carreira dentro e fora do Hangar; sua experiência com a banda Dream Theater e a sensação de ser eleito o quinto melhor baterista do mundo, segundo a revista Modern Drummer Readers Poll. Portanto, chega de nove horas porque a palavra é do Aquiles...

O vocalista, André leite, é o quarto vocalista a integrar a banda. Você acredita que essa rotatividade no posto se deva qual (quais) fator (s)?

Aquiles Priester: Com certeza por causa das expectativas das pessoas que entram na banda. Por mais que a gente fale que para manter uma banda de metal no Brasil a gente precisa realmente trabalhar muito duro e ficar muito tempo fora de casa, ninguém acredita, até que a pessoa comece a viver esse cotidiano. No entanto, acho que as composições do Hangar são muito fortes e significam muito para os nossos fãs. Por sorte da banda, os principais compositores não são os vocalistas. Mas com certeza todos têm extrema importância na hora de interpretar as letras e linhas melódicas que eu crio.
E os fãs, como reagem a essas trocas de cantores, visto que cada um tem sua personalidade e particular forma de se comunicar com platéia?

Aquiles: Eu sempre falo que nenhum integrante nunca foi tirado do Hangar, eles que decidem sair. Quando optamos por alguém é por que acreditamos que ele seja a pessoa certa, e muitas vezes o tempo mostra que não é. Os outros 4 integrantes (Mello, Martinez, Laguna e Eu), somos os principais compositores e estamos juntos há mais de 12 anos. Nós temos uma forte ligação de amizade e o comprometimento com a banda. Logo, os fãs precisam entender que nós vamos com um integrante até onde ele quer ir, depois disso, quando ele sai da banda, nós temos a opção de acabar com a banda ou continuar...nós sempre continuamos. 

O posto é, hoje, ocupado por, André Leite, que teve de cara a tarefa nada fácil de registrar sua voz no disco, Acoustic, But Plugged In!, já que o formato exige uma carga emocional ainda maior e pelo fato das canções terem sido registradas por outros vocalistas, sendo apenas a canção "Haunted By Your Ghosts" inédita. Como você avalia o trabalho do cantor e o quê ele pôde agregar às músicas?

Aquiles: O André reinterpretou linhas que já existiam nos nossos discos e por isso é mais fácil do que criar coisas novas. O timbre do André caiu muito bem no formato do disco acústico e ele teve muita facilidade de assimilar as variações que criei no estúdio para formatar melhor o disco acústico. A “Haunted” é um estilo de música que há muito tempo eu queria compor, mas nunca tivemos a chance por que os nossos discos sempre foram muito pesados. A música veio na hora certa e quando mostrei a ideia do refrão (que foi a primeira coisa que foi composta), a galera gostou de cara e aí o Théo Vieira veio e acrescentou os detalhes que precisávamos. É uma grande parceria da banda.

Os álbuns do Hangar sempre foram produzidos por você, Aquiles. Há co-produção de outros profissionais como Theo Vieira e Heros Trench, mas como via de regra o trabalho é sob sua direção. Já considerou deixar as produções futuras sob os cuidados de outros profissionais? Se sim, qual você cogitaria ao posto de produtor?

Aquiles: Ainda não apareceu a oportunidade. E sempre precisamos levar em conta que a produção com um nome expressivo custa muito dinheiro e às vezes o direcionamento não é aquilo que você esperava. Ainda acredito que são os olhos do dono que engordam o gado e por isso nós cuidamos de tudo no Hangar.

Vi que você foi além de produzir Acoustic, But Plugged In!, sendo o responsável pelo conceito da capa do disco – com direção de arte Vanessa Dol. As capas sempre exerceram certo fascínio para o público rock n’ roll, mas em tempos atuais onde o álbum, artigo físico, é quase feito em exclusividade para colecionadores, a responsabilidade de uma boa direção de arte é um fator depondo a favor da obra. Como você enxerga essa questão? E qual seu envolvimento com as artes visuais? 

Aquiles: Quando tenho um conceito, sempre penso que essa capa vai estar exposta no meio de um monte de outras capas com dragões, explosões, estátuas, máquinas mortíferas e todas essas coisas. Por isso sei que precisamos de algo diferente para chamar atenção. Todos os nossos discos (com exceção do Inside your Soul, que é bem METAL), têm um apelo visual muito diferente do que se vê no mundo metal e isso também se estende ao nosso site e tudo que geramos de imagem para o Hangar.

"Haunted By Your Ghosts" é a única canção inédita do novo álbum, então, mais do justo a mesma receber o vídeo clipe. O clipe é simples com foco na canção e banda, sem aquelas traquinagens cinematográficas. Há chance da gravação de um DVD em estúdio, sem platéia, a fim de capturar o mesmo clima do vídeo clipe?

