domingo, 21 de agosto de 2011

Mindflow: Breakthrough (Entrevista Parte Final)


Nesta última parte da longa entrevista com a banda Mindflow foram abordados temas diretamente ligados álbum, Destructive Device. Também foram reveladas algumas curiosidades desta, que é uma das maiores promessas do Prog Metal brasileiro.

O novo álbum representa um capitulo e uma evolução muito importante na carreira da banda. É perceptível que a banda conseguiu uma maior maturidade com as novas composições, como: “Lethal”, com inserção de vocais guturais, sendo uma das mais pesadas do disco, “Not Free Enough” com melodias marcantes e um “ar melancólico”... O quanto às experiências vividas com os álbuns anteriores e as turnês, contribuíram para as composições do ‘Destructive Device’?

Danilo Herbert: Muito e diretamente. O ’Destructive Device’ é o resultado de tudo que vivenciamos até esse ponto de nossa carreira. Depois de todo esse tempo, posso dizer que evoluímos em todos os sentidos, como músicos, como pessoas e também como banda. A sonoridade e coesão desse álbum reflete tudo isso.

A canção ‘Inapt World’ é umas das que mais me chamou atenção no disco. Ela possui um começo eletrizante e, logo cai o andamento, depois acompanhamos toda a evolução e dinâmica da música, transformando, novamente, em um som bem pesado, com inserção de vocais guturais e com um refrão bem melodioso.

Mas o ponto que mais me intrigou na canção foi a letra. Eu a interpretei como um grito de liberdade às amarras que a sociedade (Estado, Religião...) impõe sobre as pessoas, como uma forma de mostrar, que todos nós temos escolhas, podemos escolher o melhor ‘caminho’, e só depende de nós mesmos. Vocês poderiam comentar sobre o conceito dessa canção?


Danilo Ótima interpretação! O mais legal em se criar uma música é deixá-la livre para interpretações, pois você pode se identificar com ela de várias formas diferentes. Uma das mensagens contidas no conceito de ’Inapt World’ quer dizer exatamente que você citou acima.

Mas roteiristicamente falando ’Inapt World’ seria uma continuação para ’Not Free Enough’, que é inspirada em um caso verídico, um ato hediondo no qual uma pessoa é aprisionada por um maníaco e mantida em um quarto durante grande parte de sua vida, após anos e anos sonhando com a liberdade essa pessoa consegue escapar, mas ao ter contato com o mundo em que vivemos.

Ela chega à conclusão de que a sociedade, por sua vez, também é uma espécie de prisão, não vivemos em real liberdade aqui. Somos escravos de nossas próprias vidinhas, condenados a seguir modelos pré-definidos, obrigações sem sentido, sendo julgados por ser quem somos e forçados a nos tornar quem essa "sociedade" queira que sejamos, o que nos enche de frustrações e complexos e torna nossa existência vazia e sem sentido.

Contemplando tudo isso a pessoa acaba desejando voltar para o cativeiro, pois prefere se trancar em seu próprio mundo a viver nessa falsa liberdade.

A canção ‘Breakthrough’ foi escolhida como primeiro single. Ela é uma música bem acessível, com melodias fáceis, um refrão que envolve rapidamente o ouvinte. Embora seja uma música muito bacana, ela não representa toda a complexidade das músicas da banda. Vocês acham que isso pode desvencilhar um pouco da essência/identidade (Prog Metal) proposta pela banda?

Danilo: Acredito que não. Nunca vi o MindFlow como uma banda de músicas complexas, por assim dizer. Nossa proposta sempre foi fazer músicas que acompanhassem nosso estado de espírito, seguindo sempre o caminho que o conceito do trabalho dita.

Se é cabível se criar uma música com estrutura complexa, então vale a pena ser feito assim. Mas por outro lado, não vejo sentido em uma banda que faz músicas complexas apenas por fazer. E de certa forma, a cada novo trabalho, tentamos sempre apresentar algo de novo ao ouvinte, uma faceta diferente da banda, algo que o surpreenda... e acho que eles já esperam isso de nós.

Atualmente, como disse acima, abraçamos o desafio de sintetizar nossas idéias em músicas mais diretas, Breakthrough é o maior exemplo disso.

Além do Single, ‘Breakthrough’ se tornou vídeo-clipe, com uma conotação histórica bem legal, remetendo a filmes clássicos, como: Poderoso Chefão, Alma no Lodo, Al Capone. Contem-nos, como foi o processo de concepção do roteiro do vídeo? Qual a mensagem a ser passada com o vídeo-clipe? Quem dirigiu o video?

Danilo Fazer um clipe é sempre algo muito divertido. A idéia do Clipe de ’Breakthrough’ partiu de uma reunião que tivemos com o diretor André Moraes onde ficou decidido que o visual do clipe deveria ter o mesmo clima da capa do álbum "Destructive Device", assim como seu conceito, uma atmosfera de suspense e espionagem.

No clipe um velho mafioso, ao ver um álbum de fotografias antigas, relembra seus dias de glória como líder de uma gangue mafiosa. O clipe é repleto de imagens fortes e cores cuidadosamente escolhidas, desde as roupas dos jovens mafiosos até o sangue na sequência do tiroteio, isso tudo para dar ao clipe uma aparência de Graphic Novel, uma das grandes sacadas introduzidas no projeto pelo diretor André Moraes. O Clipe de ’Breakthroug’ pode ser visto na íntegra pela página do MindFlow no Myspace: www.myspace.com/letyourmindflow.

