segunda-feira, 30 de abril de 2012

Angra: Alcançando Novos Horizontes

Pensar no gênero heavy metal como um estilo isolado é tentar colocar uma grande metrópole dentro de uma pequenina e pacata cidade do interior, visto que a sombrinha do estilo dá cobertura a diversas facetas e abordagens. Muitos estão firmes até os dias de hoje, trazendo o sorriso ao fã incondicional, mas há aqueles que por um motivo ou outro se desgastou ficando de pé apenas as bandas pioneiras do determinado estilo.   


Quer um exemplo? Heavy Metal Melódico. Há tempos vem respigando nos oportunistas de plantão a gotinhas de água fria, ficando na ativa somente as bandas que de uma maneira ou outra têm sua raiz no estilo e faz valer a atenção do ouvinte, e o exemplo que vem fácil, fácil, à cabeça é a banda brasileira Angra, que apesar dos contratempos se mantém firme ao Heavy Metal Melódico. Foi para saber as quantas andam a carreira da banda que fomos bater um papo com o guitarrista Kiko Loureiro e o vocalista Edu Falaschi. Então, sem nove horas porque quem está com a voz é o Angra... 

 O Angra, mais uma vez, renasce após um período de turbulência, e indo na contra mão dos acontecimentos negativos, eu gostaria de saber quais os pontos positivos que vocês puderam tirar dessas experiências não tão agradáveis?

Kiko Loureiro: Com certeza foi a união entre a banda. A gente aprende muito com os tropeços, e no caso do Angra, a questão da união foi um dos fatores que mais se destacou.

Edu Falaschi: O respeito também é um dos pontos que podemos destacar, porque é básico em qualquer relacionamento, sem ele não há relação que dure, e isso serve para relacionamento entre familiares, casais ou numa relação de amizade.

Kiko: Exatamente! Até porque o respeito é uma forma de dosarmos e sabermos nossos limites, quando termina o meu limite, começa o da outra pessoa. Sem dúvida, esses são alguns dos pontos positivos que podemos tirar das experiências do passado.   

Dentre as coisas boas que podem ser tiradas desse período negativo, uma delas foi a volta do baterista Ricardo Confessori. Como foi essa reaproximação com ele? Vocês chegaram a cogitar outros nomes para ocupar o posto?

Kiko: A saída do Aquiles e os problemas com nosso antigo empresário são questões independentes uma da outra, só para deixar claro. Mas quanto à saída de Aquiles da banda e fazer a substituição, nós não tínhamos a idéia de tirar um e já colocar um outro no lugar. Na verdade, nós queríamos ver quem era o mais indicado a integrar à banda, testamos algumas outras pessoas para ocupar o lugar.

Edu: O Ricardo não era a única opção, era apenas uma das possibilidades que estava ao nosso alcance, então, não foi o único nome a ser cogitado a ocupar o lugar do Aquiles não.

Kiko: Lógico que o fato de termos trabalhado com Ricardo anteriormente pesou na nossa decisão final. Mas cogitamos, sim, outros nomes para a bateria do Angra.

Depois que os problemas foram sanados, o Angra partiu para uma interessante turnê com o Sepultura, como foi essa experiência de dividir o palco com um dos maiores representantes do metal brasileiro? Esses shows foi uma forma de exorcizar os problemas e recarregar as baterias para compor o novo disco?

Edu: Com certeza! Não tinha como entrar em estúdio para compor um novo álbum depois de tanto tempo parado com o Angra. Mesmo que nesse tempo cada um de nós tivesse envolvido com seus próprios projetos, o Angra estava parado, então, a gente precisa recarregar as energias.

Kiko: E foi uma forma de entrarmos na mesma sintonia e dar boas vindas ao Ricardo. Foram, em certa forma, shows importantes para o Angra, nos ajudou alinhar muita coisa na banda.


Como vocês devem saber, está rolando na gringa a turnê Big Four, com os quatro grandes representantes do thrash metal americano (Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax). Vocês acreditam que poderia rolar algo parecido aqui no Brasil, com as quatro maiores bandas de metal/rock do país, como: Sepultura, Angra, Korzus e Dr. Sin?

Kiko: Eu acho que não! São duas realidades diferentes, são dois mercados diferentes. Não tem como saber se o público brasileiro quer algo parecido com isso, às vezes, o público quer um som mais pesado ou um som que está sendo mais falado e comentado na mídia como o emocore, enfim! Aqui é diferente de lá fora, não acredito, que algo assim possa dar certo no Brasil.

Edu: Nós não temos esse termômetro para saber se algo desse porte possa vingar aqui no Brasil. Até porque as bandas possuem estilos diferentes, e isso acaba não enquadrando ao formato da Big Four, que são bandas do mesmo estilo, lógico que cada uma possui sua identidade. Então, eu também acho que não rolaria algo assim aqui.

Vamos falar um pouco do novo disco que se chama Aqua, que significa Água em latim, e foi inspirado na última obra de William Shakespeare – A Tempestade. Gostaria que vocês comentassem um pouco sobre o conceito do álbum?

Edu: Foi um amigo nosso que nos falou sobre a obra A Tempestade – de William Shakespeare, ele comentou para que déssemos uma conferida no conteúdo da obra, que era a última obra de Shakespeare e era tida como algo negativo, porque a ligavam diretamente à morte do autor.

