quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Marillion: Vivo Rio - Rio de Janeiro


Ao pensar nos grandes grupos de rock progressivo automaticamente a memória projeta a imagem de baluartes britânicos dos anos 1970 como: Yes, Emerson Lake & Palmer, Genesis, Pink Floyd e Jethro Tull, onde cada qual dava vida a sua arte partindo de influências diversas como a complexa música clássica, o egocentrismo do Jazz e o despojamento do Blues.

Alguns mais audaciosos que outros iam além, buscando influências nas atividades circenses e teatrais. Mas o que todos, sem exceção, compartilhavam entre si era o bom gosto em criar música, que, hoje, se gabam de ter passado pelo implacável teste do tempo.

Na década seguinte, com o mercado menos receptível ao estilo, poucos foram os nomes em destaque no cenário progressivo, sendo o maior deles o também britânico, Marillion.

Desde seu primeiro registro de estúdio, “Script for a Jester’s Tear”, de 1983, a banda já despontava como uma das maiores promessas do rock progressivo. No final da década de 1980, em uma decisão ousada e precisa, o grupo muda sua voz saindo o cênico Fish entrando o até então desconhecido Steve Hogarth (How We Live e Europeans). O que poderia se transformar em uma tragédia grega acabou saindo melhor que encomenda. Com Steve nos vocais, a banda debutou em grande estilo com o aclamado “Season’s End”, de 1989. De lá para cá o grupo alternou momentos de pura magnificência e outros de gosto duvidosos.

Com turnês por todo mundo, o público brasileiro teve a oportunidade de assisti-los em duas ocasiões: Hollywood Rock (1990) e quando da divulgação do álbum “This Strange Engine”, em 1997. Desde então, os brasileiros amargaram um castigo que só veio ter o seu ponto final nos últimos dias 11 (São Paulo), 13 (Rio de Janeiro) e 14 (Porto Alegre).

A noite na capital fluminense começou com os cariocas do Anxtron e seu progressivo instrumental que se vale das ambientações, o dinamismo das composições e a qualidade individual de seus integrantes. Os caras são audaciosos apostando alto num mercado tão segmentado que é o da música progressiva, com o agravante de não ter um vocalista. Se isso vai virar razão de sucesso ou de uma corda no pescoço só o tempo dirá, mas pelo apresentado até aqui as expectativas são animadoras.

Chegada a hora que todos esperavam, é sob os acordes de “Splintering Heart” que o Marillion quebra o jejum de 15 anos longe dos palcos cariocas. De imediato já dava para se ter ideia de que a noite seria para lá de especial, com um show de ambas as partes: público e banda.

“Slainte Mhath” vem rememorar o álbum Clutching at Straws, tirando o fôlego dos presentes com seu peculiar peso. Com a educação de um lorde inglês e boas doses de bom humor, Steve Hogarth faz as honras da casa, apresentando a próxima canção, “You’re Gone”, que não tem o menor trabalho em manter a excitação do público. “Essa é uma música que lançamos na semana passada ou retrasada, algo assim”, disse o vocalista. “Sounds That Can’t Be Made” é homônima ao novo disco e, mais uma vez, agrada pelas suas nuanças e elegância que é tão peculiar à carreira da banda. A radiofônica “Beautiful” teve cada verso cantado em uníssono, fato que deixou os músicos visivelmente emocionados.

O Marillion é um dos poucos grupos que conseguem caminhar na tênue linha do pop e progressivo, pois agregam à sua música melodias de fácil degustação, regidos por uma qualidade pouco encontrada no mercado. E mesmo temas que requerem certa complexidade conseguem chegar aos ouvidos de uma maneira suave e receptiva, fugindo do malabarismo instrumental que alguns desavisados insistem impor ao público.

