quinta-feira, 31 de março de 2011

Iron Maiden: Fronteiras no Rio de Janeiro


No último Domingo, dia 27 de Março, era a vez da capital fluminense receber a nova turnê dos britânicos do Iron Maiden, a “The Final Frontier Tour World Tour 2011”. Os ingressos já estavam esgotados há pelo menos semanas antes do evento, o que prometia um grande espetáculo por parte de público e, lógico, da banda.

Primeira Fronteira

A expectativa era de um dia inesquecível para todos que se dirigiam para HSBC Arena, algumas pessoas vinham de outros estados e cidades, mas até aquele momento isso era apenas um detalhe, afinal, era a maior banda de metal no palco, então, valia dinheiro e tempo investidos.

No fim da tarde a fila formada fora da casa era gigantesca, o que só aumentava os ânimos. Todos queriam garantir um bom lugar e ficar o mais próximo possível de Steve Harris & Cia. Com um único acesso ao interior do HSBC Arena, o que já dava indício de algo estranho no ar, a fila ‘quilométrica’ se transformou em um amontoado de pessoas o que só tornava a espera pela abertura dos portões algo ainda mais angustiante. O horário marcado pela produção para abertura dos portões era 18h30, mas, infelizmente, foi de longe desconsiderado. As primeiras pessoas começaram a ter acesso à casa uma hora depois do planejado.

A insatisfação era visível, visto a demora e falta de organização fora da casa. Alguns mais exaltados derrubaram as barricadas de acesso aos portões da Arena, o que aumentou, e muito, a desordem e possibilidade de alguém se machucar.
Com mais da metade do público ainda fora da casa - ou lutando bravamente para tentar entrar -, a ótima banda nacional, Shadowside, tocou para uma ínfima e atordoada platéia. Lamentável, visto a excelente qualidade da banda santista. Mesmo ao final da apresentação dos brasileiros o público ainda era reduzido dentro da casa.

Já passava das 21h00 quando o público conseguiu ter acesso ao HSBC Arena. E, com mais de uma hora de atraso, chegava a hora da Donzela de Ferro mostrar, mais uma vez, o porquê de ser a maior banda de metal. Logo após o primeiro verso de “...Final Frontier” a barreira que divide público / seguranças / palco rompe com a força e pressão gerada pela platéia e começa o caos e a prova do despreparo da produção em lidar e gerenciar crises. Imediatamente Bruce Dickinson para de cantar - a banda segue tocando a canção até o final - e com sinal de “corta” pede calma ao público e para que se afastem o quanto possível da frente do palco. Sem sucesso! Ninguém conseguia se mover por causa da super lotação da pista vip. Nesse mesmo instante a “iluminada e preparada” equipe de segurança encontra a solução para todos seus problemas, agredir o quanto necessário o público a fim de encontrar espaço para o reparo da barreira. Foi uma sucessão de decisões mal tomadas.

Não restando alternativa, Bruce Dickinson pede paciência ao público e promete retorno ao palco em dez minutos, pois seria o tempo suficiente para o reparo e solução do problema. Os dez minutos se estenderam para meia-hora. E eis que Dickinson volta ao palco acompanhado de uma tradutora para informar que não havia condições do show continuar, pontuando: “Nós não queremos que ninguém se machuque, a prioridade é a segurança de vocês.” E em seguida informa que o show será adiado para o dia seguinte, e para aqueles que não pudessem voltar haveria restituição do dinheiro. A insatisfação foi instantânea com a saraivada de vaias para tradutora, que sem menor idéia da ação que poderia tomar naquele instante, enaltece o público heavy metal como comportado e pede, sem meias palavras, para ninguém quebrar e ou depredar a HSBC Arena.

Dessa forma o último Domingo foi, sim, inesquecível, contudo, não por razões amistosas. A memória desse dia será da falta de respeito e pelo aborrecimento que os fãs tiveram, bem como a prova que as coisas ainda precisam melhorar um bocado em termos de organização nesse Brasil brasileiro.


Última Fronteira

Para grande maioria do público os planos para segunda-feira era ir para o trabalho e dar conta das responsabilidades do cotidiano, e não ter que se deslocar à Barra da Tijuca (para quem mora em outros bairros; cidades e estados) com a interrogação na cabeça do que poderia acontecer de errado, de novo. Com mais tranqüilidade e menor volume de pessoas, o público teve a grata surpresa de conseguir fácil acesso à casa, e melhor, havia organização, que foi item em escassez no dia anterior. Outra boa surpresa foi a grande presença do público. Uma debandada geral do público seria algo até previsível, mas não foi o que se viu.

Sem banda de abertura, o Iron Maiden começa os trabalhos às 21h15 com a pegada hard rock de “...The Final Frontier”. Os fãs respiraram aliviados depois dos primeiros versos e refrão, afinal o medo de algo acontecer exatamente nesse momento ainda pairava no ar. Sem direito a respiro e gole d’água “El Dorado”, que é a pior do novo álbum, até consegue receber boa recepção. A coisa começa a pegar quando o riff de “Two Minutes to Midnight” ecoa pelo HSBC Arena, nessa hora parece vir à cabeça um filme, take a take, do clássico ao vivo Live After Death e os milhões de vezes esse VHS fez alegria dos fãs que, digamos, já têm bons anos de heavy metal.