O álbum ‘Destructive Device’, como já foi mencionado, tem uma temática sombria e pesada. Há uma evolução e inovação no som apresentado no disco. Mas também inova com adição de duas faixas com sistema binaural - First Things First e Screwdriver Effect remetendo a sessões de torturas, mutilações flagelação e muita dor (escuto essas duas faixas me lembro de filmes, como: Jogos Mortais e Albergue). Expliquem-nos o conceito dessas duas faixas? Como surgiu a idéia? Quem gravou os gritos da pessoa sendo torturada e a voz do torturador? Não foi preciso torturar a pessoa de verdade, para chegar a esse resultado bem real, foi? (risos)

Ricardo Winandy - A idéia dessas duas faixas veio sobretudo da vontade de experimentar a gravação em áudio 3D, binaural. Essa gravação, quando escutada com headphones, dá a impressão para o ouvinte de estar participando da cena (no caso da tortura), e desperta sensações que com o áudio normal não é possível causar.
Elas fazem parte do nosso jogo “Follow Your Instinct”, em que as pessoas têm que encontrar um serial-killer. Nessas faixas os “detetives” presenciam uma tortura e no final são também torturados.
O mais interessante é que quem fez a voz da mulher sendo torturada foi a menina que ganhou o primeiro jogo. O nome dela é Natália, e ela foi uma ótima atriz (se tivéssemos torturado ela de verdade também não íamos contar). Já quem fez a voz do serial-killer é um segredo...

Vocês fizeram alguns shows (se não me engano dois, aqui no Brasil) com a banda Symphony X, nos contem como foi a experiência e, o que foi absorvido pelo Mindflow, em estar tocando com um dos principais expoentes do Prog Metal?

Rafael Pensado: Já conhecíamos o trabalho deles, todos os membros da banda foram muito atenciosos conosco, nos convidaram pra jantar em Manaus e pudemos trocar idéias, em 2008, Russel Allen, visitou o camarim do MindFlow e ficamos relembrando a turnê passada, Russel nos agradeceu durante o show deles, foi muito legal e uma honra tocar com eles.

Vocês já tocaram em diversos países e continentes, conviveram com diversas culturas e etnias, mas o país mais inusitado e com menos “peso” e expressividade no mundo Heavy Metal que vocês visitaram foi à Coréia do Sul. O que vocês podem nos falar sobre essa experiência?

Rafael: Coréia do Sul é um dos países mais desenvolvidos no mundo, provavelmente é o povo asiático mais extrovertido, todos os shows tinham um ótimo público e eles não tem vergonha em vir conversar, tirar fotos, etc....
O que mais chamou a atenção durante nossa estadia, é como eles conseguem mesclar o alto desenvolvimento tecnológico com a preservação cultural milenar, uma experiência que deixa qualquer um humilde.

Está disponibilizada para download, no site da banda, uma compilação chamada: ‘Just a Destructive Mind’. Essa coletânea só está disponível nesse formato? Se a resposta for positiva, há chance de lançamento dessa compilação, fazendo parte da discografia da banda?

Ricardo: A coletânea é uma seleção de algumas de nossas músicas preferidas dos nossos 3 discos, totalmente digital, e pode ser baixada gratuitamente pelo link music.letyourmindflow.com. Resolvemos fazê-la como um presente para os nossos fãs e para quem deseja conhecer a banda e ainda não teve oportunidade.
Ainda não temos planos de lançá-la em CD, até porque nossa principal intenção é a distribuição gratuita. Mas quem sabe num futuro próximo?

Com o lançamento do segundo disco ‘Mind Over Body’, surge à trama e game Alternate Reality Game (ARG) “FOLLOW YOUR INSTINCT” que envolve assassinatos, crimes, rede de intrigas e, principalmente, muito mistério. No novo disco - ‘Destructive Device’, há continuação da saga “FOLLOW YOUR INSTINCTS 2.0 - J.A.C.K.”, ou seja, jogo ganha um envolvimento maior ainda na carreira da banda. O que vocês podem nos falar sobre o conceito do game? E, qual seu grau de importância para a marca Mindflow?

Ricardo: O jogo é basicamente uma caça a um serial-killer através de pistas no CD, música, encarte, sites, etc. Quem se propõe a jogar se coloca como um detetive para conter o assassino e evitar mais mortes.
Ele surgiu como uma brincadeira no álbum Mind over Body que vinha com um encarte em quadrinhos exclusivo para ele. Como mais de 3.000 pessoas participaram dessa brincadeira com a gente, e o assassino ainda está à solta, o jogo continuou numa nova versão.

O Destructive Device já vem cheio de pistas no pôster, encarte, faixas binaurais, luva, músicas, e o novo site tem uma área com vários ambientes do hospital psiquiátrico do qual o assassino fugiu, além do blog do J.A.C.K..
Quem quiser começar a jogar pode fazer pelo link www.mindflow.com.br/followyourinstinct.

O que é Mindflow Street Team?

Ricardo: É um exército de fãs que se juntam para executar algumas missões e em troca disso recebem prêmios como camisetas, CDs, encontros com a banda, ingressos de show, além de acesso a uma área exclusiva com material exclusivo, entre outras vantagens.

Vemos o pessoal do Street Team como membros da banda, mantemos um contato muito próximo com todos que fazem parte.
E qualquer um pode participar, não importa o tempo que têm disponível ou o conhecimento sobre a banda. Para saber mais informações, basta acessar o site www.letyourmindflow.com/stbrasil.

Quais os planos para turnê 2009? Há planos para um giro europeu e norte americano?

Ricardo: No momento estamos fazendo alguns shows aqui no Brasil junto com o Sepultura e o Angra e estamos em negociação para uma turnê nos Estados Unidos no segundo semestre.