Kiko: Acabamos gostando da sugestão e trabalhamos em cima do conceito da obra. Foi a primeira vez que trabalhamos em completa harmonia com o conteúdo de um livro, no álbum anterior nós trabalhamos, sim, baseados em um livro, mas era um livro de figuras.
Foi interessante porque todos nós tivemos que ler e estudar “A Tempestade”, e foi um trabalho em conjunto, cada um ficou responsável por escrever material sobre determinada parte do livro. A parte boa, também, nesse processo de composição foi que nos juntamos em um sítio, assim como fizemos no álbum Holy Land, para compor o álbum. Foi duro deixar nossos familiares e pessoas as quais gostamos por esse tempo, mas foi necessário para alcançarmos o resultado que o Aqua tem.

Edu: E trabalhar com essa obra de Shakespeare tinha tudo a ver com o que o Angra tinha passado recentemente. Na obra há traição, lealdade, vingança, amor... Há muito do que o Angra viveu nos últimos tempos, o que acabou se tornando a opção ideal para trabalharmos no novo álbum.

O elemento Água é essencial a quase toda forma de vida, provendo meios que asseguram a sobrevivência, sendo, talvez, o aspecto mais positivo dele. Por outro lado, a Água pode ser incrivelmente impiedosa com as tormentas, sendo esse um dos aspectos negativos. Então, em um contraponto com o elemento Água, o álbum tem as melodias, representando a calmaria e o acentuado peso, mostrando o lado não tão “belo” da coisa?

Kiko: De certa forma, sim! O Angra sempre trouxe essa característica de combinar as melodias e o peso nas canções, é uma forma de compor o que trazemos desde o primeiro álbum, e tem funcionado muito bem.

Edu: Faz sentido o que você falou! Há elementos no disco que representam a calmaria das águas e outros representam o seu lado mais violento. É uma forma de perceber o álbum. 


O disco foi produzido pela própria banda, com co-produção Brendan Duffey e Adriano Daga, chegando ao fim da parceira com o produtor Dennis Ward, que já beirava os 10 anos. Porque vocês acharam que esse era o momento certo de trazer “sangue novo” à produção?

Kiko: Nós já temos experiência suficiente de conduzir a produção de nosso disco, aprendemos muito com o Charlie, que foi o produtor do disco Angels Cry, já no álbum seguinte nós nos colocamos de uma forma mais objetiva, dizendo o que queríamos ou não fazer, com isso fomos ganhando respeito por determinarmos o que íamos fazer. Com Dennis foi uma ótima parceria, tudo era feito na base do diálogo, nós falávamos alguma coisa e ele dava seu posicionamento, e assim corria ao contrário.  Mas, agora, chegou a hora de fazermos por nossa conta, e ainda tivemos a ajuda de Brendan e Adriano, o que só agregou ao trabalho.

Edu: E já estava na hora de pegarmos essa parte do trabalho, temos maturidade para fazê-lo e sabemos onde queremos chegar com ele, então, foi natural esse processo para todos nós.

Vocês mudaram também o direcionamento artístico da banda, optando por trabalhar com o Gustavo Sazes, tanto na arte do álbum e no design do site da banda. Como foi esse encontro de vocês? A arte final que Gustavo apresentou, era a identidade visual que o disco pedia?

Kiko: Nós conhecíamos o trabalho do Gustavo, foi simples a decisão de trabalhar com ele. Passamos para ele, mais ou menos, a forma que queríamos o material, ele captou bem a nossa mensagem, e acabou nos apresentando uma arte que combina perfeitamente com o conceito do álbum. Ficou muito bom o trabalho dele! 

Uma curiosidade, são varias as bandas e projetos que surgem de membros e, até mesmo, ex-membros do Angra (exemplo: Almah, Bittencourt Project, Shaman). Parece que a “Água” – Aqua – que vocês bebem é pra lá de especial, porque todas as bandas e projetos têm qualidade acima da média.

Kiko: Muito obrigado, entendo como elogio! Mas é ruim, ao mesmo tempo, só ter essas bandas, né? Porque parece uma coisa “panela”, mas acaba virando mesmo, não sei por quê. Tem muita coisa do aprendizado que tivemos com o mundo da música, a gente já fez e faz eventos internacionais, o que acaba nos trazendo muito aprendizado.

Se vocês fossem representar em poucas palavras as diferentes fases da banda, sendo a primeira os álbuns Angels Cry, Holy Land e Fireworks; a segunda fase com os discos Rebirth, Temple of Shadows e Aurora Consurgens e a atual fase o álbum Aqua?

Kiko: Eu não sei cara! Eu vejo o período dos discos bem definidos, exemplo: Angels Cry foi um momento de descobrimento e imaturidade, misturada a vontade muito forte de fazer alguma coisa e com muitas idéias. O segundo disco a gente disse: “Nós somos brasileiros, sabemos o que queremos e vamos mostrar o que temos de melhor”, então, nós tínhamos mais bem definido o objetivo. Em Fireworks as coisas não iam bem, o André já mostrava desinteresse pela banda, o que acabou acontecendo sua saída tempos depois, não foi tão legal. Rebirth foi, então, o renascimento mesmo, foi uma vontade minha e do Rafael de mostrar que o Angra não era só o André, ele não fazia tudo sozinho. E mais! Tinha um conceito por trás, tanto que foi Rafael quem teve a idéia de montar a banda.
Assim fica um pouco mais fácil de falar sobre as épocas do Angra, dividir em três fases fica um pouco difícil de resumir em poucas palavras.

Quais os planos para o futuro? O que os fãs podem esperar?

Kiko: Tem os shows que vão começar, vamos fazer Loudpark no Japão em breve. O que os fãs podem esperar, com certeza, são muitos shows.

Agradeço pela entrevista e até a próxima...