“Como vocês estão, tudo bem? É muito bom tocar no Rio de Janeiro.” Esse foi o primeiro contato do vocalista com o público, que aproveitou para agradecer a todos por voltarem e prestigiarem a banda, e ainda brincou com o acontecido do dia anterior “Hoje, nós temos uma linda, brilhante e cara barreira de proteção. E o melhor de tudo que nós não pagamos por ela e vocês também não”. O que garantiu boas gargalhadas e contribui para colocar um ponto final nos problemas do dia anterior.

“The Talisman” e “Coming Home” deram continuidade ao show e mostrou para os mais desatentos e esquecidinhos o porquê de Bruce Dickinson, ao lado do saudoso Ronnie James Dio, ser o maior vocalista de metal. Voz e interpretação irrepreensíveis. Prova que a banda ainda tem muito gás e que bons trabalhos virão no futuro próximo. Com uma produção de causar inveja a muitos veteranos do rock n’ roll, a banda troca a cada música o pano de fundo, e dessa vez quem aparece é o Eddie transvestido de morte, dando a dica que é hora de “Dance of Death”. Uma das melhores canções do álbum homônimo que conseguiu se encaixar bem ao conceito da nova turnê. “The Trooper” é recebida com entusiasmo que já é praxe em todos os shows da Donzela. Não precisa comentar que o vocalista se vestiu de cavalheiro, agitou incessantemente a bandeira inglesa e que o público cantava cada verso da canção.

“The Wicker Man” pôs ainda mais fogo na platéia, como se fosse preciso, com seu ritmo acelerado e refrão pegajoso. Naquela altura do show a banda já tinha conquistado cada uma das pessoas presentes no HSBC Arena. “Blood Brothers” é dedicada aos “irmãos” japoneses que, infelizmente, estão enfrentando duras provações nas últimas semanas. Coincidência ou não com acontecimentos no Japão, a música seguinte “When The Wild Wind Blows” trata das mudanças que o mundo tem atravessado, bem como as catástrofes naturais. Destaque para os guitarristas Dave Murray e Adrian Smith que mostraram que verdadeiros bons guitarristas são seres em extinção.

“The Evil That Men Do” rememora o quão excelente é o álbum “Seventh Son of a Seventh Son”. Além disso, é nessa hora que sobe ao palco o mascote, Eddie, com sua distinta beleza, sendo ovacionado por todo público. “Fear of the Dark” é certeira com suas melodias, solos e peso, mas poderia ter sido facilmente substituída por outra canção do calibre de “Wasted Years” que não faria a menor falta.

A canção “Iron Maiden” é o anuncio que a primeira etapa do show está chegando ao fim. Nessa hora vem aquela triste constatação de que tudo que é bom insiste em acabar cedo. Ainda em “Iron Maiden” o mascote, Eddie, surge por detrás da bateria de Nicko McBrain em uma encarnação ainda mais impressionante com seus incríveis 8 metros de altura, fechando com chave ouro a primeira parte da The Final Frontier Tour World Tour 2011, na cidade do Rio de Janeiro.

Depois de um rápido intervalo, a sinistra introdução de “The Number of the Beast” é o prenúncio que o culto à besta está para ser feito. Por ser um dos maiores hinos da banda - e do heavy metal -, a música foi um dos pontos altos da apresentação dos britânicos. “Hallowed Be Thy Name”, ao lado de “Alexander the Great”, pode ser dar ao luxo de ser a melhor canção na carreira da banda. Mesmo com a idade desfavorecendo grande parte dos vocalistas, Bruce Dickinson ainda pode se orgulhar de conseguir atingir notas altas, o que sempre foi uma de suas marcas características registradas, e abrilhantar ainda mais a execução de “Hallowed By Thy Name”.

“Running Free” é como se pudéssemos viajar no tempo para assistir ao show da banda no lendário Marquee Club. Talvez a sensação fosse essa mesmo. Cada verso e refrão são cantados em uma única voz, e ainda há espaço para uma rápida apresentação da banda. Como se ninguém soubesse quem é quem no Iron Maiden.

Depois de uma hora e cinqüenta e cinco minutos de show o Iron Maiden mostrou o porquê de ser a maior. Mesmo para viúvas choronas que insistem por uma “volta às raízes”. Mas é certeza que ficou na memória da grande maioria fãs uma noite de um grande espetáculo. Talvez o questionamento que surja é o porquê do domingo não pôde ter sido exatamente assim: sem problemas e com uma organização bacana.

Nota: Fiz essa matéria para o site Território da Música. Segue o link com a publicação: www.territoriodamusica.com/shows/?c=1041

domingo, 20 de março de 2011

Pista Vip: Verdade ou Mentira?


Brasil é levado a sério? Essa poderia ser a pergunta – ou uma das perguntas – levantadas pelo público brasileiro a respeito de inúmeras vertentes de entretenimento no Brasil, mas não é o objetivo comentar sobre as diversas facetas da arte, sendo assim, o foco será dado apenas no nosso interesse e objeto de debate que é a música.

O Brasil, incluindo suas questões históricas, sempre foi condicionado a alguma forma de exploração e, até mesmo, boicote. A arte e a oportunidade de exposição do povo a ela ficam rejeitadas quase ao desconhecimento, muitos foram os artistas nacionais e internacionais limados da história contemporânea do país, pela falta de uma gerência (governo) condizente com a conjuntura e transformações da sociedade moderna.

As bem-aventuranças de alguns artistas internacionais, em terras brasileiras, remetem à década de 70, quando algumas bandas como: Genesis; Rick Wakeman; Alice Cooper Group; Carlos Santana e Jackson Five desbravavam o mercado brasileiro e em meados dos anos 80 com a rápida visita dos britânicos da banda Queen, Van Halen e os mascarados do Kiss. Infelizmente foram pouquíssimos nomes que passaram pelo país, em uma época que as situações sociais e econômicas eram piores que os dias de hoje.