É considerada a idéia para gravação de DVD e/ou Cd ao vivo?

Rafael: Sim, temos isso em mente, mas não temos pressa para lançar ainda, como tudo o que fazemos, será de uma forma não usual, temos muitas cidades que queremos visitar antes de registrar oficialmente uma apresentação.

Para encerrarmos essa entrevista, gostaria que a banda elegesse três álbuns expressivos (na opinião de vocês) das respectivas décadas - 70, 80, 90.

Rafael: Anos 70- Yes / The Yes Album - Anos 80- Rush / Moving Pictures
Anos 90- Metallica / Black Album

Agradeço muito a disponibilidade e atenção que nos foi dada, desejamos muito sucesso e vitórias ao Mindflow. Ficamos orgulhosos de ver uma banda brasileira alcançando uma posição de destaque. Esse espaço é reservado para vocês...

Rafael: Agradecemos pelo interesse no nosso trabalho! Vida longa ao Novo Metal e Let your MindFlow....

Nota: Fiz essa matéria para o site Novo Metal: http://www.novometal.com/entrevistas/exibir.php?id=263

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mindflow: Destructive Device (Entrevista Parte 1)


A banda brasileira de ‘progressive metal’ Mindflow foi formada no ano de 2003 e possui em seu catálogo três discos de estúdio (Just Two of Us...Me and Them, Mind Over Body e Destructive Device). Neles o grupo mostra uma qualidade, requinte e versatilidade muito acima da média, com letras baseadas em críticas sociais, ideologias, mistérios e temas agressivos.

Elogiado em todos os países que mostrou sua arte, o grupo ultrapassou o estágio de promessa e despontam hoje um dos melhores representante do estilo no Brasil. O portal Novo Metal teve a oportunidade de ter uma longa conversa com a banda sobre muitos assuntos e curiosidades ligadas a carreira da Mindflow. Dividiremos esta entrevista em duas partes. Então, amigos vamos a primeira seqüência de perguntas. ‘Let Your MindFlow’

Nota: Essa é a primeira entrevista que fiz com a banda brasileira Mindflow no ano de 2009. A matéria foi originalmente publicada no portal Novo Metal. http://www.novometal.com/entrevistas/exibir.php?id=261

Olá, agradeço muito a disponibilidade da banda em nos conceder essa entrevista. É um grande prazer te-los conosco. Gostaria de começar perguntando sobre o novo disco da banda - Destructive Device, que possui uma temática bem sombria. De onde veio a inspiração para abordagem tão ‘dark’ para o álbum?

Rodrigo Hidalgo: O prazer é nosso. No MindFlow temos a tendência de sempre, em um novo trabalho, criar uma atmosfera que englobe as músicas, vídeos, site etc. A idéia era criar um mundo de conspiração e espionagem. Tentamos refletir isso em tudo para transmitir esse suspense. Buscamos algo que fosse contemporâneo mas vestido em uma nevoa de misterio.

Como vem sendo a resposta dos fãs?

Rodrigo: Tem sido incrível! Principalmente ao vivo que é onde o MindFlow pode mostrar todo o peso. O público reage muito bem e nos devolve uma energia enorme! Com relação às criticas ao disco não poderiam ser melhores. Estamos muito satisfeitos!

Vocês firmaram uma parceria com o renomado produtor Ben Grosse. Como se deu esse encontro entre vocês? Havia outros nomes a serem cogitados para a produção do disco?

Rodrigo: Sempre admiramos o trabalho do Ben em bandas como Disturbed, Sevendust. Sabíamos que algo muito interessante sairia da mistura dele com o MindFlow. Quando fizemos um show em Los Angeles, mandamos um convite pra ele. Depois da apresentação saímos para jantar e começamos a conversar.

Qual a importância de Ben para o resultado qualitativo do disco? Suas influências forem levadas até que ponto, para que a banda atingisse o nível sonoro apresentado no disco?

Rodrigo: O Ben foi muito importante em todo o processo. Procuramos por ele para produzir o disco porque sabíamos aonde ele levaria a sonoridade do MindFlow. Trabalhamos juntos desde a pré-producao até a mix final e sabíamos onde queríamos chegar. O Ben é um excelente produtor, tem uma sensibilidade musical diferenciada e é um engenheiro muito talentoso. A mistura dele com o MindFlow foi muito feliz e o resultado nos deixou muito orgulhosos.

É creditada a participação da Rinat Arinos, assinando co-autoria dos vocais, como foi o envolvimento e parceria dela com a banda?

Rodrigo: A Rinat teve um papel muito importante. Ela trabalhou lado a lado com a gente na criação das melodias vocais. Ela é uma produtora muito talentosa e tem ótimas idéias. A maioria das linhas eram criadas de manhã, e já gravadas a tarde.

O som praticado pelo Mindflow é o Prog Metal. Há influências de muitas bandas e, até mesmo, gêneros musicais no som da banda, é perceptível. Mas a essência é calcada no progressivo. Gostaria que vocês nos contassem o processo evolutivo que a banda tem passado nos últimos anos. Pegando como ponto partida o primeiro disco - ‘Just the Two of Us...Me and Them’, onde a influência progressiva era muita mais acentuada.

Danilo Herbert: Realmente, no MindFlow incorporamos muitas influências diferentes, baseadas na bagagem musical de cada um de nós, mas acho que isso acontece de maneira bem natural, não temos o compromisso de sermos estritamente progressivos. É legal observar como nossa maneira de compor foi se modificando com o passar do tempo... Quando gravamos o "Just the two of us..." queríamos que as músicas soassem bem dramáticas e ligadas entre si, exatamente como uma trilha sonora, pois o conceito da estória pedia que fosse assim, por isso, classifico nosso primeiro álbum como progressivo.

