Esse é um blog inteiramente dedicado a uma das maiores expressões artísticas, música. Se você é, assim como eu, um grande fã dessa arte, seja muito bem vindo!
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Marillion: Vivo Rio - Rio de Janeiro
Ao pensar nos grandes grupos de rock progressivo automaticamente a memória projeta a imagem de baluartes britânicos dos anos 1970 como: Yes, Emerson Lake & Palmer, Genesis, Pink Floyd e Jethro Tull, onde cada qual dava vida a sua arte partindo de influências diversas como a complexa música clássica, o egocentrismo do Jazz e o despojamento do Blues.
Alguns mais audaciosos que outros iam além, buscando influências nas atividades circenses e teatrais. Mas o que todos, sem exceção, compartilhavam entre si era o bom gosto em criar música, que, hoje, se gabam de ter passado pelo implacável teste do tempo.
Na década seguinte, com o mercado menos receptível ao estilo, poucos foram os nomes em destaque no cenário progressivo, sendo o maior deles o também britânico, Marillion.
Desde seu primeiro registro de estúdio, “Script for a Jester’s Tear”, de 1983, a banda já despontava como uma das maiores promessas do rock progressivo. No final da década de 1980, em uma decisão ousada e precisa, o grupo muda sua voz saindo o cênico Fish entrando o até então desconhecido Steve Hogarth (How We Live e Europeans). O que poderia se transformar em uma tragédia grega acabou saindo melhor que encomenda. Com Steve nos vocais, a banda debutou em grande estilo com o aclamado “Season’s End”, de 1989. De lá para cá o grupo alternou momentos de pura magnificência e outros de gosto duvidosos.
Com turnês por todo mundo, o público brasileiro teve a oportunidade de assisti-los em duas ocasiões: Hollywood Rock (1990) e quando da divulgação do álbum “This Strange Engine”, em 1997. Desde então, os brasileiros amargaram um castigo que só veio ter o seu ponto final nos últimos dias 11 (São Paulo), 13 (Rio de Janeiro) e 14 (Porto Alegre).
A noite na capital fluminense começou com os cariocas do Anxtron e seu progressivo instrumental que se vale das ambientações, o dinamismo das composições e a qualidade individual de seus integrantes. Os caras são audaciosos apostando alto num mercado tão segmentado que é o da música progressiva, com o agravante de não ter um vocalista. Se isso vai virar razão de sucesso ou de uma corda no pescoço só o tempo dirá, mas pelo apresentado até aqui as expectativas são animadoras.
Chegada a hora que todos esperavam, é sob os acordes de “Splintering Heart” que o Marillion quebra o jejum de 15 anos longe dos palcos cariocas. De imediato já dava para se ter ideia de que a noite seria para lá de especial, com um show de ambas as partes: público e banda.
“Slainte Mhath” vem rememorar o álbum Clutching at Straws, tirando o fôlego dos presentes com seu peculiar peso. Com a educação de um lorde inglês e boas doses de bom humor, Steve Hogarth faz as honras da casa, apresentando a próxima canção, “You’re Gone”, que não tem o menor trabalho em manter a excitação do público. “Essa é uma música que lançamos na semana passada ou retrasada, algo assim”, disse o vocalista. “Sounds That Can’t Be Made” é homônima ao novo disco e, mais uma vez, agrada pelas suas nuanças e elegância que é tão peculiar à carreira da banda. A radiofônica “Beautiful” teve cada verso cantado em uníssono, fato que deixou os músicos visivelmente emocionados.
O Marillion é um dos poucos grupos que conseguem caminhar na tênue linha do pop e progressivo, pois agregam à sua música melodias de fácil degustação, regidos por uma qualidade pouco encontrada no mercado. E mesmo temas que requerem certa complexidade conseguem chegar aos ouvidos de uma maneira suave e receptiva, fugindo do malabarismo instrumental que alguns desavisados insistem impor ao público.