Rock in Rio – Mais que uma mudança

A primeira edição do festival Rock in Rio caiu como uma luva para as mudanças sociais e econômicas que o Brasil atravessava, e com as tais mudanças o país teve oportunidade de dar os primeiros passos a favor do desenvolvimento cultural. A realização do festival, que contava com as principais estrelas da música nacional e internacional da época, teve sua edição entre os dias 11 e 20 de Janeiro de 1985. Com uma infra-estrutura inédita para os parâmetros brasileiros, com shoppings, lojas de fast-food e centros médicos, foi, sem dúvida, o pontapé para uma nova era de shows e eventos de grande porte no país.

Em 1991, Roberto Medina promoveu a segunda edição do festival, adaptado para uma versão mais reduzida, mas levantando a mesma bandeira e postura de enfatizar o Brasil no circuito mundial dos principais shows, nomes como: Guns n’ Roses; Queensrÿche; Megadeth; Prince; A-Ha; George Michael e Judas Priest se apresentaram ao lado de consagrados artistas nacionais, dentre eles: Titãs; Capital Inicial; Ed Motta e Elba Ramalho. Com os novos ventos soprando a favor do Brasil, inúmeros artistas marcaram presença em apresentações individuais ou em grandes festivais, o que enfatizava que boas doses de cultura era (é) uma das soluções para o desenvolvimento do país.

Brasil ou Europa?

Com o desenvolvimento do mercado brasileiro nos últimos anos, as produções mudaram o formato e as dinâmicas dos shows, uma das transformações, que o público brasileiro logo pôde presenciar, foi uma costumeira configuração européia/norte americana nos shows – a Pista Vip. Mas o que é? Como funciona isso? Qual a diferença para ingresso regular? Onera em demasia o preço dos ingressos? Comporta a situação econômica? Como fica o impasse entre produtoras quererem cobrar mais e o público querer pagar de menos? E o agravante da falsificação de documentos estudantis para meia-entrada? Essas e mais tantas outras questões podem vir à cabeça do brasileiro na hora de assistir a um show, então, vamos tentar esclarecer um pouco essas questões.

A prática de ter um lugar “especial” nos shows começou a pipocar no continente Europeu e na América do Norte há algum tempo, onde são reservados um lugar especial na casa de show, arena ou qualquer que seja o local em que se realizem os concertos. Mas para ter acesso a essa exclusiva área se faz a necessidade de desembolso de uma maior quantia de dinheiro em relação ao preço praticado nos ingressos regulares, com isso, uma parcela reduzida do público pode ter acesso a tal área, algumas das vezes por espaço físico do local Vip e outras por questões econômico-financeiras. A freqüentadora/fã de shows Maria Cristina Fernandes deixa clara sua posição em relação à Pista Vip: “Não vale à pena! Por que o termo VIP não é verdadeiro, não há regalia alguma, o público Vip paga mais só pra ficar metros mais próximo do artista, essa é a única vantagem. Visto que nas demais questões, a área VIP sofre das mesmas problemáticas que a pista normal.”

É bem claro que os gerentes são vorazes por um grande volume de cifras, afinal, isso é uma exigência e atribuição básica de seu trabalho, mas essa forma de exercer seu trabalho tem gerado um grande desconforto para o bolso do público brasileiro, posto que pagar a quantia de R$ 300,00; R$ 400,00 ou números ainda superiores pode ser fora da realidade econômica de grande parte da sociedade brasileira. Para o guitarrista brasileiro Leo Mancini (Shaman, Tempestt e Wizards) “... a Pista Vip poderia ser de tamanho muito reduzido e apenas para acomodar os patrocinadores e organizadores dos eventos. Somente os convidados de quem realmente trabalharam para a realização do show. Assim as pessoas ficariam muito próximas da banda e não haveria esse negócio de "quem pagar mais vai na vip ", que é muito constrangedor para um povo que precisa de incentivo e força para viver aqui nesse país”. A coordenadora do Street Team, Alessandra Koga (equipe Mindflow), expõe sua opinião sobre a Pista Vip: “Desde que foi adotada, a Pista Vip tem levado aos shows pessoas que não iriam por causa da bagunça, tumulto, medo de não conseguir um bom lugar, etc...

Pra quem é muito fã da banda acaba tornando-se a opção mais viável e certa para estar mais perto da banda e curtir o show numa boa. Em contrapartida, você limita esse número de fãs, gerando a insatisfação de quem não pode pagar por isso.

Assim como Leo e Alessandra, o tour manager da banda Mindflow, Rafael Fuzaro, pontua sobre a Pista VIP: “Concordo e discordo. É complicado, pois existem eventos que esse tipo de divisão funciona e em outros não. Acho que se não houvesse a Pista Vip tudo estaria dentro do normal, mas o capital pede para que isso surja como mais um atrativo”. Ele ainda se posiciona sobre as condições Vip’s no Brasil, enfatizando: “Tudo tem o seu preço, se você quer estar perto de seu ídolo, onde não haja ‘muvuca’, entre outros fatores, com comodidade de poder utilizar de recursos, como ter local para adquirir produtos da banda ou poder consumir o que lá oferece, sem perder tempo, vale à pena”.