Na época do "Mind over Body" resolvemos levar essa liberdade que o progressivo nos dá ao extremo, tentamos colocar todas as nossas influências juntas, misturamos ritmos, saturamos os contrastes, e aumentamos a atenção a todos os climas das passagens. O resultado disso foram músicas riquíssimas em detalhes e cores, o que fez com que o álbum soasse totalmente experimental. Já no "Destructive Device", que acredito oferecer um progmetal mais moderno, assumimos o desafio de sintetizar nossas composições, que até então eram extensas na sua maioria, em músicas mais diretas e coesas, que funcionassem melhor ao vivo e que convidassem o público a fazer parte do espetáculo e não os deixassem apenas como meros expectadores na platéia, vendo tudo aquilo acontecer tão rápido e sem poder interagir com a banda.

Também nos preocupamos muito com a plástica sonora dos instrumentos e da voz, isso deu ao "Destructive Device" uma qualidade de audio muito superior aos antecessores. O que concluo de tudo isso é que todos os três álbuns expõem facetas diferentes do MindFlow, oferecendo ao ouvinte diferentes abordagens, com isso também sinto que estamos cada vez mais perto do que eu chamaria de estilo próprio.

O trabalho gráfico apresentado nos discos da banda é surpreendente: muito acima da média. Tudo é muito bem elaborado, com aspecto visual de muita qualidade e muito chamativo (em formatos Slipcase e Digipak). Mas para chegar a um material tão excelente como este, há um custeio e, diga-se de passagem, não parece ser dos menores. Gostaria que vocês comentassem como é elaborado esse material. E, qual a importância em estar ofertando um trabalho tão requintado?

Danilo: Umas das grandes vantagens em ser uma banda independente, é o fato de você poder se produzir e de estar a par de todos os aspectos relacionados à sua arte. Assumimos e acompanhamos todas as fases do processo de criação dos nossos álbuns, desde a concepção até a confecção da embalagem. Dessa forma, descobrimos que o valor de custo para a produção de um disco é bem diferente do preço final que pagamos nas lojas. Sabendo disso, podemos pesquisar quais as maneiras mais viáveis de se produzir e vender um disco com a melhor qualidade possível e a um preço justo, e isso é uma das coisas das quais não abrimos mão.

A proposta principal do MindFlow é oferecer aos fãs sempre o melhor que está ao nosso alcance, por isso, nos dedicamos inteiramente para que a pessoa que adquira nosso disco tenha sempre em mãos, algo a mais do que apenas uma mídia que transporta a música, e não apenas isso, fazemos com que todas as mídias que usamos: cd e encartes, posters, cartões, sites, vídeos, camisetas e outros, interajam entre si, criando uma atmosfera envolvente em torno do conceito que se quer transmitir e assim fortalecendo o trabalho da banda.

O Mindflow têm três álbuns lançados na carreira, e sempre aposta alto em um trabalho, que vai de encontro à tendência do mercado. Hoje, gravadoras/selos estão minimizando e otimizando todos os custos e processos, por conta de inúmeros motivos, mas tendo como principal razão a pirataria. Vocês acham que, além da qualidade sonora, um trabalho especial de embalagem, um aspecto visual de luxo é determinante para o fã comprar o disco? Que esse seja o diferencial que os fãs anseiam, o ‘quê’ que esteja faltando, visto que Cd/Dvd passou a ser artigo quase de ‘luxo’, levando em consideração o preço abusivo praticado por parte de algumas gravadoras/selos?

Ricardo Winandy: Para todos os CDs que lançamos, pensamos na embalagem como um complemento do som. Uma foto, imagem, desenho, a letra em si, e tudo o que envolve o CD, nos ajuda a passar o que estávamos pensando ao compor e a nossa visão sobre cada música.

No Mind over Body por exemplo, tiramos uma foto para cada música, cada uma com a nossa interpretação, além de um encarte de 24 páginas em quadrinhos para uma delas. Já o último CD, Destructive Device, colocamos bastante pistas e dicas para o nosso jogo além de um pôster. Ambos são em um formato bem diferenciado. Quanto ao nosso primeiro CD, por ser conceitual, utilizamos do encarte para nos ajudar a passar a história do disco.

Vocês lançam mão de uma outra estratégia de divulgação bem bacana, que é disponibilizar um cadastro no site da banda, onde o fã ganha um adesivo, cards de divulgação e uma carta (sobre o jogo Follow Your Instinct 2.0 - J.A.C.K.), convidando o ouvinte a fazer parte do “Mundo - Mindflow”. Qual a importância de sempre estreitar a relação entre ‘artista - público’?

Ricardo: A internet abriu a possibilidade do artista conhecer mais seu público, assim como do público conhecer mais o artista. Damos uma importância enorme para essa interação, principalmente por gostarmos muito. Como valorizamos muito as pessoas que gostam do nosso trabalho, sempre que podemos procuramos presenteá-los, como é o caso dos adesivos, que qualquer um pode pedir pelo link www.mindflow.com.br/free.

Fazendo um comparativo entre os três álbuns lançados pela banda (‘Just the Two of Us... Me and Them’; ‘Mind Over Body’; ‘Destructive Device’), é bem nítido um maior peso nas linhas de guitarra no novo álbum. Essa “ênfase” foi proposital? Já havia pretensão de acentuar o peso nas linhas de guitarra?

Rodrigo: Isso foi natural devido ao direcionamento das músicas do Destructive Device. Quando começamos a compor as musicas, buscamos uma sonoridade que fosse empolgante ao vivo. Algo que soasse forte e impactante. Ficamos muito felizes com o resultado!