Kiko: Obrigado você e obrigado a galera de Volta Redonda, quero dizer que em breve o Angra vai estar aqui tocando para vocês, tem um lance de votação para ver quais bandas vão vir à cidade, então votem para o Angra vir tocar aqui. Valeu!  

sexta-feira, 9 de março de 2012

Hangar: 15 anos de estrada


Há um bom tempo atrás se perguntasse a um fã brasileiro de música pesada quais as bandas formam o time de elite do metal nacional, a resposta era previsível e de certa forma mecânica. Poucas peças mexiam no tabuleiro e sempre passava a sensação que nada valeria atenção se não viesse daquele seleto clube. Pois o tempo passou e é certo que o mercado evoluiu junto. Inúmeras bandas ganharam vida, e principalmente, tomaram corpo para provar que dá para tirar muito caldo da prata da casa. 

Com quinze anos de estrada, seis discos de estúdio, turnês internacionais e com a aprovação dos melhores veículos de imprensa voltados à música, a Hangar é peça fundamental nas engrenagens da cena metálica brasileira, e seu líder, o baterista Aquiles Priester, não só comanda de perto cada passo da banda, como também é um dos instrumentistas responsáveis em trazer holofotes internacionais ao Brasil. 

Então ninguém melhor do que o próprio Aquiles Priester para nos falar a quanto anda sua carreira dentro e fora do Hangar; sua experiência com a banda Dream Theater e a sensação de ser eleito o quinto melhor baterista do mundo, segundo a revista Modern Drummer Readers Poll. Portanto, chega de nove horas porque a palavra é do Aquiles...

O vocalista, André leite, é o quarto vocalista a integrar a banda. Você acredita que essa rotatividade no posto se deva qual (quais) fator (s)?

Aquiles Priester: Com certeza por causa das expectativas das pessoas que entram na banda. Por mais que a gente fale que para manter uma banda de metal no Brasil a gente precisa realmente trabalhar muito duro e ficar muito tempo fora de casa, ninguém acredita, até que a pessoa comece a viver esse cotidiano. No entanto, acho que as composições do Hangar são muito fortes e significam muito para os nossos fãs. Por sorte da banda, os principais compositores não são os vocalistas. Mas com certeza todos têm extrema importância na hora de interpretar as letras e linhas melódicas que eu crio.
E os fãs, como reagem a essas trocas de cantores, visto que cada um tem sua personalidade e particular forma de se comunicar com platéia?

Aquiles: Eu sempre falo que nenhum integrante nunca foi tirado do Hangar, eles que decidem sair. Quando optamos por alguém é por que acreditamos que ele seja a pessoa certa, e muitas vezes o tempo mostra que não é. Os outros 4 integrantes (Mello, Martinez, Laguna e Eu), somos os principais compositores e estamos juntos há mais de 12 anos. Nós temos uma forte ligação de amizade e o comprometimento com a banda. Logo, os fãs precisam entender que nós vamos com um integrante até onde ele quer ir, depois disso, quando ele sai da banda, nós temos a opção de acabar com a banda ou continuar...nós sempre continuamos. 

O posto é, hoje, ocupado por, André Leite, que teve de cara a tarefa nada fácil de registrar sua voz no disco, Acoustic, But Plugged In!, já que o formato exige uma carga emocional ainda maior e pelo fato das canções terem sido registradas por outros vocalistas, sendo apenas a canção "Haunted By Your Ghosts" inédita. Como você avalia o trabalho do cantor e o quê ele pôde agregar às músicas?

Aquiles: O André reinterpretou linhas que já existiam nos nossos discos e por isso é mais fácil do que criar coisas novas. O timbre do André caiu muito bem no formato do disco acústico e ele teve muita facilidade de assimilar as variações que criei no estúdio para formatar melhor o disco acústico. A “Haunted” é um estilo de música que há muito tempo eu queria compor, mas nunca tivemos a chance por que os nossos discos sempre foram muito pesados. A música veio na hora certa e quando mostrei a ideia do refrão (que foi a primeira coisa que foi composta), a galera gostou de cara e aí o Théo Vieira veio e acrescentou os detalhes que precisávamos. É uma grande parceria da banda.

Os álbuns do Hangar sempre foram produzidos por você, Aquiles. Há co-produção de outros profissionais como Theo Vieira e Heros Trench, mas como via de regra o trabalho é sob sua direção. Já considerou deixar as produções futuras sob os cuidados de outros profissionais? Se sim, qual você cogitaria ao posto de produtor?

Aquiles: Ainda não apareceu a oportunidade. E sempre precisamos levar em conta que a produção com um nome expressivo custa muito dinheiro e às vezes o direcionamento não é aquilo que você esperava. Ainda acredito que são os olhos do dono que engordam o gado e por isso nós cuidamos de tudo no Hangar.

Vi que você foi além de produzir Acoustic, But Plugged In!, sendo o responsável pelo conceito da capa do disco – com direção de arte Vanessa Dol. As capas sempre exerceram certo fascínio para o público rock n’ roll, mas em tempos atuais onde o álbum, artigo físico, é quase feito em exclusividade para colecionadores, a responsabilidade de uma boa direção de arte é um fator depondo a favor da obra. Como você enxerga essa questão? E qual seu envolvimento com as artes visuais? 

Aquiles: Quando tenho um conceito, sempre penso que essa capa vai estar exposta no meio de um monte de outras capas com dragões, explosões, estátuas, máquinas mortíferas e todas essas coisas. Por isso sei que precisamos de algo diferente para chamar atenção. Todos os nossos discos (com exceção do Inside your Soul, que é bem METAL), têm um apelo visual muito diferente do que se vê no mundo metal e isso também se estende ao nosso site e tudo que geramos de imagem para o Hangar.