“Power” dá contornos ao novo disco e vem provar que criatividade é algo inesgotável em se tratando Marillion. Nessa altura do show Steve Horgarth (vocal), Steve Rothery (guitarra), Mark Kelly (teclados), Pete Trewavas (baixo) e Ian Mosley (bateria) tinham mais do que o controle da apresentação, não precisavam lançar mão dos grandes clássicos, afinal, o público carioca estava mais do que entregue às melodias e canções da banda. Ignorando esse fato, o maior hit dos britânicos, “Kayleigh”, prova que música boa passa pela prova do tempo, e essa música, caro leitor, vai sempre ter lugar cativo na memória do público.
O clima era tão intimista que os músicos pareciam tocar para os amigos mais próximos e acabou proporcionando um dos melhores momentos da noite. Sob os apelos e versos cantados numa só voz, os músicos fogem do protocolo e sacam a não planejada “Lavender”. Desnecessário comentar a reação efusiva do público a cada verso e melodia da canção. Tentaram, por duas vezes, tocar a canção “The Sky Above the Rain”, mas o baixo de Pete e o teclado de Mark não colaboraram, o que acabou rendendo boas risadas por parte da banda e público.
Sem problemas, afinal, a substituta foi um clássico do teor de “The Great Escape”. Ainda teve tempo para “Afraid of Sunlight”, encerrando o set com uma das melhores canções da era Hogarth, “Neverland. Soberbo o poder de interpretação do vocalista.
Sob pedidos incessantes do público, a banda volta para o encore com a complexa “The Invisible Man”. Mais uma vez a platéia presencia rara interpretação de uma banda para com sua obra. “Easter” é mais do que bem recebida, o que é algo corriqueiro em tratando dessa canção. A noite fecha com “Sugar Mice” que ficou irrepreensível na voz de Steve.
Depois de duas horas de show, que passaram como num piscar de olhos, o Marillion entrega ao público carioca um show memorável que fez valer os 15 anos de espera. A banda é uma das últimas representantes do rock progressivo britânico - se não for a única - que mantém uma carreira ativa, celebrando o momento presente com obras tão boas quanto as do passado. Acredite, amigo, isso é para quem pode e não para quem quer. E esses britânicos podem, e muito.
Nota: Realizei a matéria pelo site Territorio da Música http://www.territoriodamusica.com/shows/?c=1235
domingo, 7 de outubro de 2012
Epica: Requiem for the Indifferent Tour
Que o Brasil já virou
rota obrigatória de artistas internacionais já não resta dúvida, afinal, bate à
porta dos brasileiros as mais diversas bandas dos mais diversos gêneros,
restando ao público à tarefa árdua de escolher qual espetáculo prestigiar. E
parece que para o público carioca não fora difícil optar, no último sábado, dia
29/09, pelo concerto dos holandeses do Epica, porque o que se viu foi um
público significativo na Fundição Progresso a fim de celebrar a música e os dez
anos de história da banda.
Divulgando o mais
recente álbum, Requiem for the Indifferent, a banda se apóia, mais uma vez, em
um trabalho que prima pela beleza das canções alicerçadas pela qualidade ímpar
de seus integrantes. Depois do prelúdio, “Karma”, os trabalhos começam com a
pesada “Monopoly on Truth” e, assim mesmo, sem direito a respiro, a já clássica
“Sensorium” vem rememorar o porquê de a banda ter sido taxada como uma grande
promessa quando do lançamento do álbum, The Phantom Agony.
Ovacionada pela
platéia, a belíssima frontwoman, Simone Simons, faz as honras da casa com a
simpatia que lhe é peculiar e sem deixar perder o clima de festa já instaurado
na casa logo apresenta a animada “Unleashed”. “Martyr of the Free Word” é a
prova da maturidade da banda alcançada com os novos integrantes Isaac Delahaye
(guitarra) e Ariën van Weesenbeek (bateria) – completa a banda Mark Jansen
(guitarra e vocal); Coen Janssen (teclado); Rob Van Der Loo (baixo) e a já
citada Simone Simons (vocal) – e do quanto o processo de substituição de
integrantes pode vislumbrar novas oportunidades de caminhos a serem explorados
pelos músicos.
São exatos dois anos
desde a última passagem da banda Epica pela capital fluminense, sendo essa a
terceira vez em que os holandeses prestigiam o público carioca com sua arte.