O brasileiro sempre levou a merecida fama de ser um dos mais apaixonados e entusiasmados públicos do mundo, o que é uma verdade provada nos inúmeros shows gravados por artistas internacionais, para, posteriormente, mostrarem ao mundo sua popularidade no país, e de quebra mostrar a paixão dos brasileiros pela música e o seu “poderio sonoro”. E com todo esse sentimento, é fácil deduzir que o público quer assistir todos ou, pelo menos, a grande maioria de shows que rolam pelo país, seja de artistas nacionais ou estrangeiros, mas esbarra nos interesses financeiros das produtoras, ou seja, é uma batalha de titãs entre público e produtoras, com um tentando dar seus “jeitinhos” para assistir os shows e o outro com suas estratégias para anular os tais “jeitinhos”

Jeitinho Brasileiro: “é a forma de se contornar uma situação imposta ou uma dificuldade, não se valendo das formas mais éticas na maioria das vezes”. Essa é, sim, uma definição simplista, mas que, infelizmente, mostra um pouco das deficiências sociais do país e o ranço de uma cultura ainda individualista que não se importa com o próximo, a não ser que o próximo seja própria pessoa. Com o tal jeitinho brasileiro, o público consegue driblar a legislação e se apossar de um objeto de grande honra e poder para os estudantes, a carteira estudantil. A Alessandra Koga argumenta sobre os problemas com a carteira estudantil: “Acho que o problema vem de cima, da falta de fiscalização em cima das carteirinhas, da “máfia” dos ingressos, dos cambistas. É uma bola de neve. Além disso, arrisco a dizer que isso é um problema cultural que dificilmente será solucionado porque infelizmente a maioria do povo dá sempre aquele “jeitinho brasileiro” em conseguir as coisas.”

Rafael Fuzaro também expressa sua opinião sobre o uso das carteiras estudantis no país: “Nesse quesito aponto o dedo para os nossos governantes, que não colocam em 1º plano e educação nesse país. É uma bola de neve, muitas pessoas não têm como adquirir um ingresso de pista Vip ou normal e burlam para esse meio... O valor do ingresso hoje em dia não está ao alcance de todos”. E aponta uma possível solução para o problema... “Acho que deve haver uma maior avaliação e proporção relacionada ao custo do ingresso e do público que o consome. Acho que existe, sim, um superfaturamento no valor final ao consumidor. Tem que ter uma nova organização para a venda de ingressos de meia-entrada”.

Por conta da defasagem de algumas instituições públicas; a péssima cultura de tentar tirar proveito em determinadas situações e os preços salgados dos ingressos – a entrada Vip, especificamente – as produções/empresários tentam administrar e amenizar os efeitos da falsificação da carteira estudantil, o que acaba onerando todo processo na produção dos concertos, obrigando o repasse ao preço dos ingressos e nos valores das bebidas e comidas nas casas de shows. Contudo, é uma via onde ninguém cede – ou está propenso a ceder – empresários adotam quantias extraordinárias nos preços dos ingressos, com o agravante de uma pista Vip, que muitas das vezes é sem nexo, visto que o termo Vip está apenas no nome e não há nem um esboço do que o termo representa. Ficar poucos metros mais perto do artista, enfrentando dificuldades e limitações como banheiros, na maioria das vezes, precários; ausências de postos de saúde; bares com insuficiente capacidade de atendimento e uma segurança despreparada que usa, às vezes, a truculência a forma de trabalho, são pontos que se distanciam substancialmente do ideal de ter um produto/serviço Vip.

No final das Contas

A intenção não é moralizar e tomar bandeira de determinado lado, mas, sim, tentar despertar o senso crítico e o debate sobre o assunto, mostrar que, em certo ponto, o público está com razão e é vítima de abuso, mas, pelo outro, o mesmo pode ser um dos causadores do tal abuso que o assombra.

Minha crítica pessoal fica no trato dos produtores com o público. Nós não estamos na Europa ou noutro canto do mundo, onde a economia é mais desenvolvida e estruturada, mesmo que possamos viver melhor que outrora, ainda temos muitos percalços a transpor até chegarmos ao ponto onde todos ou a grande maioria tenha oportunidade de honrar suas responsabilidades e poder desfrutar de um bom concerto ou outro tipo de arte. Por isso, acredito que uma adequação a nossa realidade econômica e respeito ao público é mais que providencial.

E, você, leitor, o que acha do assunto abordado nesse artigo? Concorda ou discorda? Acha que tudo isso é parte de uma grande conspiração? Acha que tudo é uma grande farsa, inclusive o redator que escreveu essa matéria? Está de pleno acordo com situação de shows no Brasil? Acredita que o ‘jogo’ deveria ser jogado de qual forma? Bem, seja qual for sua opinião e posição, tente avaliar e ponderar com alguns fatos aqui colocados e se sentir à vontade a discutir e se manifestar sobre o tema.

Agradecimento especial às pessoas que colaboraram nessa matéria: Maria Cristina Fernandes, Alessandra Koga, Leo Mancini e Rafael Fuzaro. Muito obrigado.

domingo, 13 de março de 2011

Lacuna Coil - South America Tour


Foi preciso uma espera de mais de dez anos e cinco discos de estúdio lançados para que, finalmente, o sexteto italiano Lacuna Coil pudesse aportar em solo brasileiro, e essa espera - ou castigo, por assim dizer - só serviu de combustível a toda legião de fãs da banda, que estavam com as expectativas e emoções elevadíssimas por estarem prestes a assistir um dos maiores expoentes do gothic metal.