Aquiles: A intenção foi exatamente essa! Mostrar que a canção era mais importante do que a imagem... Nós estamos editando o nosso primeiro DVD Acústico que foi gravado em Ijuí/RS, em dezembro do ano passado.

No ano passado foi relançado do álbum, Inside Your Soul, com faixas bônus – o disco fora originalmente lançado em 2001, via Die Hard Records. Há chance de acontecer o mesmo com primeiro álbum, Last Time? 

Aquiles: Sim, e já estamos finalizando a capa, que agora será a original mesmo, pois relançamos o Last Time como “Last Time Was Just the Beginning” com DVD e agora vamos ter mais músicas extras que o Mike tinha gravado na época das demos do disco “The Reason of your Conviction”.

Em 2010, você deu vida a sua biografia oficial: “Aquiles Polvo Priester - De Fã a Ídolo". Você poderia comentar um pouquinho sobre esse lançamento? E o que você viveu nesse ínterim que valeria um capítulo no livro?

Aquiles: É muito bom receber um feedback que a pessoa se inspirou na minha história de vida, que basicamente é a história de um garoto que queria ser baterista de uma banda de heavy metal e foi atrás e continua indo em busca dos seus sonhos. Sou um cara que conseguiu elevar o nível da bateria do heavy metal dentro e fora do Brasil, tanto em termos musicais como em termos empresariais. Sempre tive o conceito que a música engloba um pacote de coisas que são invisíveis e que não são vistas por quem consome os produtos dos artistas e é isso que cria a magia do encantamento... Tem muitas coisas que já valem outro capítulo no meu livro, mas com certeza essa entrevista ficaria interminável. Acessem o meu site e vejam a minha retrospectiva de 2011 e vejam como um ano pode parecer curto...


O Modern Drummer Festival o convidou no ano passado a ser uma das estrelas do festival. A tradicional revista Modern Drummer Readers Poll o elegeu como o 5° melhor baterista de prog metal do mundo. Qual a sensação de deixar de ser influenciado e passar a ser o influenciador?  E qual sensação de ser o primeiro baterista brasileiro de heavy metal a figurar no festival e no ranking da revista?

Aquiles: Surreal! Sempre quis participar do Modern Drummer Festival e também era um grande sonho entrar no ranking mais cobiçado do mundo pelos bateristas. Fico feliz que tenha sido em 2011, que foi um ano que realmente alcancei grande projeção fora do Brasil. Preciso dividir isso com todos os nossos fãs, que são pessoas que nos apoiam incondicionalmente todos os nossos passos. 
  
Como foi a experiência de participar da seleção para integrar um dos ícones do prog metal, o Dream Theater? A torcida por você era grande, mas deu a sensação que sua audição fora um pouco apressada, com os músicos da banda (Dream Theater) fazendo até pouco caso. Procede ou é picuinha minha com os gringos? 

Aquiles: De forma alguma. Fui extremamente bem tratado e me senti muito bem por estar entre aqueles monstros da bateria mundial. Isso é uma questão delicada, pois em todo mundo as pessoas me parabenizam por ter sido um dos 7 caras escolhidos a dedo no globo terrestre para substituir Mike Portnoy. Hoje mantenho contato com quase todos os bateristas e sou grato por fazer parte desse grupo seleto. Ano passado estive em diversos países fazendo workshops e vários fãs do Dream Theater levaram o CD/CD novo para eu autografar, e me diziam que agora eu fazia parte da família da banda. Isso foi demais, uma sensação incrível. Por outro lado, existem as pessoas que preferem somente criticar. Na verdade, não fui bem mesmo na parte onde eu precisava criar coisas novas em compassos compostos, pois realmente é uma coisa que não faz parte do meu vocabulário, mas tudo bem, isso faz parte da vida. Fui chamado para a audição pelo que eu já tocava com o Hangar, Freakeys, Angra e Vinnie Moore. Por outro lado, recentemente fui convidado pelo guitarrista Tony MacAlpine para fazer uma tour mundial e vou tocar músicas que foram gravadas pelos bateristas Virgil Donati, Marco Minnemann, Deen Castronovo, Atma Anur, Steve Smith e Mike Terrana. E fui indicado para o Tony por um membro do Dream Theater... Nada mal, não é? Se o Tony já tocou e gravou com todos esses caras, me sinto muito orgulhoso em representar o Brasil com o cara que fez história na guitarra mundial e que me influenciou com sua música. Sempre fui um grande fã dele. Todos no mundo sabem que existe o cara certo para um trabalho e com certeza eu não era o cara certo para tocar com o Dream Theater. Segundo eles, o Mike Mangini era e ele está fazendo um excelente trabalho e tem todo o seu mérito. No entanto, a vida musical de todos os outros bateristas vai muito bem, obrigado, ou seja, ninguém se matou e nem parou de tocar por não ter sido escolhido para tocar com a banda. A vida continua de uma forma ou de outra. O que posso dizer sobre a minha carreira, é que muita coisa boa aconteceu na minha carreira após a audição e tenho certeza que muitas outras coisas boas virão. Sou muito grato a isso.