“Power” dá contornos ao novo disco e vem provar que criatividade é algo inesgotável em se tratando Marillion. Nessa altura do show Steve Horgarth (vocal), Steve Rothery (guitarra), Mark Kelly (teclados), Pete Trewavas (baixo) e Ian Mosley (bateria) tinham mais do que o controle da apresentação, não precisavam lançar mão dos grandes clássicos, afinal, o público carioca estava mais do que entregue às melodias e canções da banda. Ignorando esse fato, o maior hit dos britânicos, “Kayleigh”, prova que música boa passa pela prova do tempo, e essa música, caro leitor, vai sempre ter lugar cativo na memória do público.

O clima era tão intimista que os músicos pareciam tocar para os amigos mais próximos e acabou proporcionando um dos melhores momentos da noite. Sob os apelos e versos cantados numa só voz, os músicos fogem do protocolo e sacam a não planejada “Lavender”. Desnecessário comentar a reação efusiva do público a cada verso e melodia da canção. Tentaram, por duas vezes, tocar a canção “The Sky Above the Rain”, mas o baixo de Pete e o teclado de Mark não colaboraram, o que acabou rendendo boas risadas por parte da banda e público.

Sem problemas, afinal, a substituta foi um clássico do teor de “The Great Escape”. Ainda teve tempo para “Afraid of Sunlight”, encerrando o set com uma das melhores canções da era Hogarth, “Neverland. Soberbo o poder de interpretação do vocalista.

Sob pedidos incessantes do público, a banda volta para o encore com a complexa “The Invisible Man”. Mais uma vez a platéia presencia rara interpretação de uma banda para com sua obra. “Easter” é mais do que bem recebida, o que é algo corriqueiro em tratando dessa canção. A noite fecha com “Sugar Mice” que ficou irrepreensível na voz de Steve.

Depois de duas horas de show, que passaram como num piscar de olhos, o Marillion entrega ao público carioca um show memorável que fez valer os 15 anos de espera. A banda é uma das últimas representantes do rock progressivo britânico - se não for a única - que mantém uma carreira ativa, celebrando o momento presente com obras tão boas quanto as do passado. Acredite, amigo, isso é para quem pode e não para quem quer. E esses britânicos podem, e muito.

Nota: Realizei a matéria pelo site Territorio da Música http://www.territoriodamusica.com/shows/?c=1235

domingo, 7 de outubro de 2012

Epica: Requiem for the Indifferent Tour



Que o Brasil já virou rota obrigatória de artistas internacionais já não resta dúvida, afinal, bate à porta dos brasileiros as mais diversas bandas dos mais diversos gêneros, restando ao público à tarefa árdua de escolher qual espetáculo prestigiar. E parece que para o público carioca não fora difícil optar, no último sábado, dia 29/09, pelo concerto dos holandeses do Epica, porque o que se viu foi um público significativo na Fundição Progresso a fim de celebrar a música e os dez anos de história da banda. 

Divulgando o mais recente álbum, Requiem for the Indifferent, a banda se apóia, mais uma vez, em um trabalho que prima pela beleza das canções alicerçadas pela qualidade ímpar de seus integrantes. Depois do prelúdio, “Karma”, os trabalhos começam com a pesada “Monopoly on Truth” e, assim mesmo, sem direito a respiro, a já clássica “Sensorium” vem rememorar o porquê de a banda ter sido taxada como uma grande promessa quando do lançamento do álbum, The Phantom Agony. 

Ovacionada pela platéia, a belíssima frontwoman, Simone Simons, faz as honras da casa com a simpatia que lhe é peculiar e sem deixar perder o clima de festa já instaurado na casa logo apresenta a animada “Unleashed”. “Martyr of the Free Word” é a prova da maturidade da banda alcançada com os novos integrantes Isaac Delahaye (guitarra) e Ariën van Weesenbeek (bateria) – completa a banda Mark Jansen (guitarra e vocal); Coen Janssen (teclado); Rob Van Der Loo (baixo) e a já citada Simone Simons (vocal) – e do quanto o processo de substituição de integrantes pode vislumbrar novas oportunidades de caminhos a serem explorados pelos músicos.