Já passava das 20h30 quando as luzes do Espaço Lux foram apagadas e as cortinas abertas, para que os italianos começassem a tão aguardada apresentação no Brasil. Sem piedade alguma, a banda detona de cara a empolgante “Survive”, canção que abre o mais novo disco de estúdio e sem direito a respiro emendam na pesada “Underdog”, que foi muito bem recebida pelo publico, não deixando dúvidas que o álbum “Shallow Life” foi muito bem recebido pelos fãs.

Pode até ser uma menção como: chover no molhado, mas é indispensável destacar a sinergia e a química entre Cristina Scabbia e Andrea Ferro no palco. Incrível como um completa o outro. O que vale tanto musicalmente quanto em performance, visto que poderia ser um desastre por serem dois vocalistas dividindo atenção e espaço no palco. E, não menos importante, a interação do resto da banda Marco Coti Zelati (baixo), Cristiano Mozzati (bateria) e Cristiano Migliore e Marco Biazzi (guitarras).

Dando as boas vindas ao público, o simpático Andrea Ferro anuncia “Closer” como a próxima canção, que vem com toda sua vibração e energia, o que fez aumentar, ainda mais, a temperatura no Espaço Lux. Agora é a vez da gatíssima Cristina Scabbia interagir com a platéia, pontuando: “a próxima música é muito especial para nós, ela nos representa”, a vocalista ainda complementa: “não importa quais sejam seus sonhos, sejam eles grandes ou pequenos, o que realmente importa é acreditar que eles irão se realizar!” Passada a mensagem altruísta a cantora anuncia “I’m Not a Afraid”, que consegue manter o pique da apresentação, mas que estranhamente fora prejudicada com som ora embolado e ora estridente. Uma pena!


Aproveitando o gancho das observações, há uma bem pertinente que foi a falta de um posto médico na casa de show, havia, sim, seguranças e bombeiros, mas a produção pecou pela ausência de um posto médico, por mais simples que fosse a central médica, era (e sempre será) necessário tê-la com profissionais qualificados para fazer, pelo menos, os procedimentos básicos. Produções de shows não dêem oportunidades à má sorte!


“A próxima se chama Fragments of Faith, e é do álbum Karmacode” diz o entusiasmado Andrea, que não parou um segundo sequer na execução da canção, mostrando uma grande presença de palco. A noite seguiu com as duas primeiras representantes do álbum “Unleashed Memories”, “1:19” e “Senzafine”, essa última tendo uma das melhores resposta da noite, com o público cantando cada verso da canção, fato interessante por ser uma música cantada em italiano, que não é um idioma tão difundido como inglês, e mesmo assim o público não fez feio, cantando num italiano digno de menções positivas.

Como já dava para perceber que o ‘set list’ era uma espécie de ‘best of’, ou seja, não poderiam faltar antigos e novos clássicos da banda. E foi “I Won’t Tell You”, um dos novos clássicos que ateou mais fogo à platéia, deixando bem claro que essa canção figurará por muito tempo no ‘set’ da banda.


Um dos momentos mais aguardados da noite foi a execução do hino “Heaven’s a Lie”, sendo especialmente dedicado à memória dos insubstituíveis Peter Steele (Type O Negative, Carnivore) Ronnie James Dio (Raibow, Black Sabbath, Heaven and Hell, Dio) e Paul Gray (Slipknot). “Heaven’s a Lie” é canção que revelou a banda e carimbou seu passaporte para os quatro cantos do mundo. Se fosse cometer a insensatez de ter que representar a banda em uma única canção, essa seria a escolhida por unanimidade. Não é toa que muitos fãs não sabiam se cantavam junto com a banda; choravam; gritavam ou ficavam em êxtase sentindo cada movimento da música. Em uma palavra: Clássico.

Logo em seguida, a pesada “Fragile” leva o público à loucura com um dos momentos mais bate cabeça do show, nem a própria Cristina Scabbia se segurou e caiu na farra, atacando de baterista junto a Cristiano Mozzati (bateria). A belíssima “Wide Awake” é certeira com suas melodias vocálicas e boas doses de emoção.

”To the Edge”, que é uma das melhores do disco Karmacode, faz o esperado de manter o clima pra cima no show. A grata surpresa fica por conta da antiga: “When a Dead Man Walks”, fazendo-se presente numa performance impecável.

“The Maze” representou, mais uma vez, o novo álbum. A faixa é muito boa, e ganhou acentuado peso ao vivo, o que ajudou a se adequar à dinâmica do show. Mas seria mais interessante a execução de outras do novo disco, como: “I Like It” ou “Unchained”, ou mesmo alguma do primeiro álbum.

“Vocês são loucos e eu gosto disso” diz Cristina Scabbia, antes de apresentar outro clássico do álbum “Comalies”, “Swamped”. A danada da italianinha estava certa, o público estava mesmo louco, mas loucos para assisti-los, cantar aos berros suas músicas e tirar o atraso de tanto tempo de espera.


O show se encaminhava para final quando a senhorita Scabbia pede mais um favorzinho a galera, cantar com ela cada verso da próxima canção, o ‘cover’ da banda Depeche Mode, “Enjoy the Silence”. Prontamente atendida, a canção fecha a primeira parte da apresentação dos italianos em solo brasileiro.

Sem perder muito tempo, o Lacuna Coil volta para bis com mais duas do novo álbum, “Not Enough” e “Spellbound”. O final apoteótico se deu com a ótima “Our Truth”, fechando com chave de ouro a primeira visita do Lacuna Coil em nosso país. Com certeza um retorno ao Brasil será marcado antes que se possa imaginar, isso não sou eu que digo, foi a própria senhorita Scabbia, que enfatizou ao final da apresentação.