É um assunto delicado e eu não quero ressuscitar defunto. Mas você mantém algum tipo de contato com os caras do Angra?

Aquiles: Nenhum contato. Quando deixamos de tocar juntos nunca mais falamos sobre nenhum assunto. Nesse meio tempo algumas vezes encontrei o Felipe e o Edu quando o Almah e o Hangar estavam tocando juntos.  

O ano está só no começo, o que podemos esperar do Hangar e Aquiles Priester?

Aquiles: Nosso DVD acústico está ficando sensacional e tenho certeza que será um produto de altíssima qualidade. Fora isso, o Hangar participará do Metal Open Air e ficamos muito felizes e orgulhosos por fazer parte do cast. Como baterista, tenho muitas coisas agendadas em termos de festivais e clínicas de bateria, mas ainda não posso divulgar, pois são datas para o segundo semestre.

Sei que você é colecionador de artigos do Iron Maiden e Coca Cola. Qual o item que você considera mais raro de ambas as coleções? 

Aquiles: Tenho um pedaço de uma baqueta do Nicko McBrain, que peguei no show da tour do disco “Fear of the Dark”, em Porto Alegre/1992. Na minha biografia eu comento tudo que aconteceu na minha vida naquele dia e realmente foi um dia muito especial. Da coca-cola, eu tenho uma garrafa que comprei em Taiwan, que reproduzia as primeiras garrafas e paguei uns 200 dólares por essa relíquia. 

Muito obrigado pela entrevista, até a próxima! 

Aquiles: Eu que agradeço. Nosso show em Volta Redonda me provou uma coisa muito importante. Vi que temos muitos fãs no Rio de Janeiro e a partir de agora, vamos ter que voltar com mais frequência para o Rio.

Nota 1: No dia 17 de Março – Teatro Gacemss, em Volta Redonda – Workshop do vocalista André Matos (Ex-Angra, Shaman, etc) e Marcelo Barbosa (Almah). Realização SNS Produções.
 Nota 2: Realizei a matéria pelo Jornal do Interior Sul Fluminense.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Within Temptation: The Unforgiving Tour 2012 (Rio de Janeiro - Circo Voador)


Foi época que o gothic metal era a bola da vez, onde não era raro encontrar quase a cada esquina uma banda com uma moça bonitinha se auto-intitulando soprano fazendo contra ponto a um vocal masculino. Mas o mercado evolui, assim como suas exigências, e por conta disso àquele que mais parecia um vôo pleno encontrou sérias turbulências pelo caminho, ficando de pé somente os poucos nomes que começaram tal movimento. E mesmo tendo sobrevivido à tormenta, muitos desses nomes sentiram a necessidade de uma remodelagem em sua música, como é o caso da banda holandesa, Within Temptation, que com acentos pop trouxe novo fôlego a sua carreira, garantindo sua sobrevivência no mercado.

E foi com trejeitos pop que a banda sacou da cartola o álbum, The Unforgiving. E não pense você, leitor, que cito a palavra como um adjetivo depreciativo ou algo perto do descartável. Longe disso! Dosando bem o peso, a melodia e umas boas salpicadas de pop, a banda escalou um repertório bacana. E foi promovendo esse álbum que a banda aterrissou pela primeira vez em terras cariocas, no último Domingo, dia 12.
  
Confesso que cheguei a subestimar o apelo do nome Within Temptation, e imaginei um público bem inferior ao que compareceu ao Circo Voador. E fico feliz em dizer que minha previsão estava equivocada. Um público razoável conseguiu driblar o calor, chuva e o caos na Lapa, a fim de prestigiar o evento. O curta metragem “Mother Maiden” é apenas o aquecimento dos motores e ficou interessante apenas para quem tem domínio do inglês. “Shot in the Dark” é a mestre de cerimônias com todo seu quê popular de melodias simples e refrão de fácil assimilação. “In the Middle of the Night” faz a temperatura subir ainda mais, e se alguém tinha alguma dúvida que a noite seria de diversão, a incerteza se dissipou no ar como fumaça aos primeiros acordes de “Faster”. 