São exatos dois anos desde a última passagem da banda Epica pela capital fluminense, sendo essa a terceira vez em que os holandeses prestigiam o público carioca com sua arte. Vale ressaltar que a banda vem vindo sempre numa crescente de público, e o mais importante, os músicos vêem numa crescente de qualidade em suas apresentações que não seria exagero nomeá-los como a principal banda de symphonic metal hoje no mercado. E é bacana ressaltar que a banda se sustenta na consistência de suas canções, não se valendo, exclusivamente, da imagem de sua vocalista, o que seria mais óbvio e, sem dúvida, a pior decisão a ser tomada pela banda. 


A intimista “Delirium”, a complexa “Serenade of Self-Destruction” e o single Storm the Sorrow trazem à tona o álbum Requiem for Indifferent; e vamos para mais uma breve viagem ao tempo com “The Obsessive Devotion” e “Sancta Terra”, representando o disco The Divine Conspiracy, sendo ambas amparadas pelo entusiasmo do público; o primeiro registro de estúdio dos holandeses volta estampado nas queridinhas do público “Cry for the Moon” e “The Phantom Agony”; e não pense que disco Consign to Oblivion ficou de fora da festa, pois do álbum vieram temas como “Blank Infinity”, “Quietus” com direito a participação do fã mais animado da noite, segundo o guitarrista Mark Jansen, e a clássica homônima ao disco. 


Como dito anteriormente, o Epica é uma banda que vem ganhando terreno a cada disco lançado e turnê, pontuando sua obra pela qualidade de seus integrantes, e o principal, vem transformando seu show numa celebração entre público e banda. Talvez seja um exagero ou até mesmo uma irresponsabilidade afirmar que se trata de umas das maiores representantes da nova safra do heavy metal. Se for ou não se firmar como tal só o tempo dirá, mas que a banda tem todos os trejeitos para tal não é segredo para ninguém. Mas é fato que a banda está com a faca e o queijo na mão para beliscar tal posto, disso não resta à menor dúvida.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Rob Zombie: Hellbilly Deluxe 2



Quatro anos se passaram desde último registro de estúdio do vocalista Rob Zombie, e esse tempo foi mais que bem usado e necessário para que o cantor colocasse de volta sua carreira musical nos trilhos, não que a coisa tenha se descarrilhado, mas é fato que sua carreira solo já não estava brilhando como na época de seu primeiro registro solo, Hellbilly Deluxe (1998), ou na época do saudoso White Zombie. O brio que Zombie precisava talvez fosse um parceria nas composições, que aconteceu com a participação ativa do talentoso guitarrista John 5 na confecção do novo álbum. 

Batizado de Hellbilly Deluxe 2 o novo disco é responsável por trazer fôlego extra à carreira do vocalista. E não pense que a idéia de trazer mais fôlego à música possa ser sinônimo de um artista presunçoso que insiste re-inventar a roda, tampouco, que toca na mesma tecla de ser cópia – refém – do próprio sucesso. Longe disso! O cantor mantém, sim, aquelas insanidades de sempre em sua música como narrativas assustadoras; letras um tanto ácidas e doentias aos mais sensíveis; inclinação ao lado negro da força e flerte com elementos eletrônicos, mas, agora, o diferencial que tudo é usado de uma forma mais dosada e madura, o que foi a chave para o resultado positivo do álbum. Os destaques individuais vão para Mars Needs Women; Sick Bubblegum; Jesus Frankenstein e Werewolf, Baby!.

Como tudo na vida há os prós e os contras, o disco tem sua cota de contras, a decisão de inserir solo de bateria no disco (na canção The Man Who Laughs) foi no mínimo bisonha, são poucos os músicos com o alvará de licença para fazer solos individuais, vide Neil Peart, e, com certeza, Tommy Clufetos não é um dos mais gabaritados para o trabalho. O outro contra vai para o fato do álbum ser curtinho, Rob poderia explorar mais sua arma secreta, John 5, visto que o guitarrista tem muita carta na manga para mostrar e ganhar o jogo já na primeira rodada. 