"Haunted By Your Ghosts" é a única canção inédita do novo álbum, então, mais do justo a mesma receber o vídeo clipe. O clipe é simples com foco na canção e banda, sem aquelas traquinagens cinematográficas. Há chance da gravação de um DVD em estúdio, sem platéia, a fim de capturar o mesmo clima do vídeo clipe?

Aquiles: A intenção foi exatamente essa! Mostrar que a canção era mais importante do que a imagem... Nós estamos editando o nosso primeiro DVD Acústico que foi gravado em Ijuí/RS, em dezembro do ano passado.

No ano passado foi relançado do álbum, Inside Your Soul, com faixas bônus – o disco fora originalmente lançado em 2001, via Die Hard Records. Há chance de acontecer o mesmo com primeiro álbum, Last Time? 

Aquiles: Sim, e já estamos finalizando a capa, que agora será a original mesmo, pois relançamos o Last Time como “Last Time Was Just the Beginning” com DVD e agora vamos ter mais músicas extras que o Mike tinha gravado na época das demos do disco “The Reason of your Conviction”.

Em 2010, você deu vida a sua biografia oficial: “Aquiles Polvo Priester - De Fã a Ídolo". Você poderia comentar um pouquinho sobre esse lançamento? E o que você viveu nesse ínterim que valeria um capítulo no livro?

Aquiles: É muito bom receber um feedback que a pessoa se inspirou na minha história de vida, que basicamente é a história de um garoto que queria ser baterista de uma banda de heavy metal e foi atrás e continua indo em busca dos seus sonhos. Sou um cara que conseguiu elevar o nível da bateria do heavy metal dentro e fora do Brasil, tanto em termos musicais como em termos empresariais. Sempre tive o conceito que a música engloba um pacote de coisas que são invisíveis e que não são vistas por quem consome os produtos dos artistas e é isso que cria a magia do encantamento... Tem muitas coisas que já valem outro capítulo no meu livro, mas com certeza essa entrevista ficaria interminável. Acessem o meu site e vejam a minha retrospectiva de 2011 e vejam como um ano pode parecer curto...


O Modern Drummer Festival o convidou no ano passado a ser uma das estrelas do festival. A tradicional revista Modern Drummer Readers Poll o elegeu como o 5° melhor baterista de prog metal do mundo. Qual a sensação de deixar de ser influenciado e passar a ser o influenciador?  E qual sensação de ser o primeiro baterista brasileiro de heavy metal a figurar no festival e no ranking da revista?

Aquiles: Surreal! Sempre quis participar do Modern Drummer Festival e também era um grande sonho entrar no ranking mais cobiçado do mundo pelos bateristas. Fico feliz que tenha sido em 2011, que foi um ano que realmente alcancei grande projeção fora do Brasil. Preciso dividir isso com todos os nossos fãs, que são pessoas que nos apoiam incondicionalmente todos os nossos passos. 
  
Como foi a experiência de participar da seleção para integrar um dos ícones do prog metal, o Dream Theater? A torcida por você era grande, mas deu a sensação que sua audição fora um pouco apressada, com os músicos da banda (Dream Theater) fazendo até pouco caso. Procede ou é picuinha minha com os gringos? 

Aquiles: De forma alguma. Fui extremamente bem tratado e me senti muito bem por estar entre aqueles monstros da bateria mundial. Isso é uma questão delicada, pois em todo mundo as pessoas me parabenizam por ter sido um dos 7 caras escolhidos a dedo no globo terrestre para substituir Mike Portnoy. Hoje mantenho contato com quase todos os bateristas e sou grato por fazer parte desse grupo seleto. Ano passado estive em diversos países fazendo workshops e vários fãs do Dream Theater levaram o CD/CD novo para eu autografar, e me diziam que agora eu fazia parte da família da banda. Isso foi demais, uma sensação incrível. Por outro lado, existem as pessoas que preferem somente criticar. Na verdade, não fui bem mesmo na parte onde eu precisava criar coisas novas em compassos compostos, pois realmente é uma coisa que não faz parte do meu vocabulário, mas tudo bem, isso faz parte da vida. Fui chamado para a audição pelo que eu já tocava com o Hangar, Freakeys, Angra e Vinnie Moore. Por outro lado, recentemente fui convidado pelo guitarrista Tony MacAlpine para fazer uma tour mundial e vou tocar músicas que foram gravadas pelos bateristas Virgil Donati, Marco Minnemann, Deen Castronovo, Atma Anur, Steve Smith e Mike Terrana. E fui indicado para o Tony por um membro do Dream Theater... Nada mal, não é? Se o Tony já tocou e gravou com todos esses caras, me sinto muito orgulhoso em representar o Brasil com o cara que fez história na guitarra mundial e que me influenciou com sua música. Sempre fui um grande fã dele. Todos no mundo sabem que existe o cara certo para um trabalho e com certeza eu não era o cara certo para tocar com o Dream Theater. Segundo eles, o Mike Mangini era e ele está fazendo um excelente trabalho e tem todo o seu mérito. No entanto, a vida musical de todos os outros bateristas vai muito bem, obrigado, ou seja, ninguém se matou e nem parou de tocar por não ter sido escolhido para tocar com a banda. A vida continua de uma forma ou de outra. O que posso dizer sobre a minha carreira, é que muita coisa boa aconteceu na minha carreira após a audição e tenho certeza que muitas outras coisas boas virão. Sou muito grato a isso.

É um assunto delicado e eu não quero ressuscitar defunto. Mas você mantém algum tipo de contato com os caras do Angra?