Ainda falando sobre guitarra, eu gostaria que Rodrigo Hidalgo comentasse sobre o timbre que alcançou no - ‘Desctructive Device’, e qual equipamento você usou?

Rodrigo: Gostei muito do timbre de guitarra que chegamos no álbum. Tudo foi construído com camadas. Gravei varias vezes as bases e riffs com equipamentos diferentes, microfones etc. Usei um Triple Rectifier Mesa Boogie, Triaxis, Sansamp, Buddha. Dependendo da música combinava essas camadas de forma que nos parecia mais adequada.

Danilo sua voz tem um timbre muito peculiar, com grande alcance e entonações diferentes, quais os estudos que você já teve? Como faz para cuidar da voz? Quais os nomes o influenciaram?
Sua performance teatral e interpretativa das canções, é algo em destaque, trazendo uma maior emoção a execução das músicas, você poderia nos falar, o quão importante é essa postura no palco?


Danilo: Muito obrigado pelas palavras! Comecei a cantar aos 15 anos, mas só encarei a prática de forma séria aos 20, iniciei meus estudos nessa época. A partir daí comecei a sentir a evolução que a técnica vocal me proporcinou em termos de qualidade e versatilidade, desde então nunca mais parei de estudar, sou fascinado pelo assunto! Existem vários métodos para se cuidar da voz, mas a melhor dica sem dúvida alguma, é sempre estar muito bem descansado e relaxado... quanto mais melhor.

São muitos os cantores que me influenciaram e ainda influenciam. Acho que não haveria muita surpresa nessa parte, pois, são os mesmos que influenciam a todos, sendo assim, vale a pena citar (os que acho que são) os nomes mais incomuns dessa lista de influências, como: Mike Patton, Seal, Michael Kiske, Ed Kowalczyk, Michael Stipe.

As músicas do MindFlow em sua maioria são dramáticas, com temáticas densas e obscuras, e ainda assim repletas de energia. Acredito que toda essa carga no palco, requer uma interpretação mais teatral, dessa forma, tento vivenciar esses sentimentos quando canto para que as pessoas consigam sentir a "verdade" que nossa música quer passar e se conectem com a banda. A partir daí a troca de energia acontece e torna tudo muito mais fácil.

Continua...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mr. Big: What If Tour (São Paulo - Brasil)


No final dos anos 1980 o quarteto americano Mr. Big dava seus primeiros passos, na época, no solo fértil do hard rock, com o lançamento homônimo à banda. Mesmo sendo um solo fértil ao estilo, muitos grupos ficaram pelo caminho por não ter a base essencial para fincar bandeira no show business – talento. E inversamente proporcional a isso, Mr. Big tinha (tem) de sobra, lançando discos aclamados tanto por crítica e fãs. Mas, infelizmente, não foi o suficiente para manter a formação da banda e solucionar alguns problemas internos. As boas notícias começaram a surgir em 2009 com a reunião da formação clássica e a volta aos palcos. O que era bom ficou ótimo com o lançamento do novo álbum, What If. E para ficar excelente só faltava uma turnê pelo Brasil. Então, não falta mais. O Mr. Big veio suprir a ausência, que durou quase duas décadas, dos palcos brasileiros com duas datas no país – São Paulo 09/07 e Porto Alegre 10/07. Em São Paulo, o norueguês, Jorn Lande, foi o encarregado de abrir a noite com seu hard/heavy.

Só mesmo um bom show de rock para despachar para bem longe o frio que fez na cidade de São Paulo, mas essa tarefa só foi feita pelo Mr. Big, visto que a apresentação de Jorn pecou por um repertório fraco e pouco motivador. O norueguês é um exímio vocalista. Na verdade, um dos melhores na atualidade. Mas, infelizmente, o cantor perdeu a mão e apresentou um show morno.

Já com o HSBC Arena em quase sua lotação máxima, o Mr. Big sobe ao palco, às 23,00, com a vibrante “Daddy, Brother, Lover, Little Boy” e a melodiosa “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”. Em uma rápida saudação o vocalista, Eric Martin, diz: “Como prometemos, nós voltamos”. A banda se apresentou no Brasil, na cidade de Santos/SP, em meados dos anos 1990. “Undertow” é a primeira a representar o poder do novo disco. A experiência de estar há décadas no meio musical é sempre benéfica ao bom músico e à boa banda, o que se aplica em número e grau ao Mr. Big. A banda soube estruturar um repertório que prestigiasse tanto as canções clássicas como “Alive and Kickin”; “Road to Ruin”; “Just Take My Heart”; “To Be With You” e “Colorado Bulldog”, quanto canções do novo álbum, por exemplo, “American Beauty”; “Still Ain’t Enough For Me” e “Once Upon a Time”.

Sei que ainda é cedo para dizer. Muitos shows e festivais virão. Mas a apresentação do Mr. Big, em São Paulo, é forte candidata a ser o melhor do ano. Como eu disse: o que era bom ficou excelente com a visita de Paul Gilbert (guitarra); Eric Martin (vocal); Billy Sheehan (baixo) e Pat Torpey (bateria), ao Brasil.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Epica: Fundição Progresso - Rio de Janeiro


Depois de quase uma semana de uma das maiores e piores catástrofes naturais no Rio de Janeiro, o público carioca teve bons motivos para sorrir, no último Domingo (11/04/10). O responsável, ou melhor, os responsáveis por esses bons momentos de diversão foram as bandas Tierramystica e Epica.