Vale ressaltar que a banda vem vindo sempre numa crescente de público, e o mais
importante, os músicos vêem numa crescente de qualidade em suas apresentações
que não seria exagero nomeá-los como a principal banda de symphonic metal hoje
no mercado. E é bacana ressaltar que a banda se sustenta na consistência de
suas canções, não se valendo, exclusivamente, da imagem de sua vocalista, o que
seria mais óbvio e, sem dúvida, a pior decisão a ser tomada pela banda.
A intimista “Delirium”, a complexa “Serenade
of Self-Destruction” e o single Storm the Sorrow trazem à tona o álbum Requiem for
Indifferent; e vamos para mais uma breve viagem ao tempo com “The Obsessive
Devotion” e “Sancta Terra”, representando o disco The Divine Conspiracy, sendo
ambas amparadas pelo entusiasmo do público; o primeiro registro de estúdio dos
holandeses volta estampado nas queridinhas do público “Cry for the Moon” e “The
Phantom Agony”; e não pense que disco Consign to Oblivion ficou de fora da
festa, pois do álbum vieram temas como “Blank Infinity”, “Quietus” com direito
a participação do fã mais animado da noite, segundo o guitarrista Mark Jansen,
e a clássica homônima ao disco.
Como dito
anteriormente, o Epica é uma banda que vem ganhando terreno a cada disco lançado
e turnê, pontuando sua obra pela qualidade de seus integrantes, e o principal,
vem transformando seu show numa celebração entre público e banda. Talvez seja
um exagero ou até mesmo uma irresponsabilidade afirmar que se trata de umas das
maiores representantes da nova safra do heavy metal. Se for ou não se firmar
como tal só o tempo dirá, mas que a banda tem todos os trejeitos para tal não é
segredo para ninguém. Mas é fato que a banda está com a faca e o queijo na mão
para beliscar tal posto, disso não resta à menor dúvida.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Rob Zombie: Hellbilly Deluxe 2
Quatro anos se passaram
desde último registro de estúdio do vocalista Rob Zombie, e esse tempo foi mais
que bem usado e necessário para que o cantor colocasse de volta sua carreira
musical nos trilhos, não que a coisa tenha se descarrilhado, mas é fato que sua
carreira solo já não estava brilhando como na época de seu primeiro registro
solo, Hellbilly Deluxe (1998), ou na época do saudoso White Zombie. O brio que
Zombie precisava talvez fosse um parceria nas composições, que aconteceu com a
participação ativa do talentoso guitarrista John 5 na confecção do novo álbum.
Batizado de Hellbilly
Deluxe 2 o novo disco é responsável por trazer fôlego extra à carreira do
vocalista. E não pense que a idéia de trazer mais fôlego à música possa ser
sinônimo de um artista presunçoso que insiste re-inventar a roda, tampouco, que
toca na mesma tecla de ser cópia – refém – do próprio sucesso. Longe disso! O
cantor mantém, sim, aquelas insanidades de sempre em sua música como narrativas
assustadoras; letras um tanto ácidas e doentias aos mais sensíveis; inclinação
ao lado negro da força e flerte com elementos eletrônicos, mas, agora, o
diferencial que tudo é usado de uma forma mais dosada e madura, o que foi a
chave para o resultado positivo do álbum. Os destaques individuais vão para
Mars Needs Women; Sick Bubblegum; Jesus Frankenstein e Werewolf, Baby!.
Como tudo na vida há os
prós e os contras, o disco tem sua cota de contras, a decisão de inserir solo
de bateria no disco (na canção The Man Who Laughs) foi no mínimo bisonha, são
poucos os músicos com o alvará de licença para fazer solos individuais, vide
Neil Peart, e, com certeza, Tommy Clufetos não é um dos mais gabaritados para o
trabalho. O outro contra vai para o fato do álbum ser curtinho, Rob poderia
explorar mais sua arma secreta, John 5, visto que o guitarrista tem muita carta
na manga para mostrar e ganhar o jogo já na primeira rodada.