Within Temptation é uma banda que sabe jogar bem com as cartas que tem na mão, visto que a banda não conta com nenhum músico extraordinário onde a responsabilidade do sucesso ou fracasso do show possa recair. Mesmo a vocalista Sharon den Ardel com toda sua beleza e simpatia não chama para si tal responsabilidade. Ou seja, Within Temptation é uma banda que consegue se abstrair das vaidades onde o único foco é a música. E, acredite, todo mundo, público e banda, sai ganhando com isso.

“Fire and Ice” é o primeiro momento de calmaria. Mas como dizem: a calmaria precede a tormenta. “Ice Queen” é de longe o momento mais intenso do show, com público cantando cada verso e melodia. Não sei se os fãs mais afoitos se atentaram, mas a canção sofreu uma notória mudança de tom em relação ao registro em disco, visto que alcançar as notas originais não é uma tarefa das mais fáceis.

Não faltaram sons antigos fazendo contraponto com o novo álbum, por exemplo, “Stand My Ground” e a novata “Sinéad” ou mesmo a pesada “Iron” fazendo parceria com “Angels”. O álbum The Heart of Everything acha seu espaço no repertório da banda com “What Have You Done” e “Our Solemn Hour”, mas pouco acrescentou ao saldo da noite.  “Deceiver of Fools” e “Mother Earth” rememoram mais uma vez o álbum homônimo a última canção citada e prova que ainda é o disco mais querido entre os fãs.

Uma rápida pausa para esfriar as idéias, algo mais que merecido visto o calor sufocante que fazia na casa. Na volta ao palco, “Hand of Sorrow” é energética e retoma fácil, fácil, o pique do show. O grand finale fica por conta “Stairway to the Skies” que pouco conta a favor da banda, sendo uma canção facilmente substituível no set list dos holandeses. 


Como comentei anteriormente, depois de ter sobrevivido à entressafra do estilo que pratica e ter passado pelo espinhoso processo de adequação de seu som, alterando-o a uma declarada influência pop, e ainda permanecer com uma boa base de fãs, com certeza é algo digno de muito respeito. E por parte do público carioca esse respeito só aumentou na noite do dia 12/02, que nem mesmo as erratas do som durante o show fez depreciar a boa performance dos holandeses. Ao público resta esperar a volta da banda à cidade, que nas palavras da própria Sharon não vai demorar nada a acontecer.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Angra: Aqua (Reborn Again)


Fiquei pensando mil formas de começar essa resenha de uma maneira diferente e que trouxesse um pouco a emoção que o mais novo álbum de estúdio da banda paulistana Angra faz vibrar em suas dez canções. Mas a melhor forma e a mais sincera, a propósito, é dizer: Bem vindo de volta à vida! Isso mesmo caro leitor! O Angra está mais vivo do nunca, depois do mediano/fraco Aurora Consurgens, a banda volta tinindo com o novo álbum intitulado de Aqua – Água em latim – e é todo baseado na última obra de Willian Shakespeare – A Tempestade, cujo conceito trata das nuanças da personalidade humana, como: amor, lealdade, vingança, traição, se completando em uma história amarrada pelo desejo de liberdade e reconciliações.

Aqua é o disco que os fãs do Angra têm cobrado e esperado há alguns bons anos, arrisco dizer que estavam até cansados de esperar, mas valeu cada ano dessa – “interminável” – espera, porque o álbum resgata tudo que os fãs desejam ouvir, estão lá boas doses de melodia, peso na medida certa e, lógico, todos aqueles elementos tipicamente brasileiros, que fez a banda criar e imprimir sua identidade, indo na contramão de uma enxurrada de bandas, cujo adjetivo mais positivo é insosso. Além disso, o disco foi produzido pela própria banda, o que foi uma das decisões mais bem acertadas pela banda, com co-produção de Brendan Duffey e Adrian o Daga, portanto, Aqua transpira, em cada canção, a maturidade que o Angra vem construindo em seu quase vinte anos de atividades, ou seja, é a banda em uma de suas melhores performances. 


O disco é bem homogêneo em sua qualidade, sendo a tarefa de enumerar destaques algo quase impossível, mas se fosse cometer tal maluquice, canções como: Awake From Darkness, Lease Of Life e The Rage Of Waters, convidam o ouvinte a um passeio entre a sutileza de belas melodias, solos de guitarras inspirados e ritmos brasileiros. A Monsters In Her Eyes e Ashes apostam em arranjos mais intimistas e Hollow sendo a escolha perfeita para incomodar o vizinho com o volume máximo, visto seu poderia sonoro.

Mas o bom mesmo é dizer, ou no caso escrever, que o Angra está mais vivo do que nunca e muito bem, obrigado! 

Nota: Realizei essa matéria para o Jornal do Interior Sul Fluminense.