Para um, hoje, diretor de cinema Rob Zombie mostrou que ainda tem manha de fazer um disco bacana, e que se destaque num mercado povoado de aspirantes a rock stars que têm como referência nomes de procedência um tanto duvidosa. Indicado aos fãs e as pessoas que querem adentrar ao mundo de horrores do homem-zumbi.

domingo, 12 de agosto de 2012

Paul McCartney – A maestria do Rock em pessoa!


Se alguém perguntasse ou pesquisassem, antes da década de 1960, sobre a cidade de Liverpool/Inglaterra, constataria que o lugar tinha seu valor histórico por abrigar um bom comércio e ser, de certa forma, um lugar estratégico para entrada e saída de mercadorias, o que favorecia, e muito, a saúde econômica da Inglaterra, além disso, a informação que pode constar é que a cidade fora uma das que mais sofreu com o bombardeio alemão na segunda guerra. Essas poderiam ser as maiores referências sobre a cidade. 

Mas a partir da década de 1960 a cidade ganhou olhares de todo o mundo quando quatro jovens, Paul McCartney (baixo e vocal); Ringo Starr (bateria e vocal); George Harrison (guitarra e vocal) e John Lennon (vocal, guitarra e piano), tiveram a audácia de formar a maior banda do planeta. Se na época fossem feita essas tantas pesquisas de opinião que pipocam hoje em dia perguntando se existisse alguma chance de alguém da cidade de Liverpool com o poder de mudar a curso da música contemporânea, com certeza uma saraivada de risadas não muito amistosas e uma boa salpicada de palavrões iriam apontar na tal pesquisa. Pois bem, a tal pesquisa não foi feita, assim espero, e os quatro rapazes não sabendo que era impossível foram lá e fizeram. E fizeram muito bem feito, diga-se. The Beatles foi o nome dado à peça que mudaria a história da música, e porque não, um pouco da história do mundo. Foram incontáveis sucessos; concertos para imensidões de fãs que os olhos perdiam até vista; filmes; aparições nos principais programas de TV e uma discografia que ainda hoje pode se envaidecer de soar atual e com o frescor de uma obra recém lançada. E como tudo que é bom insiste em acabar rápido, o sonho acabou na década seguinte quando os quatros, já não tão jovens assim, de Liverpool resolveram cuidar cada um de suas respectivas carreiras, findando um dos maiores marcos da história da música, The Beatles. 

Depois da dissolução da banda cada integrante apontou para o caminho que melhor lhe representasse, uns tiveram mais sucesso que outros, ou melhor, uns tiveram mais destaque que outros, porque todos já estavam há anos luz da necessidade de se fazer sucesso. Mas chega ser infame não citar o quão feliz foi Sir Paul McCartney em sua empreitada solo, que já dura os invejáveis quarenta anos de bons serviços prestados a favor da música. E é nessa batuta de espalhar com maestria a ótima música pelo mundo que o ex-Beatle tem lotado estádios e arenas por onde quer que passe, e é lógico que no Brasil não foi diferente com as três datas da turnê Up and Coming.

Com a vitalidade e o brilho nos olhos de um garoto que tem o mundo de oportunidades pela frente, Paul conduz as quase três horas, isso mesmo que você leu caro leitor, quase três horas de show com maestria e a elegância que só um lorde inglês como Sir McCartney tem privilégio de ter. Misturando clássicos imortalizados dos Beatles e de sua carreira solo o já vovô do rock tem ensinado muito marmanjo aspirante a rock star como é que faz a coisa. E acredite amigo, o negócio não é tão simples assim, não. Isso é para poucos. Poucos como Paul McCartney que pode, sim, dizer como a banda toca. E é dizendo como a banda toca; lotando estádios e com mais de meio século de serviços prestados ao rock n’ roll que esse senhor inglês segue sua vida. Vida longa a ele e aos seus serviços prestados à boa música.

sábado, 4 de agosto de 2012

Maestrick: Unpuzzle!