Mas é fato! A primeira vez a gente nunca esquece!

Nota: Matéria publicada pelo site Território da Musica. www.territoriodamusica.com/shows/?c=921

sábado, 5 de março de 2011

RE-ENERGIZED


Como quase tudo na vida o tempo se encarrega de curar ou, pelo menos, dar mais razão e esclarecimento para serem colocados os respectivos pingos nos ‘is’, no mundo musical o mesmo pensamento é valido, visto que por trás do sucesso de álbuns, turnês mundiais e os tão cobiçados primeiros lugares nos “Tops da Cochinchina”, estão as diferentes personalidades dos músicos, e somente um bom bocado de tempo, paciência e força de vontade de todos envolvidos para resolverem os - possíveis - desentendimentos.

No caso da banda After Forever nem o tempo e, muito menos, a paciência foram suficientes para resolver todas as ‘quizombas’ e o fim da banda, no começo de 2009, foi inevitável. Mas para sorte dos fãs a gatíssima vocalista, Floor Jansen, superou o rompimento da sua antiga banda e resolveu dar continuidade à carreira. Sob o nome de ReVamp, nome homônimo à banda também, que, ainda, conta com Arjan Rijnen & Jord Otto (guitarras); Jaap Melman (baixo); Ruben Wijga (teclados) e Mathias Landes (bateria), a vocalista lançou seu mais novo álbum de estúdio.

É impossível falar da atual carreira da cantora sem fazer um contraponto com sua antiga banda, porque ReVamp nada mais é do que a continuação do trabalho desenvolvido pelo After Forever. Parece uma afirmação pejorativa e nada empolgante, mas está muito longe disso, porque a banda sempre apostou na diversidade e força de suas composições, indo na contramão das incontáveis bandas que usaram e abusaram dos clichês de ter uma bela vocalista na comissão de frente, com as músicas renegadas à segundo ou terceiro plano. O After Forever nunca precisou dessa muleta e, hoje, o ReVamp está na mesma situação, se destacando pelo bom conteúdo de seu trabalho.

O recém lançado álbum, que foi composto pela vocalista em parceria com os experientes Joost Van Den Broek (Sun Caged, Star One, After Forever etc) e Waldemar Sorychta (Eyes of Eden, Enemy of the Sun, Grip Inc. etc), é um apanhado de toda carreira da cantora, representado em 13 canções.

Parece impossível? Mas não é! A vocalista conseguiu imprimir a identidade de sua música, incorporando novas nuanças, flertes e novas técnicas vocálicas, em pouco menos de uma hora de música. Nomear destaques nesse primeiro registro é uma tarefa injusta e complicada, diga-se de passagem, mas acima da média estão temas como: “Fast Forward”, “Under My Skin”, “Sweet Curse” e “Disdain”, sendo as duas últimas com participações de Russel Allen (Symphony X) e Speed (Soilwork), respectivamente.

Com a escalação de vanguarda que a vocalista recrutou para compor o álbum, qualidade era fácil alcançar e o mínimo a se esperar, a “prova dos nove” vai vir mesmo no próximo álbum, com todos os músicos da banda ReVamp trabalhando em parceria com Floor Jansen. Aí vai ser hora da jiripoca piar!


*Nota: Matéria originalmente publicada no site Terrítório da Música. Segue o link da publicação: www.territoriodamusica.com/resenhas/?c=3412


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tattoos & Tequila


Depois de 15 anos desde o último registro em estúdio, o vocalista e festeiro Vince Neil (Motley Crüe) volta a dar vida à sua carreira solo sob o sugestivo nome de “Tattoos & Tequila”, que segue a risca a cartilha do Hard Rock, com os já manjados refrãos grudentos, climão de festa e bebedeira e boas doses de energia.

Até aqui o leitor pode achar que está tudo dentro do esperado em se tratando de um dos maiores ícones do Hard Rock, mas o balde de água fria vem com ‘tracklist’ do álbum, que totaliza 12 canções, sendo apenas duas inéditas. Isso mesmo caro leitor, Vince precisou de longos 15 anos para soltar um “bonzinho” álbum de covers.

Ninguém está colocando em cheque a performance e competência de Vince (vocal) e seus companheiros de banda - Dana Strum (baixo), Jeff Blando (guitarra), Zoltan Chaney (bateria) - mas esperava-se que fosse seguida, sim, a cartilha do Hard, com canções inéditas e, quiçá, um ou dois ‘covers’.

Como dizem os antigos: “não adianta chorar pelo leite derramado”, ou seja, lamentar pelo o que poderia ser feito de diferente não mudará em nada a realidade, então, ‘bora’ tirar o melhor de cada situação e, no caso, curtir o que o álbum tem a oferecer.

Com bom gosto de dar inveja, Vince escolheu a dedo canções que representassem sua vida e carreira, temas como: “He’s a Whore” (Cheap Trick), “Nobody’s Fault” (Aerosmith), “Long Cool Woman” (The Hollies), “Viva Las Vegas” (Elvis Presley) e “Bitch is Back” (Elton John). Elas ganham novos contornos e acentuado peso e, porque não, uma nova identidade com sua interpretação.

O destaque vai para as inéditas: “Tattoos & Tequilas”, com seu pujante peso e refrão mais grudento que chiclete derretido, e a bonitinha balada “Another Bad Day” à la “Don’t Go Away Mad”. E, lógico, para provocante arte da capa.