Aquiles: Nenhum contato. Quando deixamos de tocar juntos nunca mais falamos sobre nenhum assunto. Nesse meio tempo algumas vezes encontrei o Felipe e o Edu quando o Almah e o Hangar estavam tocando juntos.  

O ano está só no começo, o que podemos esperar do Hangar e Aquiles Priester?

Aquiles: Nosso DVD acústico está ficando sensacional e tenho certeza que será um produto de altíssima qualidade. Fora isso, o Hangar participará do Metal Open Air e ficamos muito felizes e orgulhosos por fazer parte do cast. Como baterista, tenho muitas coisas agendadas em termos de festivais e clínicas de bateria, mas ainda não posso divulgar, pois são datas para o segundo semestre.

Sei que você é colecionador de artigos do Iron Maiden e Coca Cola. Qual o item que você considera mais raro de ambas as coleções? 

Aquiles: Tenho um pedaço de uma baqueta do Nicko McBrain, que peguei no show da tour do disco “Fear of the Dark”, em Porto Alegre/1992. Na minha biografia eu comento tudo que aconteceu na minha vida naquele dia e realmente foi um dia muito especial. Da coca-cola, eu tenho uma garrafa que comprei em Taiwan, que reproduzia as primeiras garrafas e paguei uns 200 dólares por essa relíquia. 

Muito obrigado pela entrevista, até a próxima! 

Aquiles: Eu que agradeço. Nosso show em Volta Redonda me provou uma coisa muito importante. Vi que temos muitos fãs no Rio de Janeiro e a partir de agora, vamos ter que voltar com mais frequência para o Rio.

Nota 1: No dia 17 de Março – Teatro Gacemss, em Volta Redonda – Workshop do vocalista André Matos (Ex-Angra, Shaman, etc) e Marcelo Barbosa (Almah). Realização SNS Produções.
 Nota 2: Realizei a matéria pelo Jornal do Interior Sul Fluminense.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Within Temptation: The Unforgiving Tour 2012 (Rio de Janeiro - Circo Voador)


Foi época que o gothic metal era a bola da vez, onde não era raro encontrar quase a cada esquina uma banda com uma moça bonitinha se auto-intitulando soprano fazendo contra ponto a um vocal masculino. Mas o mercado evolui, assim como suas exigências, e por conta disso àquele que mais parecia um vôo pleno encontrou sérias turbulências pelo caminho, ficando de pé somente os poucos nomes que começaram tal movimento. E mesmo tendo sobrevivido à tormenta, muitos desses nomes sentiram a necessidade de uma remodelagem em sua música, como é o caso da banda holandesa, Within Temptation, que com acentos pop trouxe novo fôlego a sua carreira, garantindo sua sobrevivência no mercado.

E foi com trejeitos pop que a banda sacou da cartola o álbum, The Unforgiving. E não pense você, leitor, que cito a palavra como um adjetivo depreciativo ou algo perto do descartável. Longe disso! Dosando bem o peso, a melodia e umas boas salpicadas de pop, a banda escalou um repertório bacana. E foi promovendo esse álbum que a banda aterrissou pela primeira vez em terras cariocas, no último Domingo, dia 12.
  
Confesso que cheguei a subestimar o apelo do nome Within Temptation, e imaginei um público bem inferior ao que compareceu ao Circo Voador. E fico feliz em dizer que minha previsão estava equivocada. Um público razoável conseguiu driblar o calor, chuva e o caos na Lapa, a fim de prestigiar o evento. O curta metragem “Mother Maiden” é apenas o aquecimento dos motores e ficou interessante apenas para quem tem domínio do inglês. “Shot in the Dark” é a mestre de cerimônias com todo seu quê popular de melodias simples e refrão de fácil assimilação. “In the Middle of the Night” faz a temperatura subir ainda mais, e se alguém tinha alguma dúvida que a noite seria de diversão, a incerteza se dissipou no ar como fumaça aos primeiros acordes de “Faster”. 


Within Temptation é uma banda que sabe jogar bem com as cartas que tem na mão, visto que a banda não conta com nenhum músico extraordinário onde a responsabilidade do sucesso ou fracasso do show possa recair. Mesmo a vocalista Sharon den Ardel com toda sua beleza e simpatia não chama para si tal responsabilidade. Ou seja, Within Temptation é uma banda que consegue se abstrair das vaidades onde o único foco é a música. E, acredite, todo mundo, público e banda, sai ganhando com isso.

“Fire and Ice” é o primeiro momento de calmaria. Mas como dizem: a calmaria precede a tormenta. “Ice Queen” é de longe o momento mais intenso do show, com público cantando cada verso e melodia. Não sei se os fãs mais afoitos se atentaram, mas a canção sofreu uma notória mudança de tom em relação ao registro em disco, visto que alcançar as notas originais não é uma tarefa das mais fáceis.

Não faltaram sons antigos fazendo contraponto com o novo álbum, por exemplo, “Stand My Ground” e a novata “Sinéad” ou mesmo a pesada “Iron” fazendo parceria com “Angels”. O álbum The Heart of Everything acha seu espaço no repertório da banda com “What Have You Done” e “Our Solemn Hour”, mas pouco acrescentou ao saldo da noite.  “Deceiver of Fools” e “Mother Earth” rememoram mais uma vez o álbum homônimo a última canção citada e prova que ainda é o disco mais querido entre os fãs.

Uma rápida pausa para esfriar as idéias, algo mais que merecido visto o calor sufocante que fazia na casa. Na volta ao palco, “Hand of Sorrow” é energética e retoma fácil, fácil, o pique do show. O grand finale fica por conta “Stairway to the Skies” que pouco conta a favor da banda, sendo uma canção facilmente substituível no set list dos holandeses. 


