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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

MaestricK: Brazilian Pride



Enfatizar a importância do Brasil no circuito mundial da música é algo batido e nada novo, assim como jurar de pé junto que o país é um celeiro para grandes músicos e bandas. Felizmente é uma verdade vista e, principalmente, sentida pelos entusiastas à primeira arte. Mas vez ou outra surgem àquelas bandas com o fardo de elevar o mercado ao próximo nível visto a competência ímpar na criação de canções que, sem sombra de dúvida, têm todos os atributos a passar ao implacável teste do tempo. E é com essa responsabilidade que a banda paulistana, Maestrick, está lançando seu debute “Unpuzzle”.
O conceito de banda e álbum não é nada modesto e tampouco usual, onde os músicos usam e abusam sem parcimônia as mais variadas facetas artísticas como teatro, fotografia, dança e literatura, de modo que tudo possa se alinhar com a chave mestra, a música, e assim criar a identidade MaestricK.
E para saber mais sobre essa banda, que já desponta dentre as promessas nacionais, e sobre o álbum, “Unpuzzle”, que nós fomos bater um papo com o capitão dessa audaciosa empreitada, o simpático Fábio Caldeira. Então não se espante se vir por ai um navio com velas içadas conquistando os setes mares, porque esse navio é o MaestricK e é de bandeira brasileira.

Olá, amigos, é um prazer bater esse papo com vocês. Gostaria de começar perguntando qual é o conceito que alicerça o nome da banda, MaestricK?

Olá Marcelo, o prazer é todo nosso! Bom, vamos lá. Desde quando começamos a buscar o nome, queríamos algo que representasse a nossa proposta musical, e naturalmente, ela é conseqüência de quem somos e do que buscamos como pessoas. A palavra MaestricK então surgiu a partir da mistura da palavra “Maestro”, que remete a erudição, seriedade, disciplina, e o conceito da palavra “Trick”, que significa truque, trapaça, travessura e porque não bom humor. Imediatamente, percebemos que esse era o nome e estamos muito gratos por termos encontrado.

A banda é audaciosa em sua forma de construir sua música, onde diferentes facetas culturais são envolvidas, por exemplo, literatura, fotografia, dança, teatro, etc. Como trabalhar numa repleta palheta de referências sem perder o foco?

Eu acredito que estabelecendo uma linha mestra, um elemento comum entre tudo isso, no caso a música, porque não podemos nos esquecer que somos uma banda. A partir disso fica mais fácil organizar as idéias. Mas isso acontece simplesmente por uma questão de localização. Para nós tudo deve fluir da nossa maneira claro, naturalmente e sem forçar em nenhum sentido.  

Qual é o envolvimento que vocês têm com outras facetas de artes e até que ponto essa influência é essencial à identidade e música que a MaestricK produz?

Da minha parte, posso dizer que eu sou um entusiasta quando o assunto é arte. Veja bem, não sou um profundo conhecedor, mas sim um admirador. Adoro ir a exposições, amo cinema, circo, “ballet”, literatura e, claro, música! Cada um aqui tem suas predileções e estilos favoritos, mas o que importa é que isso sempre contribui demais pro trabalho do MaestricK.

No release da banda vocês declaram que o MaestricK aposta numa “Aquarela Sonora”. Vocês poderiam desenvolver um pouco mais esse raciocínio?

Claro! A questão da “Aquarela Sonora” é simplesmente uma forma de associar uma manifestação artística a outra. Contextualizar e dizer que para nós e nosso trabalho, tudo pode andar junto. Um exemplo seria partir de uma idéia musical. Pra gente é interessante nos perguntar: “Que imagem ela passa? Que cor ela tem? Se ela fosse um quadro como seria?”. E isso funciona de forma inversa também. “Que trilha sonora uma imagem ou história teria?”, e por aí vai!

Creio que é responsabilidade de todo artista – por mais simplista que seja sua arte ou sua forma de passar a mensagem – e é também de sua atribuição à construção de um bom conteúdo lírico e com idéias no mínimo bem amarradas ao conceito. No caso do MaestricK onde há uma complexidade no conceito da banda e música essa responsabilidade aumenta?  

Essa complexidade que você atribui ao nosso trabalho, eu penso que é simplesmente zelo por parte de todos nós. Desde o começo, nós nos preocupamos com os mínimos detalhes justamente por isso que você citou. Somos e nos sentimos responsáveis por passar da melhor forma possível as idéias e o que elas representam pra gente. Mas é só isso. Não temos compromisso com nada além. Se amanhã decidirmos seguir uma linha mais minimalista, vamos trabalhar pra fazer o melhor possível e aí o “peso” da responsabilidade será o mesmo.

Vocês lançaram há alguns meses o EP intitulado H.U.C., como foi o feedback desse trabalho?

Foi simplesmente espetacular e totalmente acima de qualquer expectativa graças à Deus! Muitas pessoas maravilhosas de diversos estados, até países vieram até nós de forma positiva e conseguimos dar um gostinho do que é o “Unpuzzle!” para elas. Isso foi coroado com o prêmio de melhor banda do estado de São Paulo no site Whiplash, que é o maior no segmento Rock/Metal do Brasil, e por votação popular. Foi uma grande surpresa e uma afirmação pra nós de que devemos continuar dando o nosso melhor da forma que estamos fazendo.

Como foi o processo de gravação de Unpuzzle tanto aqui no Brasil (AR-15 Studios) quanto nos Estados Unidos (AK-47 Studios)?