Às 20h05 foi dado o pontapé para levar para bem longe o gosto amargo da última semana, que, infelizmente, ficará marcada na memória dos cariocas. Sob uma intro de belíssimo gosto entra em cena a banda porto alegrense, Tierramystica. A banda pratica um heavy metal com fortes influências de música latino americana, o que é um grande “ás”, visto que não soa datada, tampouco, uma cópia do que muitos já se cansaram de tocar. Tierramystica, embora seja uma banda nova, é segura de suas composições, o vocalista Gui Antonioli mostra simpatia e boa desenvoltura para conduzir o público, com carisma e boa movimentação de palco.

Os destaques negativos vão para a má equalização do som, atacando os ouvidos de maneira alta e estridente. O segundo e último porém da apresentação da banda Tierramystica foi a execução dos covers de Iron Maiden e Avantasia (Fear of the Dark e Sign of the Cross, respectivamente), músicas desnecessárias para apresentação da banda. Como disse o vocalista Gui Antonioli, “temos que valorizar nossa cultura latino americana”, ou seja, era música do Tierramystica que o público queria escutar. Esses porto alegrenses têm todo potencial para estar entre os grandes do metal brasileiro, mas isso só o tempo dirá.

Passava das 21h00 quando um dos maiores - se não maior - representante do symphonic metal adentrava o palco. Com o som melhor equalizado que a banda de abertura, o Epica começa com a intro “Samadhi” seguida imediatamente pela forte e energética “Resign to Surrender”, músicas que compõem o mais novo disco de estúdio da banda, “Design Your Universe”. Sem tempo a perder emendam a já clássica “Sensorium”, cantada em uníssono pelo animado público carioca, que em momento algum se deixou intimidar pelo poderio sonoro dos holandeses.


“Há um tempinho que nós não viemos ao Rio de Janeiro, desde 2005, na turnê com os amigos do Kamelot”, diz Simone Simons. Feitas as honras da casa pela simpática vocalista, a empolgação volta com a ótima “Unleashed”, e mesmo com a significativa melhora na qualidade de som o bendito ainda teimava soar ora estridente e um tanto embolado. Mas sem ligar para os tropeços dos operadores da mesa de som, a banda executa, sem direito a respiro, “Martyr Of The Free Word”, mais uma representante do novo disco, que obteve reposta imediata do público. Vale ressaltar que o Epica tem se elevado a cada novo álbum de estúdio, conseguindo se reinventar dentro do próprio estilo.

Agora é a vez do simpático guitarrista/vocalista Mark Jansen saudar a platéia, pontuando, “até que não está muito quente hoje. Bem, a próxima música é muito requisitada, mas eu não vou dizer qual será, vocês vão ter que descobrir sozinhos.” O petardo é do álbum “Divine Conspiracy”, “Fools of Damnation”. A canção seguinte foi a hora do breve descanso da bela Simone. A trilha “The Imperial March”, do clássico vilão Darth Vader, ganhou novos contornos e acentuado peso na interpretação da banda, som que ainda se faz presente no interessante álbum “The Classical Conspiracy”. “Mother of Light” veio na seqüência com uma recepção fria do público, talvez tenha sido a única bola fora no ‘setlist’, mas nada que depreciasse a grande apresentação.

A excitação foi geral quando os primeiros acordes da tão aguardada “Cry for the Moon” ecoaram pela Fundição Progresso. Com delicadeza de seus movimentos e a mestria de sua voz, Simone toma o público pelas mãos e os convida a um passeio meio às melodias e arranjos magníficos, que mais parecem músicas dos anjos. “Tides of Time” traz consigo, mais uma vez, o destaque para a ‘frontwoman’, interpretando a música com doses extras de emoção e carisma.

“Vocês querem mais? Vocês querem mais? Sim ou não?” Pergunta Mark Jansen. Com a resposta mais que positiva, Mark surpreende em mostrar que aprendeu rapidíssimo alguns palavrões, e anuncia a pesada “The Obsessive Devotion”. A boa resposta a esse som é praxe, o grande “quê” na execução da canção diz respeito ao entrosamento dos guitarristas. Incrível como Isaac Delahaye adaptou-se rapidamente à banda.


“Kingdom Of Heaven (A New Age Dawns, Part V)” em seus quase 15 minutos de duração, consegue representar todos os elementos que compõem a crescente e sólida carreira desses holandeses: peso, melodia, orquestrações pomposas, grandes arranjos e um bom gosto ímpar na arte de compor. Ao final da música a banda se despede do público, com aquele “tchauzinho” pra lá de mentiroso, que só serve para dar charme ao show.

Na volta ao palco, o tecladista Coen Janssen deixa o público escolher entre ir para casa ou escutar mais som e com a segunda opção mais que ovacionada o Epica executa “Sancta Terra” e “Quietus”, deixando platéia em êxtase absoluto.

O grande trunfo era guardado para cartada final, “Consign to Oblivion (A New Age Dawns, Part III)” é o peso em sua mais pura essência, sabiamente inserido na identidade musical da banda. “Consign to Oblivion” conseguiu dar a tônica da toda apresentação, representando todas as facetas dessa referência no estilo symphonic metal.

Usando o clichê jargão: “tudo que é bom dura pouco”, às 23h15 chega o fim da apresentação em solo fluminense. O único porém dessa última visita do Epica aLinko Rio de Janeiro, foi a teimosia do som, que vez ou outra insistia embolar um bocado. No mais, tudo foi impecável: público afiadíssimo, boa banda de abertura e o Epica em sua melhor forma, divulgando seu melhor disco. Só poderia dar no que deu, fãs e bandas satisfeitos por cada um fazer bem sua parte.