Como comentei anteriormente, depois de ter sobrevivido à entressafra do estilo que pratica e ter passado pelo espinhoso processo de adequação de seu som, alterando-o a uma declarada influência pop, e ainda permanecer com uma boa base de fãs, com certeza é algo digno de muito respeito. E por parte do público carioca esse respeito só aumentou na noite do dia 12/02, que nem mesmo as erratas do som durante o show fez depreciar a boa performance dos holandeses. Ao público resta esperar a volta da banda à cidade, que nas palavras da própria Sharon não vai demorar nada a acontecer.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Angra: Aqua (Reborn Again)


Fiquei pensando mil formas de começar essa resenha de uma maneira diferente e que trouxesse um pouco a emoção que o mais novo álbum de estúdio da banda paulistana Angra faz vibrar em suas dez canções. Mas a melhor forma e a mais sincera, a propósito, é dizer: Bem vindo de volta à vida! Isso mesmo caro leitor! O Angra está mais vivo do nunca, depois do mediano/fraco Aurora Consurgens, a banda volta tinindo com o novo álbum intitulado de Aqua – Água em latim – e é todo baseado na última obra de Willian Shakespeare – A Tempestade, cujo conceito trata das nuanças da personalidade humana, como: amor, lealdade, vingança, traição, se completando em uma história amarrada pelo desejo de liberdade e reconciliações.

Aqua é o disco que os fãs do Angra têm cobrado e esperado há alguns bons anos, arrisco dizer que estavam até cansados de esperar, mas valeu cada ano dessa – “interminável” – espera, porque o álbum resgata tudo que os fãs desejam ouvir, estão lá boas doses de melodia, peso na medida certa e, lógico, todos aqueles elementos tipicamente brasileiros, que fez a banda criar e imprimir sua identidade, indo na contramão de uma enxurrada de bandas, cujo adjetivo mais positivo é insosso. Além disso, o disco foi produzido pela própria banda, o que foi uma das decisões mais bem acertadas pela banda, com co-produção de Brendan Duffey e Adrian o Daga, portanto, Aqua transpira, em cada canção, a maturidade que o Angra vem construindo em seu quase vinte anos de atividades, ou seja, é a banda em uma de suas melhores performances. 


O disco é bem homogêneo em sua qualidade, sendo a tarefa de enumerar destaques algo quase impossível, mas se fosse cometer tal maluquice, canções como: Awake From Darkness, Lease Of Life e The Rage Of Waters, convidam o ouvinte a um passeio entre a sutileza de belas melodias, solos de guitarras inspirados e ritmos brasileiros. A Monsters In Her Eyes e Ashes apostam em arranjos mais intimistas e Hollow sendo a escolha perfeita para incomodar o vizinho com o volume máximo, visto seu poderia sonoro.

Mas o bom mesmo é dizer, ou no caso escrever, que o Angra está mais vivo do que nunca e muito bem, obrigado! 

Nota: Realizei essa matéria para o Jornal do Interior Sul Fluminense.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

MaestricK: Brazilian Pride



Enfatizar a importância do Brasil no circuito mundial da música é algo batido e nada novo, assim como jurar de pé junto que o país é um celeiro para grandes músicos e bandas. Felizmente é uma verdade vista e, principalmente, sentida pelos entusiastas à primeira arte. Mas vez ou outra surgem àquelas bandas com o fardo de elevar o mercado ao próximo nível visto a competência ímpar na criação de canções que, sem sombra de dúvida, têm todos os atributos a passar ao implacável teste do tempo. E é com essa responsabilidade que a banda paulistana, Maestrick, está lançando seu debute “Unpuzzle”.
O conceito de banda e álbum não é nada modesto e tampouco usual, onde os músicos usam e abusam sem parcimônia as mais variadas facetas artísticas como teatro, fotografia, dança e literatura, de modo que tudo possa se alinhar com a chave mestra, a música, e assim criar a identidade MaestricK.
E para saber mais sobre essa banda, que já desponta dentre as promessas nacionais, e sobre o álbum, “Unpuzzle”, que nós fomos bater um papo com o capitão dessa audaciosa empreitada, o simpático Fábio Caldeira. Então não se espante se vir por ai um navio com velas içadas conquistando os setes mares, porque esse navio é o MaestricK e é de bandeira brasileira.

Olá, amigos, é um prazer bater esse papo com vocês. Gostaria de começar perguntando qual é o conceito que alicerça o nome da banda, MaestricK?

Olá Marcelo, o prazer é todo nosso! Bom, vamos lá. Desde quando começamos a buscar o nome, queríamos algo que representasse a nossa proposta musical, e naturalmente, ela é conseqüência de quem somos e do que buscamos como pessoas. A palavra MaestricK então surgiu a partir da mistura da palavra “Maestro”, que remete a erudição, seriedade, disciplina, e o conceito da palavra “Trick”, que significa truque, trapaça, travessura e porque não bom humor. Imediatamente, percebemos que esse era o nome e estamos muito gratos por termos encontrado.

A banda é audaciosa em sua forma de construir sua música, onde diferentes facetas culturais são envolvidas, por exemplo, literatura, fotografia, dança, teatro, etc. Como trabalhar numa repleta palheta de referências sem perder o foco?

Eu acredito que estabelecendo uma linha mestra, um elemento comum entre tudo isso, no caso a música, porque não podemos nos esquecer que somos uma banda. A partir disso fica mais fácil organizar as idéias. Mas isso acontece simplesmente por uma questão de localização. Para nós tudo deve fluir da nossa maneira claro, naturalmente e sem forçar em nenhum sentido.  