“Tattoos & Tequila” pecou não pelos ‘covers’ escolhidos, mas, sim, por usá-los em quase seu ‘tracklist’ total. Com a qualidade do vocalista e banda, um disco de inéditas seria mais apropriado. Bonzinho sim, excelente não!


Nota: Fiz essa matéria pelo site Território da Música. Segue o link da publicação original www.territoriodamusica.com/resenhas/?c=3387

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

De volta ao topo





O ano de 2010 está sendo marcado pelos lançamentos de grandes e importantes nomes do cenário metálico, uns pela expectativa - que ora acabam se revelando um grande presente de grego, que nem para peso de papel serve -, mas outros, sim, como verdadeiros presentões aos fãs de música pesada, como é o caso do álbum “The Panic Broadcast” da banda sueca Soilwork.

Nesse oitavo registro de estúdio, maturidade é o adjetivo que melhor define o álbum e contempla o atual momento na carreira dos músicos. Com a volta de seu principal compositor e fundador, Peter Witchers (guitarra), no final de 2008, o Soilwork - Björn Strid (vocal); Sven Karlsson (teclado); Ola Flink (baixo); Dirk Verbeuren (bateria) e o novato Sylvain Coudret (guitarra) - alcançou um resultado que é pra lá de satisfatório, provando de vez que é um grande ás, em meio a tantas ‘pataquadas’ que zanzam por aí.

Aqui estão todos os elementos que já é praxe encontrar no som da banda. Não faltam a intensidade de temas, indiscutivelmente, porradas, como: “Late for the Kill, Early for the Slaughter” e “King of the Threshold”. Riffs e solos eficientes e, claro, não se pode esquecer o apurado bom gosto pelas melodias nos refrãos açucarados como em “The Thrill”, “Let This River Flow” e “Epitome”, que flerta com o já citado peso, criando um equilíbrio. Além disso, devo enfatizar a caótica arte da capa, que ilustra bem o título e o conceito das canções.

O grande barato desse disco foi que a banda não se propôs a revolucionar coisíssima alguma o estilo que pratica e, tampouco, veio com aquele discursinho mixuruca de: “esse é o álbum que vai marcar a história da música pesada” e mais aquele tanto de bla, bla, bla que cansa escutar ou ler. A grande sacada foi: façamos o que de melhor sabemos fazer. E façamos sem ‘bisonhice’. Simples assim! O resultado, inevitavelmente, foi um trabalho honesto e de qualidade. Sem mais delongas, eu recomendo!


*Nota: Realizei essa matéria pelo site Território da Música, no dia 22/07/2010. Segue o link da publicação: www.territoriodamusica.com/resenhas/?c=3392

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Arte no Rock ou Rock na Arte?



O conceito de se manifestar e comunicar com imagens e signos remete aos tempos mais primitivos da humanidade, onde os desenhos em rochas e as simbologias esboçavam, ainda que fosse de uma maneira limitada e precária, a dinâmica de uma comunicação entre os membros da tribo ou agrupamento familiar, de modo que pudessem passar aos seus descendentes um pouco do conhecimento e experiência vivida e sentida até aquele momento. Com o passar dos tempos a tal comunicação por imagens e signos, que antes era limitada, ganhou substancial desenvolvimento, nome (comunicação visual), conceito, estudo aplicado, caráter estratégico e, principalmente, se mantém em constante aperfeiçoamento às mais diferentes dinâmicas da sociedade.

Mas o que isso tem a ver com rock n’roll? Absolutamente tudo! Porque é uma maneira rápida e direta em persuadir o ouvinte a comprar o álbum e traduzir um pouco do conceito e conteúdo lírico da obra. Esse namoro se tornou casamento no final da década de 1960, com o ápice do romance nas décadas de 1970 e 1980, quando a comunicação visual ganhou destaque e merecida pompa entre as bandas da época.

Um dos nomes precursores a pisar no solo sagrado do rock n’ roll com sua arte foi o artista britânico, Peter Blake. Blake, em parceria com o fotógrafo Michael Cooper, deu vida a uma das mais célebres e prestigiadas capas de disco, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (The Beatles). Não podendo ser mais feliz em seu trabalho, Peter viu sua obra se tornar ícone da década 1960, e mais, provou que uma boa idéia consegue passar com sobras pelo implacável teste do tempo. O americano Andy Warhol era outro nome muito bem comentado no final da década de 1960 por suas “esquisitices” visuais. O artista assinou trabalhos de grande expressividade como “The Velvet Underground & Nico” (Velvet Underground); o ao vivo “Love You Live” e “Sticky Fingers” (The Rolling Stones) e “Honi Soit” (John Cale).

O rock “viajandão”, para não dizer sem pé e cabeça, mas ainda assim sublime, de “Weassels Ripped My Flesh” (Frank Zappa), e a virtuose psicodélica progressiva de “In The Court of Crimson King” (King Crimson) não poderiam ficar de fora e tiveram suas músicas embaladas por magníficas artes visuais. Os responsáveis pelas obras foram Neon Park e Barry Godber, respectivamente. Park ainda assinaria capas dos álbuns “Dixie Chicken” e “Waiting For Columbus” (Little Feat). Outro designer gráfico bem querido e disputado pelas bandas de rock é o inglês, Storm Thorgerson. Dentre suas obras o grande destaque é a capa do mega clássico “The Dark Side Of The Moon” (Pink Floyd). Como não bastasse, Storm assinou capas do calibre de “Atom Heart Mother”, “The Division Bell”, “Wish You Were Here”, “Animals” e “Pulse” (Pink Floyd); “In Through The Out Door” e “Houses OF The Holy” (Led Zeppelin); “Peter Gabriel 1” e “3” (Peter Gabriel); “Pieces Of Eight” (Styx); “Skunkworks” (Bruce Dickinson) e “Try Anything Once”, “On Air” e “The Time Machine” (Alan Parsons).