Para um, hoje, diretor
de cinema Rob Zombie mostrou que ainda tem manha de fazer um disco bacana, e que
se destaque num mercado povoado de aspirantes a rock stars que têm como
referência nomes de procedência um tanto duvidosa. Indicado aos fãs e as
pessoas que querem adentrar ao mundo de horrores do homem-zumbi.
domingo, 12 de agosto de 2012
Paul McCartney – A maestria do Rock em pessoa!
Se alguém perguntasse
ou pesquisassem, antes da década de 1960, sobre a cidade de
Liverpool/Inglaterra, constataria que o lugar tinha seu valor histórico por abrigar
um bom comércio e ser, de certa forma, um lugar estratégico para entrada e
saída de mercadorias, o que favorecia, e muito, a saúde econômica da Inglaterra,
além disso, a informação que pode constar é que a cidade fora uma das que mais
sofreu com o bombardeio alemão na segunda guerra. Essas poderiam ser as maiores
referências sobre a cidade.
Mas a partir da década
de 1960 a cidade ganhou olhares de todo o mundo quando quatro jovens, Paul
McCartney (baixo e vocal); Ringo Starr (bateria e vocal); George Harrison
(guitarra e vocal) e John Lennon (vocal, guitarra e piano), tiveram a
audácia de formar a maior banda do planeta. Se na época fossem feita essas
tantas pesquisas de opinião que pipocam hoje em dia perguntando se existisse
alguma chance de alguém da cidade de Liverpool com o poder de mudar a curso da
música contemporânea, com certeza uma saraivada de risadas não muito amistosas
e uma boa salpicada de palavrões iriam apontar na tal pesquisa. Pois bem, a tal
pesquisa não foi feita, assim espero, e os quatro rapazes não sabendo que era
impossível foram lá e fizeram. E fizeram muito bem feito, diga-se. The Beatles
foi o nome dado à peça que mudaria a história da música, e porque não, um pouco
da história do mundo. Foram incontáveis sucessos; concertos para imensidões de
fãs que os olhos perdiam até vista; filmes; aparições nos principais programas
de TV e uma discografia que ainda hoje pode se envaidecer de soar atual e com o
frescor de uma obra recém lançada. E como tudo que é bom insiste em acabar
rápido, o sonho acabou na década seguinte quando os quatros, já não tão jovens
assim, de Liverpool resolveram cuidar cada um de suas respectivas carreiras,
findando um dos maiores marcos da história da música, The Beatles.
Depois da dissolução da
banda cada integrante apontou para o caminho que melhor lhe representasse, uns
tiveram mais sucesso que outros, ou melhor, uns tiveram mais destaque que
outros, porque todos já estavam há anos luz da necessidade de se fazer sucesso.
Mas chega ser infame não citar o quão feliz foi Sir Paul McCartney em sua empreitada solo, que já dura os
invejáveis quarenta anos de bons serviços prestados a favor da música. E é nessa batuta de
espalhar com maestria a ótima música pelo mundo que o ex-Beatle tem lotado estádios e arenas
por onde quer que passe, e é lógico que no Brasil não foi diferente com as três
datas da turnê Up and Coming.
Com a vitalidade e o
brilho nos olhos de um garoto que tem o mundo de oportunidades pela frente,
Paul conduz as quase três horas, isso mesmo que você leu caro leitor, quase
três horas de show com maestria e a elegância que só um lorde inglês como Sir McCartney tem privilégio de ter.
Misturando clássicos imortalizados dos Beatles e de sua carreira solo o já vovô
do rock tem ensinado muito marmanjo aspirante a rock star como é que faz a
coisa. E acredite amigo, o negócio não é tão simples assim, não. Isso é para
poucos. Poucos como Paul McCartney que pode, sim, dizer como a banda toca. E é dizendo
como a banda toca; lotando estádios e com mais de meio século de serviços
prestados ao rock n’ roll que esse senhor inglês segue sua vida. Vida longa a
ele e aos seus serviços prestados à boa música.
sábado, 4 de agosto de 2012
Maestrick: Unpuzzle!