É sabido que as artes são divididas em uma escala que vai da primeira a décima primeira e cada qual possui atribuições, onde estão contidas as respectivas características aplicáveis a cada uma das expressões artísticas. E não é segredo algum que muitas dessas expressões artísticas flertam em território vizinho, pegando para si influências para compor assim a palheta das características que compõem uma determinada obra. O mundo da música talvez seja um dos mais abertos a tais influências, haja vista o namorico com a literatura, cinema e dança. 

Mas o que isso tem a ver com a resenha do álbum Unpuzzle, da banda Maestrick? Absolutamente tudo! Numa alquimia rara, a banda flertou sem parcimônia com as mais distintas expressões artísticas que vão do recurso visual, passando pela representação teatral que muito se lembra aos apelos usados pelos mestres circenses, cooperando nessa interessante equação há espaço para poesia, fotografia e pintura. O trabalho dos caras é tão bacana que o ouvinte começa a degustá-lo visualmente, visto o capricho que tiveram na feitura da capa e encarte, onde a embalagem digipack só agregou ao saldo mais que positivo na obra desses paulistas. 

Unpuzzle é um álbum conceitual que trata a desconstrução em um realismo fantástico, onde somos os únicos responsáveis pelo papel que queremos atuar em nossas vidas, seja ele bom ou ruim. Parece um tanto quanto complexo, mas trata de uma das mais simples afirmações: podemos e temos o poder de determinar o curso de nossas vidas. Com esse conceito a banda construiu uma das mais audaciosas obras do rock brasileiro, onde, sem sombra de dúvidas, tem todos os predicados para passar com louvor pelo implacável teste do tempo. 

O trabalho de nomear essa ou aquela canção como destaque é difícil, visto a alto padrão de qualidade das canções, mas se fosse obrigado apontar destaques é inegável que a pesada H.U.C. ganhará espaço cativo no cd player de qualquer headbanger que preze pelos já citados predicados; a canção “Pescador” é regida por ritmos brasileiros e é toda cantada em português, o que prova que banda está a todo momento colocando o pé fora da zona de conforto e provando que nossa língua é um ás no concorrido mercado musical;“Treasures of the World” é magnificência da banda em retratar sua complexa obra em linhas simples, sendo, sim, o reflexo do conceito do álbum representado em uma única canção. “Yellow of the Embrium” é feliz na alquimia entre o blues e ritmos brasileiros e para finalizar o álbum a suíte “Lake of Emotions” que chega passar os incríveis vinte minutos de duração, o que nos lembra a fase áurea do rock progressivo e suas obras seminais. 

Unpuzzle em duas palavras pode ser descrito como complexo e magnífico. Você, caro leitor, não perca tempo e adquira já sua cópia, porque, sem gota de dúvida, é um dos melhores trabalhos lançados nesse ano de 2012 – lançamento via Die Hard Records.

sábado, 28 de julho de 2012

Exodus: Bonded by Blood


Muitos dizem que os anos 1980 foram os mais prolíficos ao metal, onde grandes nomes ganharam vida ou mesmo robustez em sua consolidada carreira. Mas fosse qual for a situação em que as bandas se encontravam era certo que todos os músicos pautavam o trabalho com o máximo de qualidade e originalidade possível. Por conta disso, álbuns como Kill ‘em All (Metallica); The Number of the Beast (Iron Maiden); Diary of a Madman (Ozzy Osbourne) e British Steel (Judas Priest) são cultuados até os dias de hoje como obras primas e referências ao estilo que praticam. 

Mas dentro do baú de preciosidade dos anos 1980 há muito mais coisas que não passaram em branco, mas tampouco fora aclamado como os discos citados. Um dos exemplos que, fácil, fácil, me veem à cabeça é o álbum Bonded by Blood (Exodus). O disco, em seus quase cinqüenta minutos de música, transpira por cada poro brutalidade e quê de urgência distribuído em onze canções. O ouvinte mais sensível pode se assustar ou até mesmo ficar meio zonzo com poderio sonoro de sons como as homônimas ao disco e banda; Piranha e Strike of the Beast. E não pense que só a música ganha destaque na obra dos americanos, a direção de arte comandada por Donald Munz também merece grande menção por estar em perfeita sintonia com o caos instaurado pelos californianos.