Mark Wilkinson é outro nome venerado pela turma do rock progressivo por suas aventuranças pelo campo do surrealismo e as ácidas salpicadas de humor negro, onde as rígidas ditaduras da lógica e razão são meramente expectadores de última fila, o que agradava em muito público e bandas. Logo algumas de suas boas cartadas ganharam acolhida em “Script For A Jester Tear”, “Misplaced Childhood”, “Fugazi” e “Clutching At Straws” (Marillion); “Suits”, “Internal Exile”, “Sunsets On Empire” e “Raingods With Zippos” (Fish). Até os artistas que tendiam para o lado negro da força – ou da música – encontraram na arte de Wilkinson o par perfeito para seus discos, por exemplo: “Painkiller”, “Metal Works”, “Jugulator”, “Angel Of Retribution” e “Nostradamus” (Judas Priest); “Live At Donington”, “Best Of The B’Sides”, “Eddie’s Archieve” (Iron Maiden); “Mary Jane Single” (Megadeth) e “Prisoners In Paradise” (Europe).

Assim como Wilkinson, Paul Whitehead desafia os traços burocráticos dos desenhos convencionais com seu cáustico surrealismo. Sem limites percorre o espectro do singelo ao repugnante num piscar de olhos. Paul ajudou conceber peças importantes do rock progressivo setentista como “Foxtrot”, “Trespass” e “Nursery Cryme” (Genesis); “Pawn Hearts” (Van Der Graaf Generator) e “Illusion” (Renaissance).

A Suíça é outro país que pode se gabar de ter um artista com obras reconhecidas em boa parte do mundo, o responsável é o excêntrico, Hans Giger. Giger deu pinceladas certeiras nos progressivos “Brain Salad Surgery” (Emerson Lake & Palmer) e “Attahk” (Magma). Alem desses trabalhos na década 1970, Hans mostrou nas seguintes boa performance e esperadas bizarrices em “Hallucinations” (Atrocity); “Heartwork” (Carcass); “Danzig III: How To Gods Kill” (Danzig) e “To Mega Therion” (Celtic Frost).

E não é só o mercado europeu e norte americano que produz bons artistas gráficos, o Brasil é muito bem representado, diga-se, pelo carioca, Gustavo Sazes. O diretor de arte brasileiro já assinou trabalhos de altíssimos níveis, vide “Aqua” (Angra); “Brainsworms Part 1” (Bittencourt Project); “Fragile Equality” (Almah); “Southern Storm” (Krisiun); “The Root Of A Evil” (Arch Enemy); “Days Of Defiance” (Firewind) e “Slaves Of The World” (Old Man’s Child). Por seu bom gosto apurado e técnica, Gustavo está, sem dúvida, entre os melhores profissionais do mercado, e não será nenhum espanto se no futuro próximo for uma das referências mundiais na área de concepção e manipulação de imagens.

De volta à Europa, o austríaco Gottfried Helnwein é mais um ás da comunicação por imagens. Sua trajetória pelas artes começou quando criança depois de receber um carinho de seu pai, um gibi do Pato Donald. Desde então, o desenho e as artes se tornaram tão necessário quanto o oxigênio, para sua existência. Inspirado pelas condições humanas, seus trabalhos têm características perturbadoras e provocativas, sem se esquecer dos traços carregados de depressão e as cores – ou a falta delas – que salienta a ausência de vida nas relações. Na música Helnwein foi responsável por assinar a direção de arte de álbuns como “Blackout” (Scorpions); “Sehnsucht” (Rammstein) e “The Golden Age Of Grotesque” (Marilyn Manson).

Roger Dean e Drew Struzan também ficaram famosos por suas “loucuras” visuais, o primeiro por conceber os clássicos logos das bandas Yes e Asia, bem como, capa de álbuns como: “Close To The Edge”, “Yessongs”, “Tales From Topographic Oceans”, “Relayer” (Yes); “Alpha”, “Astra”, “Then & Now” e “Asia” (Asia); “Never Turn Your Back on a Friend” (Budgie) e “Demons And Wizards”, Sea Of Light e The Magician’s Birthday (Uriah Heep). O segundo por assinar a caótica capa “Sabbath Blood Sabbath” (Black Sabbath) e a debochada “Welcome To My Nightmare” (Alice Cooper). Outros nomes que conquistaram o mundo da música pesada com seus traços foram Derek Riggs, criando o personagem Eddie e as perturbadoras capas para banda Iron maiden; e Edward Repka com seu traço, thrash, trouxe a urgência e a agressividade que os estilos death e thrash metal necessitavam, caindo como uma luva para Megadeth, Death, Sanctuary e Merciless Death.

Com a absoluta certeza o rock n’ roll é muito mais excitante com os inconfundíveis traços desses e de muitos outros artistas, mesmo que esses traços ora incorpore aspectos caóticos ou ora singelos. Portanto, é e sempre será um grande prazer saborear um bom disco de rock, com uma arte visual igualmente apetitosa.