É sabido que as artes
são divididas em uma escala que vai da primeira a décima primeira e cada qual
possui atribuições, onde estão contidas as respectivas características
aplicáveis a cada uma das expressões artísticas. E não é segredo algum que
muitas dessas expressões artísticas flertam em território vizinho, pegando para
si influências para compor assim a palheta das características que compõem uma
determinada obra. O mundo da música talvez seja um dos mais abertos a tais influências,
haja vista o namorico com a literatura, cinema e dança.
Mas o que isso tem a
ver com a resenha do álbum Unpuzzle, da banda Maestrick? Absolutamente tudo!
Numa alquimia rara, a banda flertou sem parcimônia com as mais distintas
expressões artísticas que vão do recurso visual, passando pela representação
teatral que muito se lembra aos apelos usados pelos mestres circenses,
cooperando nessa interessante equação há espaço para poesia, fotografia e
pintura. O trabalho dos caras é tão bacana que o ouvinte começa a degustá-lo
visualmente, visto o capricho que tiveram na feitura da capa e encarte, onde a
embalagem digipack só agregou ao saldo mais que positivo na obra desses
paulistas.
Unpuzzle é um álbum
conceitual que trata a desconstrução em um realismo fantástico, onde somos os
únicos responsáveis pelo papel que queremos atuar em nossas vidas, seja ele bom
ou ruim. Parece um tanto quanto complexo, mas trata de uma das mais simples
afirmações: podemos e temos o poder de determinar o curso de nossas vidas. Com
esse conceito a banda construiu uma das mais audaciosas obras do rock
brasileiro, onde, sem sombra de dúvidas, tem todos os predicados para passar
com louvor pelo implacável teste do tempo.
O trabalho de nomear
essa ou aquela canção como destaque é difícil, visto a alto padrão de qualidade
das canções, mas se fosse obrigado apontar destaques é inegável que a pesada
H.U.C. ganhará espaço cativo no cd player de qualquer headbanger que preze
pelos já citados predicados; a canção “Pescador” é regida por ritmos
brasileiros e é toda cantada em português, o que prova que banda está a todo
momento colocando o pé fora da zona de conforto e provando que nossa língua é
um ás no concorrido mercado musical;“Treasures of the World” é magnificência da
banda em retratar sua complexa obra em linhas simples, sendo, sim, o reflexo do
conceito do álbum representado em uma única canção. “Yellow of the Embrium” é
feliz na alquimia entre o blues e ritmos brasileiros e para finalizar o álbum a
suíte “Lake of Emotions” que chega passar os incríveis vinte minutos de
duração, o que nos lembra a fase áurea do rock progressivo e suas obras
seminais.
Unpuzzle em duas
palavras pode ser descrito como complexo e magnífico. Você, caro leitor, não
perca tempo e adquira já sua cópia, porque, sem gota de dúvida, é um dos
melhores trabalhos lançados nesse ano de 2012 – lançamento via Die Hard
Records.
sábado, 28 de julho de 2012
Exodus: Bonded by Blood
Muitos dizem que os
anos 1980 foram os mais prolíficos ao metal, onde grandes nomes ganharam vida
ou mesmo robustez em sua consolidada carreira. Mas fosse qual for a situação em
que as bandas se encontravam era certo que todos os músicos pautavam o trabalho
com o máximo de qualidade e originalidade possível. Por conta disso, álbuns
como Kill ‘em All (Metallica); The Number of the Beast (Iron Maiden); Diary of
a Madman (Ozzy Osbourne) e British Steel (Judas Priest) são cultuados até os
dias de hoje como obras primas e referências ao estilo que praticam.
Mas dentro do baú de
preciosidade dos anos 1980 há muito mais coisas que não passaram em branco, mas
tampouco fora aclamado como os discos citados. Um dos exemplos que, fácil, fácil,
me veem à cabeça é o álbum Bonded by Blood (Exodus). O disco, em seus quase
cinqüenta minutos de música, transpira por cada poro brutalidade e quê de
urgência distribuído em onze canções. O ouvinte mais sensível pode se assustar
ou até mesmo ficar meio zonzo com poderio sonoro de sons como as homônimas ao
disco e banda; Piranha e Strike of the Beast. E não pense que só a música ganha
destaque na obra dos americanos, a direção de arte comandada por Donald Munz
também merece grande menção por estar em perfeita sintonia com o caos
instaurado pelos californianos.