Ah! Um grande obrigado às bandas, por ajudar o Rio de Janeiro a superar a última semana de tragédias.

Nota: Fiz essa matéria para o site Território da Música: http://www.territoriodamusica.com/shows/?c=894

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Grave Digger: Rio de Janeiro


A banda alemã, Grave Digger, virá ao Brasil para três apresentações - 22/07 Rio de Janeiro; 23/07 São Paulo e 24/07 Curitiba. A banda está divulgando o álbum, The Clans Will Rise. Os ingressos estão à venda no site www.ticketbrasil.com.br
Para maiores informações quanto ao show do Rio de Janeiro: 2493-0005

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mr. Big: Latin America Tour (São Paulo)


Como em qualquer área profissional, o mundo da música tem aquelas mentes ou bandas que se sobressaem por tornar o comum e básico em algo extraordinário. O mais afoito não perderia tempo em pedir um exemplo. E, sem uma gota de dúvida, dentre os possíveis exemplos está o Mr. Big. Seria hilário se não fosse trágico. Mas mesmo sendo esse grande exemplo de brilhantismo e gozar de grande prestígio no mercado nacional, a banda só deu o ar da graça pelas bandas daqui, no distante ano de 1994, para se apresentar no festival M2000 Summer Concerts, na cidade de Santos, São Paulo. Ou seja, já tinha mais que passado da hora para um retorno ao Brasil. E com duas datas reservadas para o país – São Paulo 09/07 e Porto Alegre 10/07 – o Mr. Big veio, no último final de semana, saldar a dívida de quase duas décadas. Na apresentação de São Paulo ainda teria como convidado especial o norueguês, Jorn Lande.

Só mesmo artistas do quilate de Mr. Big e Jorn Lande para lotar o HSBC Arena em mais uma noite congelante na capital paulista. Numa pontualidade digna a ser comparada à inglesa. Pontualidade que se seguiu por toda noite. Jorn Lande começa, às 21:00, sua apresentação que pode ser dividida ou colocada de duas formas bem distintas. A primeira que o vocalista norueguês é uma das melhores vozes do hard/metal, nos dias atuais, e por conta disso é sempre um privilegio ouvir cada verso cantado pelo vocalista. E a segunda, e a não muito agradável, é que a carreira solo do músico carece de hits ou se preferirem de canções com maior apelo comercial, o que foi decisivo para o show ficar com dinâmica morna, tendo o maior destaque no cover do saudoso Dio, Rainbow in the Dark. Em uma comparação futebolística, o show do vocalista está como a seleção brasileira na Copa América: um time até bacana, mas que não sai nunca do empate.

Sem muita demora na troca de palco, Mr. Big começa sua apresentação com a energética, “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”, que num piscar de olhos cede lugar à carismática, “Green-Tinted Sixties Mind”. E por falar em carisma todos os músicos ganham nota cem nesse quesito, o que só fez aumentar a intimidade entre banda e público, com ambos se sentindo à vontade, e lógico, refletindo de maneira muito espontânea por toda dinâmica do show. “Undertow” é a primeira representante do novo álbum – o ótimo, What If . Canção que traz em seu DNA todos os elementos que ajudaram construir a identidade da banda como as melodias marcantes; refrão grudento como chiclete derretido e técnica na medida. Do novo disco também vieram as rápidas “American Beauty” e “Still Ain’t Enough For Me” e a trinca da pesada com “Once Upon a Time”, “As Far As I Can See” e Around the World. Vale comentar que o novo álbum talvez seja um dos mais completos registros da banda, porque estão lá, de forma intacta, os elementos já citados que ajudaram compor a identidade do conjunto. E o mais importante. Não soando datado ou numa tentativa desesperadora de reviver o sucesso passado. E o bem vindo flerte com metal, o que só favoreceu para o bom resultado qualitativo e a diversidade do disco.

O platinado álbum, Lean Into It (1991), foi estrutura base para apresentação dos americanos. E é desse disco que veio os momentos de maior interação com o público como na dançante “Alive and Kickin”; a festeira “Road to Ruin”; a bluesy “A little Too Loose e as açucaradas “Just Take My Heart” e “To Be With You”. “Addicted to That Rush”; “Take a Walk” e “Merciless” rememoram o primeiro disco, Mr. Big (1989), e provam que a banda sempre se destacou pela qualidade suas canções e músicos e nunca pelo visual espalhafatoso do hard/glam. “Take Cover” é única representante do mediano, Hey Man (1996). O também platinado, Bump Ahead (1993), dá o ar da graça com “Colorado Bulldog” e “Price You Gotta Pay”.

Como se não bastasse, a banda fez o rodízio de instrumentos com Paul Gilbert atacando de baterista; Eric Martin de guitarrista; Pat Torpey baixista e Billy Sheehan no vocal, para então executar o cover de Smoke on the Water (Deep Purple). De volta aos seus respectivos instrumentos, a banda ainda tira mais carta da manga, “Shy Boy”. Cover do vocalista/showman, David Lee Roth. O show contou com as apresentações individuais do guitarrista Paul Gilbert e baixista Billy Sheehan, mas é desnecessário enaltecer um ou outro, visto que a propriedade dos músicos em seus instrumentos é bem perto da perfeição. Assim como também é dispensável comentar a qualidade vocal de Eric e a precisão das batidas de Pat.