O disco ganha caráter único não só pela qualidade de suas canções, mas por ser o único disco gravado com o falecido vocalista, Paul Baloff, que fora chutado da banda pelo seu carinho especial às substancias ilícitas. Quem se sobressai também é o guitarrista Gary Holt pela técnica apurada, onde não é raro ver fãs em discussões acaloradas provando de todas as formas que Holt, junto a Alex Skolnick, são os mestres das seis cordas quando o assunto é Thrash Metal. 

Muito se comentou da reunião entre Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax para turnê Big Four, onde o argumento era reunir as quatro maiores bandas de Thrash Metal do planeta. Mas a questão é: difícil entender o nome Big Four sem o nome Exodus figurar na lista, mas vai lá saber o que se passa na cabeça desses empresários gringos. 

O Bonded by Blood é lançado no Brasil, via Die Hard Records. Então, meu caro amigo, não há mais desculpas para não ter esse aclamado nome do Thrash em sua coleção. A Die Hard Records está colocando no mercado discos como Unpuzzle (MaestricK); Alive in Athens (Iced Earth); Rubicon (Tristania), etc.

sábado, 14 de julho de 2012

Richie Sambora: Jersey's Guy


NewJersey 

O estado de New Jersey é o quinto menor estado americano, e o nono mais habitado, com uma população superior a 8.400.000. Por se tratar de um estado bem industrializado, sua economia é baseada na fabricação de bens em larga escala – manufatura, e na prestação de serviços logísticos, por seus sistemas portuários, ferroviários e rodoviários. Além disso, sua economia encontra grande fonte de renda no turismo, por conta de suas praias e grandes parques.

Mas o grande destaque do estado está na parte cultural, sendo o berço de grandes artistas de reconhecimento mundial como: Zakk Wylde; Bruce Springsteen; Deborah Harry (Blondie); Frank Sinatra; Jon Bon Jovi e Richie Sambora. 

Richie Sambora

No dia 11 de Julho de 1959, a pequena cidade Perth Amboy, do estado de New Jersey, ganhara um dos mais ilustres habitantes, nascia o Richard Steven Sambora – anos mais tarde conhecido como Richie Sambora – fruto advento da união entre a polonesa Joan Sienila e do italiano Adam Sambora.

Mesmo tendo nascido e residido por algum tempo na cidade Perth Amboy, Richie teve a maior parte de sua criação na pequena cidade Woodbridge. E como quase toda pequena cidade não há muito que se fazer para um jovem rapaz, além de estudar e tentar se preparar para vôos mais altos em outras cidades. Seguindo essa ideia, o jovem Richie seguiu com os estudos na Woodbridge High School, onde levava as responsabilidades da melhor forma que se fosse possível. 

O ano era de 1970, aos 11 anos de idade, o, ainda, menino começou a se interessar por música, especificamente por guitarra, por influencia de um dos maiores, se não maior guitarrista de todos os tempos, James Marshall Hendrix – Jimi Hendrix. Nessa época Richie começou a ter as primeiras aulas de guitarra. Foi o primeiro passo para o que viria se tornar sua profissão/carreira anos mais tarde. O tempo passou, e em paralelo aos estudos musicais, o rapaz ingressou na faculdade de psicologia, onde cursou por dois anos. Na própria faculdade Richie acabava dando mais atenção para música do que para as matérias ministradas em seu curso. Matérias de psicologia que era “bom” nada, mas as intermináveis horas de ensaio na garagem da faculdade eram de praxe para Richie e seus amigos. E pela noite dá-lhe shows nos bares locais, onde já podia mostrar sua habilidade com as seis cordas. 