Foi uma escola, Marcelo. Em todos os sentidos! Nós nos sentimos lisonjeados e agradecidos por termos conhecido e trabalhado com os geniais Gustavo Carmo, produtor, e o Rodrigo Carmo, que comandou boa parte das gravações aqui no Brasil, além é claro de abrilhantar o disco com o seu “vozerão”. Vale dizer que os dois estão com uma banda nova chamada “House of Bones” e estão chegando com tudo!

Diante de tanto bafafá e músicos da cena metal chorando as pitangas pelos cantos. Como vocês avaliam e lidam com a cena metal hoje no Brasil?

Eu posso dar minha perspectiva de duas formas e de maneira objetiva. A primeira é como músico de uma banda que está acabando de lançar seu primeiro disco, e por conta disso, não posso falar muito além de que estou disposto a dar o meu melhor com meus amigos e procurar fazer sempre as coisas da forma que a gente acredita. A segunda é como fã, e posso dizer que só compro e vou aos shows das bandas que gosto e me identifico de alguma forma, sejam nacionais ou não.

O que podemos esperar do MaestricK nos próximos meses?

Pé no chão e muito trabalho na divulgação do “Unpuzzle!”! Estamos compondo nosso show e esperamos apresentá-lo o quanto antes. Esse é mais um filho que está pra nascer com o disco.

Obrigado pela entrevista. Esse espaço é reservados para vocês fazerem quaisquer adendos e ou consideração...

A você Marcelo, nosso muito obrigado pela atenção e pela gentileza de nos ceder esse espaço! Espero que você e todos que escutarem nosso trabalho sintam tudo de bom que foi depositado nele e que vocês saibam que podem sempre contar com nosso melhor e com nosso compromisso com a arte acima de tudo. Desejamos muita luz, paz e um ano novo cheio de amor e realizações! Até as próximas!

Nota: Realizei essa matéria para o Jornal do Interior Sul Fluminense: http://digital.jornaldointerior.info/ed137/

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Avantasia: Constelação Européia em São Paulo



O ano de 2010 já está nos 45 do segundo tempo, foram muitos os artistas internacionais que deram o ar da graça pelas bandas de cá, desde o clássico trio canadense Rush à nova geração do metal como Avanged Sevenfold.Mas estava faltando à cereja do bolo, àquela que fecharia com chave de ouro esse que foi um ano especial para todos os ‘rockers’ do país, e, com certeza, não era qualquer banda com gabarito para tal, então, a escolha foi mais que bem acertada com o projeto-banda de opera rock do músico alemão Tobias Sammet Avantasia.

Por se tratar de uma opera rock, o Avantasia possui, em todos os seus cinco álbuns de estúdio, uma estória bem desenvolvida e amarrada e com vários personagens, portanto, para interpretar cada um desses personagens sempre é escolhido supra-sumo do heavy metal europeu como os vocalistas Michael Kiske (ex-Helloween); Kai Hansen (Gamma Ray e ex-Helloween); Jorn Lande (Masterplan) e Bob Catley (Magnum) – o Avantasia conta ainda com Tobias Sammet (vocal); Amanda Somerville (backing vocal); Sascha Paeth (guitarra); Robert Hunecke (baixo); Miro Rodenberg (teclado) e Felix Bohnke (bateria) – para dar vida às grandes canções do projeto-banda, e foi, exatamente, esse time de estrelas que aportou no último dia 13, no Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo, para uma única apresentação e, lógico, fechar o ano com grande classe.

 Twisted Mind foi a responsável por abrir a noite e sem demora cede lugar à também empolgante The Scarecrow, em seguida, o simpático vocalista Tobias Sammet faz as honras da casa saudando e convidando a todos festejarem junto com ele, o que nem precisava porque as canções seguintes Promised Land e Serpents in Paradise já são por essência um belo convite a festa. The Story Ain’t Over é a calmaria antes da tempestade quando a lenda – ou The Voice (A Voz) como disse o próprio Sammet – Michael Kiske roubou todos os holofotes do show ao cantar a brilhante Reach Out For The Light, ovacionado pelo público Kiske se desculpa por nunca ter vindo ao Brasil antes, e ainda acrescenta que com aquela recepção não demorará nadinha para uma volta aos palcos brasileiros. Assim sejam suas palavras. 


Kai Hansen é outra figura lendária do heavy metal e para ele o papel de malvado lhe caiu como uma luva em Death Is Just a Feeling, irrepreensível sua interpretação com direito à cartola e bengala no melhor estilo burlesco, burlesco com boas doses de maldade, diga-se. Lost In Space as atenções são divididas entre Jorn Lande, Bob Catley e Tobias, sendo um dos pontos altos do show. In Quest for; Runaway Train e Dying For An Angel preparam o terreno para Michael Kiske em Stargazers, em seguida, é a vez de a bela Amanda Somerville brilhar com uma grande interpretação na canção Farewell, e para fechar a primeira parte do show nada melhor que a The Wicked Symphony.

Na volta The Toy Master e a pesada Shelter From The Rain deixam claro que cansaço era a última coisa a se pensar tanto para o público quanto para banda, afinal, aquela cumplicidade mostrada por ambas às partes é uma coisa rara nos dias de hoje, isso é fato. Na música homônima à banda o vocalista Tobias Sammet faz a apresentação dos músicos e brinda a platéia com uma irretocável execução. O grand finale é com a mega clássica Sign Of The Cross emendada no refrão da pomposa The Seven Angels.

A bola fora fica por conta da escolha da casa de show, o Centro de Tradições Nordestina não possui uma infraestrutura adequada ao público heavy metal, tampouco uma acústica para receber concertos desse porte. Esse é apenas um detalhe que será, com certeza, reparado na próxima vez, porque eles voltarão. Ah se voltarão!

Nota: Fiz essa matéria pem 2010 pra veículo Jornal do Interio Sul Fluminense.