O disco ganha caráter
único não só pela qualidade de suas canções, mas por ser o único disco gravado
com o falecido vocalista, Paul Baloff, que fora chutado da banda pelo seu
carinho especial às substancias ilícitas. Quem se sobressai também é o
guitarrista Gary Holt pela técnica apurada, onde não é raro ver fãs em
discussões acaloradas provando de todas as formas que Holt, junto a Alex
Skolnick, são os mestres das seis cordas quando o assunto é Thrash Metal.
Muito se comentou da
reunião entre Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax para turnê Big Four, onde o
argumento era reunir as quatro maiores bandas de Thrash Metal do planeta. Mas a
questão é: difícil entender o nome Big Four sem o nome Exodus figurar na lista,
mas vai lá saber o que se passa na cabeça desses empresários gringos.
O Bonded by Blood é
lançado no Brasil, via Die Hard Records. Então, meu caro amigo, não há mais
desculpas para não ter esse aclamado nome do Thrash em sua coleção. A Die Hard
Records está colocando no mercado discos como Unpuzzle (MaestricK); Alive in
Athens (Iced Earth); Rubicon (Tristania), etc.
sábado, 14 de julho de 2012
Richie Sambora: Jersey's Guy
O estado de New Jersey
é o quinto menor estado americano, e o nono mais habitado, com uma população
superior a 8.400.000. Por se tratar de um estado bem industrializado, sua
economia é baseada na fabricação de bens em larga escala – manufatura, e na
prestação de serviços logísticos, por seus sistemas portuários, ferroviários e
rodoviários. Além disso, sua economia encontra grande fonte de renda no
turismo, por conta de suas praias e grandes parques.
Mas o grande destaque
do estado está na parte cultural, sendo o berço de grandes artistas de
reconhecimento mundial como: Zakk Wylde; Bruce Springsteen; Deborah Harry
(Blondie); Frank Sinatra; Jon Bon Jovi e Richie Sambora.
Richie
Sambora
No dia 11 de Julho de
1959, a pequena cidade Perth Amboy, do
estado de New Jersey, ganhara um dos mais ilustres habitantes, nascia o Richard
Steven Sambora – anos mais tarde conhecido como Richie Sambora – fruto advento
da união entre a polonesa Joan Sienila e do italiano Adam Sambora.
Mesmo tendo nascido e residido por algum tempo na cidade Perth Amboy,
Richie teve a maior parte de sua criação na pequena cidade Woodbridge. E como
quase toda pequena cidade não há muito que se fazer para um jovem rapaz, além
de estudar e tentar se preparar para vôos mais altos em outras cidades. Seguindo
essa ideia, o jovem Richie seguiu com os estudos na Woodbridge High School,
onde levava as responsabilidades da melhor forma que se fosse possível.
O ano era de 1970, aos 11 anos de idade, o, ainda, menino começou a se interessar
por música, especificamente por guitarra, por influencia de um dos maiores, se
não maior guitarrista de todos os tempos, James Marshall Hendrix – Jimi
Hendrix. Nessa época Richie começou a ter as primeiras aulas de guitarra. Foi o
primeiro passo para o que viria se tornar sua profissão/carreira anos mais
tarde. O tempo passou, e em paralelo aos estudos musicais, o rapaz ingressou na
faculdade de psicologia, onde cursou por dois anos. Na própria faculdade Richie
acabava dando mais atenção para música do que para as matérias ministradas em
seu curso. Matérias de psicologia que era “bom” nada, mas as intermináveis
horas de ensaio na garagem da faculdade eram de praxe para Richie e seus amigos.
E pela noite dá-lhe shows nos bares locais, onde já podia mostrar sua
habilidade com as seis cordas.