Qual é o envolvimento que vocês têm com outras facetas de artes e até que ponto essa influência é essencial à identidade e música que a MaestricK produz?

Da minha parte, posso dizer que eu sou um entusiasta quando o assunto é arte. Veja bem, não sou um profundo conhecedor, mas sim um admirador. Adoro ir a exposições, amo cinema, circo, “ballet”, literatura e, claro, música! Cada um aqui tem suas predileções e estilos favoritos, mas o que importa é que isso sempre contribui demais pro trabalho do MaestricK.

No release da banda vocês declaram que o MaestricK aposta numa “Aquarela Sonora”. Vocês poderiam desenvolver um pouco mais esse raciocínio?

Claro! A questão da “Aquarela Sonora” é simplesmente uma forma de associar uma manifestação artística a outra. Contextualizar e dizer que para nós e nosso trabalho, tudo pode andar junto. Um exemplo seria partir de uma idéia musical. Pra gente é interessante nos perguntar: “Que imagem ela passa? Que cor ela tem? Se ela fosse um quadro como seria?”. E isso funciona de forma inversa também. “Que trilha sonora uma imagem ou história teria?”, e por aí vai!

Creio que é responsabilidade de todo artista – por mais simplista que seja sua arte ou sua forma de passar a mensagem – e é também de sua atribuição à construção de um bom conteúdo lírico e com idéias no mínimo bem amarradas ao conceito. No caso do MaestricK onde há uma complexidade no conceito da banda e música essa responsabilidade aumenta?  

Essa complexidade que você atribui ao nosso trabalho, eu penso que é simplesmente zelo por parte de todos nós. Desde o começo, nós nos preocupamos com os mínimos detalhes justamente por isso que você citou. Somos e nos sentimos responsáveis por passar da melhor forma possível as idéias e o que elas representam pra gente. Mas é só isso. Não temos compromisso com nada além. Se amanhã decidirmos seguir uma linha mais minimalista, vamos trabalhar pra fazer o melhor possível e aí o “peso” da responsabilidade será o mesmo.

Vocês lançaram há alguns meses o EP intitulado H.U.C., como foi o feedback desse trabalho?

Foi simplesmente espetacular e totalmente acima de qualquer expectativa graças à Deus! Muitas pessoas maravilhosas de diversos estados, até países vieram até nós de forma positiva e conseguimos dar um gostinho do que é o “Unpuzzle!” para elas. Isso foi coroado com o prêmio de melhor banda do estado de São Paulo no site Whiplash, que é o maior no segmento Rock/Metal do Brasil, e por votação popular. Foi uma grande surpresa e uma afirmação pra nós de que devemos continuar dando o nosso melhor da forma que estamos fazendo.

Como foi o processo de gravação de Unpuzzle tanto aqui no Brasil (AR-15 Studios) quanto nos Estados Unidos (AK-47 Studios)?

Foi uma escola, Marcelo. Em todos os sentidos! Nós nos sentimos lisonjeados e agradecidos por termos conhecido e trabalhado com os geniais Gustavo Carmo, produtor, e o Rodrigo Carmo, que comandou boa parte das gravações aqui no Brasil, além é claro de abrilhantar o disco com o seu “vozerão”. Vale dizer que os dois estão com uma banda nova chamada “House of Bones” e estão chegando com tudo!

Diante de tanto bafafá e músicos da cena metal chorando as pitangas pelos cantos. Como vocês avaliam e lidam com a cena metal hoje no Brasil?

Eu posso dar minha perspectiva de duas formas e de maneira objetiva. A primeira é como músico de uma banda que está acabando de lançar seu primeiro disco, e por conta disso, não posso falar muito além de que estou disposto a dar o meu melhor com meus amigos e procurar fazer sempre as coisas da forma que a gente acredita. A segunda é como fã, e posso dizer que só compro e vou aos shows das bandas que gosto e me identifico de alguma forma, sejam nacionais ou não.

O que podemos esperar do MaestricK nos próximos meses?

Pé no chão e muito trabalho na divulgação do “Unpuzzle!”! Estamos compondo nosso show e esperamos apresentá-lo o quanto antes. Esse é mais um filho que está pra nascer com o disco.

Obrigado pela entrevista. Esse espaço é reservados para vocês fazerem quaisquer adendos e ou consideração...

A você Marcelo, nosso muito obrigado pela atenção e pela gentileza de nos ceder esse espaço! Espero que você e todos que escutarem nosso trabalho sintam tudo de bom que foi depositado nele e que vocês saibam que podem sempre contar com nosso melhor e com nosso compromisso com a arte acima de tudo. Desejamos muita luz, paz e um ano novo cheio de amor e realizações! Até as próximas!

Nota: Realizei essa matéria para o Jornal do Interior Sul Fluminense: http://digital.jornaldointerior.info/ed137/

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Avantasia: Constelação Européia em São Paulo



O ano de 2010 já está nos 45 do segundo tempo, foram muitos os artistas internacionais que deram o ar da graça pelas bandas de cá, desde o clássico trio canadense Rush à nova geração do metal como Avanged Sevenfold.Mas estava faltando à cereja do bolo, àquela que fecharia com chave de ouro esse que foi um ano especial para todos os ‘rockers’ do país, e, com certeza, não era qualquer banda com gabarito para tal, então, a escolha foi mais que bem acertada com o projeto-banda de opera rock do músico alemão Tobias Sammet Avantasia.