Certo de querer seguir a carreira musical, o jovem guitarrista larga seus estudos na faculdade, para então se dedicar exclusivamente à música. Respirando música em todos segundos do dia, o músico se espelhava cada vez mais em grandes ícones da guitarra como: Eric Clapton; Jimmy Page; Johnny Winter; Jeff Beck; Stevie Ray Vaughan e Joe Perry, incorporando à sua personalidade musical traços de todos os músicos citados, e juntando a novos ares como a música espanhola (guitarra espanhola), com seus toques acústicos e abordagem técnica diferenciada. Com tanta dedicação, não seria espantoso que viesse a se tornar um grande músico e detentor de grande perícia em vários instrumentos que vão da guitarra elétrica, passando pelo bandolim e baixo chegando até excentricidade do acordeom. Vale ressaltar que a destreza do músico lhe renderia, anos mais tarde, contratos com grandes marcas (lendas) como Fender e Gibson. 

Com a vantagem de ter começado a carreira ainda bem cedo, o guitarrista pode vivenciar e experimentar várias bandas, por exemplo, The Massage, Richie Sambora & Friends, entre outras. Antes de chegar ao estrelato e ganhar fama mundial, a grande banda que Richie conseguiu integrar fora Joe Cocker, banda de rock/blues do veterano cantor inglês, além disso, fez audições para tocar na instituição do rock: Kiss. Mas ao que tudo indica ambos (Sambora e Kiss) acharam que suas respectivas expectativas não seriam atendidas, o que acabou ocasionando a não entrada do guitarrista à banda. Ainda reza a lenda que Richie fez algumas audições para integrar a açucarada banda Poison, fato não muito comentado pelo músico.

O ano era de 1983, a banda Bon Jovi estava precisando de um substituto para o guitarrista David “The Snake” Michael Sabo, que tempos mais tarde alcançaria grande sucesso com a banda, Skid Row. Com a saída de The Snake, Sambora viu uma grande porta se abrindo e, quase que instantaneamente, Sambora é apresentado à Bon Jovi, que por sua vez viu se tratar de um grande músico, sendo assim, não perdeu tempo em marcar um ensaio para que pudessem se conhecer melhor, musicalmente. Do ensaio para efetivação na banda, Bon Jovi, foi um trisco de tempo, e que, hoje, pode se gabar de ser uma das maiores parcerias do mundo do Rock. 

Desde sua entrada à banda Bon Jovi, Richie Sambora totaliza mais de quase 30 anos de carreira, com 11 álbuns de estúdios, destacando os impecáveis Slippery When Wet e New Jersey e o interessante Keep the Faith. A carreira do guitarrista ainda fora registrada por inúmeras compilações, discos ao vivos, box sets e dois álbuns em carreira solo.

Os sucessos não pararam por aí, foram várias as participações especiais na carreira de artistas renomados, assinando co-autorias e trilhas de filmes, e quem poderia imaginar, chegou atacar como cantor, conseguindo resultados mais satisfatórios que muitos cantores – supostamente – profissionais. 

Vida Pessoal

Se na vida profissional as coisas iam de vento e polpa, em sua vida pessoal as coisas já não iam lá essas coisas. Depois de 11 anos casado, Richie chegou ao fim de seu relacionamento com a atriz, Heather Locklear. O vai e vem em outros relacionamentos foram constantes, dando à famigerada “dor de cabeça”. Mas um dos piores momentos de sua vida pessoal foi quando seu pai perdeu a batalha para o câncer, falecendo em Abril de 2007.

Para completar o problema, o guitarrista quis seguir à risca a péssima cartilha de como ser um estúpido rockstar, abusando do álcool e afins, o que resultou em internação – Só faltava ter ficado na clínica Betty Ford Center.

Presente

Hoje, Richie Sambora segue sua carreira de forma estável, o mais recém álbum lançado foi Bon Jovi - The Circle (2009), disco que não traz a velha essência e qualidade da década de 1980 e começo dos 1990, mas, tampouco, desabona a carreira sólida desse excelente guitarrista. O jeito é esperar para um possível disco solo e ou outros lançamentos com selo de qualidade Richie Sambora.