Para o Mr. Big o resultado foi mais que favorável, marcando gol de placa com público em êxtase e de alma lavada por ter valido a pena esperar quase duas décadas pelo show. Para Jorn Lande o show ficou no empate, com o cantor se destacando pela sua qualidade, mas pecando por um setlist morno!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Entrevista: Floor Jansen (ReVamp)


Se perguntassem a algum fã de rock holandês, até meados dos anos 1990, quais bandas de seu país com mais expressão ou que gozam de certa repercussão no cenário internacional? A reposta seria imediata: Focus e Gathering. Não estou esquecendo nomes como Bambix ou Brainbox, o fato que essas bandas e algumas outras sempre andaram pelas ruas escuras do underground, o que reservou pouca exposição de suas obras. Os nomes que realmente mudaram esse panorama, no final dos anos 1990 e começo dos 2000, foram Within Temptation; Epica e After Forever. Esse último em especial por ser o precursor. Mas como nem tudo são flores no meio musical, a banda After Forever se desfez no ano de 2009, com cada integrante dando rumo a sua carreira da melhor maneira que considerasse. A vocalista, Floor Jansen, por exemplo, deu vida a banda ReVamp, e foi para falar exatamente dessa nova empreitada musical que nós fomos bater um papo com a cantora. Então, com a voz, Floor Jansen...

Olá Floor! Obrigado por falar conosco. Eu começo perguntando sobre seu novo álbum, ReVamp, como tem sido ‘feedback’ até agora?

Floor Jansen: Tem sido muito positivo! Muitas pessoas estão felizes de me verem de volta. O que não significa que elas fossem gostar de minha nova banda. Mas elas curtiram minha volta! Eu recebo elogios que vão desde a arte da capa até minha voz e as músicas do disco. Muito bacana!

Conte-nos um pouquinho sobre o conceito do álbum. Você o considera um grande passo em sua carreira já que tudo está sendo feito de seu jeito?

Floor: No começo eu me senti assustada em ter que tomar à frente do meu novo projeto/banda, mas agora que já passou um pouco o tempo, eu me sinto mais confiante e, lógico, cresci junto com todo trabalho. Em relação ao conceito, eu sabia exatamente o que eu queria e foi ótimo ver tudo se tornar realidade. Tanto nas músicas quanto na capa do disco eu pude trabalhar com grandes talentos e mentes criativas, e, juntos, nós demos ao ReVamp um som e uma identidade.

Quais elementos podemos encontrar em seu novo disco?

Floor: Pesados riffs de guitarra com grandes arranjos de orquestra. Minha voz, às vezes, é operística; às vezes tem uma pegada rock n’ roll e ainda flerta com momentos mais calmos. Eu tentei variar o quanto eu podia na composição do álbum. Há também três vocalistas convidados cantando no disco, Russel Allen (Symphony X); Speed (Soilwork) e George Oosthoek (ex-Orphanage), o que contribui para trazer, ainda mais, versatilidade.

Existem sempre diferentes influências e toques na sua música, e em ReVamp não é diferente, vemos exatamente essas outras facetas, como, por exemplo, uma linha de vocal mais agressiva. Quão importante é para você re-inventar seu estilo e trazer mais “cores” a sua música?

Floor: Eu pessoalmente gosto de músicas com variações para soarem interessantes durante todo o álbum. Além disso, eu curto explorar ao máximo minha capacidade vocal. Em apresentações ao vivo eu já comecei a fazer vocais mais agressivos, o que vai ser um ótimo toque para o segundo álbum.

Você acredita que trazendo mais variedade para sua arte irá abrir outras portas para expressar suas emoções, talvez emoções nunca antes sentidas?

Floor: Com certeza me permite expressar emoções em mais de uma forma. Eu não diria que possa se aproximar de minhas emoções pessoais, que é de outra forma, outra maneira de expressar.

Você lançou cinco discos com sua antiga banda (After Forever) e todos eles eram bem pesados, mas ReVamp é ainda mais, isso foi algo intencional? Essa é a nova faceta da Floor Jansen como compositora e cantora?

Floor: O disco foi escrito do modo de como ReVamp tinha que soar, e em letras grandes: Pesado. Então, sim, foi intencional. Eu sempre fui compositora desde época do After Forever, mas, hoje, me sinto mais confiante do que nunca, e tenho total intenção de continuar fazendo música pesada.

De uns tempos pra cá você tem mudado sua forma de escrever, eu a acho mais direta ao ponto. Estou certo?

Floor: Eu acho que todas as letras vieram mais diretas mesmo. Isso é algo que comecei desde o último álbum do After Forever, e será algo que continuarei fazendo. Contudo, eu não quero perder os inúmeros aspectos de interpretação de uma letra, ou seja, as pessoas que deverão ser capazes de senti-las e interpretá-las de seu jeito.

Quais os planos futuros?

Floor: Excursionar em 2011 e tocar nos festivais de verão aqui na Europa. Além disso, continuaremos com processo de composição do próximo álbum, o qual irá começar muito em breve.

Quando poderemos assistir um show do ReVamp no Brasil?

Floor: Eu estou em contato com alguns empresários, mas ainda não há planos concretos. Com certeza temos a intenção de tocar no Brasil, e espero que possamos passar por ai em 2011! (A turnê estava para acontecer no mês de Junho, mas a cantora teve problemas de saúde e os shows foram cancelados)

Obrigado pela entrevista, esse é o seu espaço, você pode dizer o que quiser...

Floor: Obrigada Brasil! É muito legal ver o apoio e carinho vindo do seu país para esse lugarzinho chamado Holanda. Vocês estavam comigo na época do After Forever. E, agora, estão comigo no ReVamp. Isso é muito especial para mim e eu só posso agradecê-los, por isso. Entretanto, eu espero poder mostrar toda minha gratidão encontrando todos vocês em breve. Vocês estão no meu coração!

Nota: Matéria publicada também no Jornal do Interior Sul Fluminense.