Por se tratar de uma opera rock, o Avantasia possui, em todos os seus cinco álbuns de estúdio, uma estória bem desenvolvida e amarrada e com vários personagens, portanto, para interpretar cada um desses personagens sempre é escolhido supra-sumo do heavy metal europeu como os vocalistas Michael Kiske (ex-Helloween); Kai Hansen (Gamma Ray e ex-Helloween); Jorn Lande (Masterplan) e Bob Catley (Magnum) – o Avantasia conta ainda com Tobias Sammet (vocal); Amanda Somerville (backing vocal); Sascha Paeth (guitarra); Robert Hunecke (baixo); Miro Rodenberg (teclado) e Felix Bohnke (bateria) – para dar vida às grandes canções do projeto-banda, e foi, exatamente, esse time de estrelas que aportou no último dia 13, no Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo, para uma única apresentação e, lógico, fechar o ano com grande classe.

 Twisted Mind foi a responsável por abrir a noite e sem demora cede lugar à também empolgante The Scarecrow, em seguida, o simpático vocalista Tobias Sammet faz as honras da casa saudando e convidando a todos festejarem junto com ele, o que nem precisava porque as canções seguintes Promised Land e Serpents in Paradise já são por essência um belo convite a festa. The Story Ain’t Over é a calmaria antes da tempestade quando a lenda – ou The Voice (A Voz) como disse o próprio Sammet – Michael Kiske roubou todos os holofotes do show ao cantar a brilhante Reach Out For The Light, ovacionado pelo público Kiske se desculpa por nunca ter vindo ao Brasil antes, e ainda acrescenta que com aquela recepção não demorará nadinha para uma volta aos palcos brasileiros. Assim sejam suas palavras. 


Kai Hansen é outra figura lendária do heavy metal e para ele o papel de malvado lhe caiu como uma luva em Death Is Just a Feeling, irrepreensível sua interpretação com direito à cartola e bengala no melhor estilo burlesco, burlesco com boas doses de maldade, diga-se. Lost In Space as atenções são divididas entre Jorn Lande, Bob Catley e Tobias, sendo um dos pontos altos do show. In Quest for; Runaway Train e Dying For An Angel preparam o terreno para Michael Kiske em Stargazers, em seguida, é a vez de a bela Amanda Somerville brilhar com uma grande interpretação na canção Farewell, e para fechar a primeira parte do show nada melhor que a The Wicked Symphony.

Na volta The Toy Master e a pesada Shelter From The Rain deixam claro que cansaço era a última coisa a se pensar tanto para o público quanto para banda, afinal, aquela cumplicidade mostrada por ambas às partes é uma coisa rara nos dias de hoje, isso é fato. Na música homônima à banda o vocalista Tobias Sammet faz a apresentação dos músicos e brinda a platéia com uma irretocável execução. O grand finale é com a mega clássica Sign Of The Cross emendada no refrão da pomposa The Seven Angels.

A bola fora fica por conta da escolha da casa de show, o Centro de Tradições Nordestina não possui uma infraestrutura adequada ao público heavy metal, tampouco uma acústica para receber concertos desse porte. Esse é apenas um detalhe que será, com certeza, reparado na próxima vez, porque eles voltarão. Ah se voltarão!

Nota: Fiz essa matéria pem 2010 pra veículo Jornal do Interio Sul Fluminense. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Anvil: The Story of Anvil


Caro leitor, imagine você planejar sua carreira profissional, saber sem a menor gota de dúvida aonde quer chegar, e mais, ter talento necessário para tal, mas por uma ironia do destino você fica no banco de espera por quase trinta anos para atingir seus objetivos e sonhos. A banda canadense, Anvil, formada no final dos anos 1970 foi protagonista de uma estória com esse teor de agonia, paixão, drama, choro e muita perseverança e os papéis principais dessa obra dramática foram interpretados pelos amigos de infância Steve “Lips” Kudlow e Rob Reiner.

Mesmo sendo precursor dos aclamados gêneros thrash e speed metal, terem o status de “semideuses” do metal canadense e ainda conter em sua discografia tesouros como a trinca Hard n’ Heavy, Metal on Metal e Forged in Fire, a banda Anvil nunca atingiu níveis estratosféricos de popularidade, tampouco viu sua carreira deslanchar como as instituições metálicas Iron Maiden, Scorpions, Judas Priest, etc, mas apesar de todas as adversidades enfrentadas, a banda nunca parou de tocar ou mesmo acreditar em seus objetivos.

O documentário Anvil – A Estória de Anvil, como o nome entrega, conta a trajetória da banda e foi produzido pelo fã e ex-roadie, Sasha Gervasi. Sasha é diretor e roteirista de filmes como O Terminal e Henry’s Crime, e foi dele a idéia de rememorar o público a importância do nome Anvil. O que faz desse documentário ser especial – e item obrigatório na coleção de qualquer fã de música pesada – é o fato de ser uma lição de vida seja você fã de rock n’ roll ou não. É impossível assistir esse filme e não fazer uma auto-reflexão e, muitas das vezes, constatarmos que reclamamos e ou desistimos de nossos sonhos na primeira barreira que nos sobrepõem. O que esses canadenses nos ensinam, mesmo que para alguns seja numa forma simplista e infantil, é que o amor a uma determinada causa é o diferencial que fará de você vitorioso cedo ou tarde.

Louvável o trabalho Die Hard Records em disponibilizar esse título aqui no Brasil, e ainda adicionar doze músicas bônus entre faixas de estúdio e ao vivo e contar com legendas em português. Além disso, a gravadora trouxe ao mercado outros clássicos do calibre de Bonded by Blood – Exodus; Darkness Descents – Dark Angel e No Place to Hide – Santarem. Mais que recomendado...

Nota: Matéria realizada para o Jornal do Interior Sul Fluminense.
http://digital.jornaldointerior.info/ed131/