Certo de querer seguir a carreira musical, o jovem guitarrista larga seus
estudos na faculdade, para então se dedicar exclusivamente à música. Respirando
música em todos segundos do dia, o músico se espelhava cada vez mais em grandes
ícones da guitarra como: Eric Clapton; Jimmy Page; Johnny Winter; Jeff Beck; Stevie
Ray Vaughan e Joe Perry, incorporando à sua personalidade musical traços de
todos os músicos citados, e juntando a novos ares como a música espanhola (guitarra
espanhola), com seus toques acústicos e abordagem técnica diferenciada. Com
tanta dedicação, não seria espantoso que viesse a se tornar um grande músico e
detentor de grande perícia em vários instrumentos que vão da guitarra elétrica,
passando pelo bandolim e baixo chegando até excentricidade do acordeom. Vale
ressaltar que a destreza do músico lhe renderia, anos mais tarde, contratos com
grandes marcas (lendas) como Fender e Gibson.
Com a vantagem de ter
começado a carreira ainda bem cedo, o guitarrista pode vivenciar e experimentar
várias bandas, por exemplo, The Massage, Richie Sambora & Friends, entre
outras. Antes de chegar ao estrelato e ganhar fama mundial, a grande banda que
Richie conseguiu integrar fora Joe Cocker, banda de rock/blues do veterano cantor
inglês, além disso, fez audições para tocar na instituição do rock:
Kiss. Mas ao que tudo indica ambos (Sambora e Kiss) acharam que suas
respectivas expectativas não seriam atendidas, o que acabou ocasionando a não
entrada do guitarrista à banda. Ainda reza a lenda que Richie fez algumas
audições para integrar a açucarada banda Poison, fato não muito comentado pelo
músico.
O ano era de 1983, a
banda Bon Jovi estava precisando de um substituto para o guitarrista David “The
Snake” Michael Sabo, que tempos mais tarde alcançaria grande sucesso com a
banda, Skid Row. Com a saída de The Snake, Sambora viu uma grande
porta se abrindo e, quase que instantaneamente, Sambora é apresentado à Bon
Jovi, que por sua vez viu se tratar de um grande músico, sendo assim, não
perdeu tempo em marcar um ensaio para que pudessem se conhecer melhor,
musicalmente. Do ensaio para efetivação na banda, Bon Jovi, foi um trisco de
tempo, e que, hoje, pode se gabar de ser uma das maiores parcerias do mundo do
Rock.
Desde sua entrada à banda Bon Jovi,
Richie Sambora totaliza mais de quase 30 anos de carreira, com 11 álbuns de estúdios,
destacando os impecáveis Slippery When Wet e New Jersey e o interessante Keep
the Faith. A carreira do guitarrista ainda fora registrada por inúmeras
compilações, discos ao vivos, box sets e dois álbuns em carreira solo.
Os sucessos não pararam
por aí, foram várias as participações especiais na carreira de artistas
renomados, assinando co-autorias e trilhas de filmes, e quem poderia imaginar,
chegou atacar como cantor, conseguindo resultados mais satisfatórios que muitos
cantores – supostamente – profissionais.
Vida
Pessoal
Se na vida profissional
as coisas iam de vento e polpa, em sua vida pessoal as coisas já não iam lá
essas coisas. Depois de 11 anos casado, Richie chegou ao fim de seu
relacionamento com a atriz, Heather Locklear. O vai e vem em outros
relacionamentos foram constantes, dando à famigerada “dor de cabeça”. Mas um
dos piores momentos de sua vida pessoal foi quando seu pai perdeu a batalha
para o câncer, falecendo em Abril de 2007.
Para completar o
problema, o guitarrista quis seguir à risca a péssima cartilha de como ser um estúpido
rockstar, abusando do álcool e afins, o que resultou em internação – Só faltava
ter ficado na clínica Betty Ford Center.
Presente
Hoje, Richie Sambora
segue sua carreira de forma estável, o mais recém álbum lançado foi Bon Jovi -
The Circle (2009), disco que não traz a velha essência e qualidade da década de
1980 e começo dos 1990, mas, tampouco, desabona a carreira sólida desse
excelente guitarrista. O jeito é esperar para um possível disco solo e ou
outros lançamentos com selo de qualidade Richie Sambora.
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