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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Entrevista: Floor Jansen (ReVamp)


Se perguntassem a algum fã de rock holandês, até meados dos anos 1990, quais bandas de seu país com mais expressão ou que gozam de certa repercussão no cenário internacional? A reposta seria imediata: Focus e Gathering. Não estou esquecendo nomes como Bambix ou Brainbox, o fato que essas bandas e algumas outras sempre andaram pelas ruas escuras do underground, o que reservou pouca exposição de suas obras. Os nomes que realmente mudaram esse panorama, no final dos anos 1990 e começo dos 2000, foram Within Temptation; Epica e After Forever. Esse último em especial por ser o precursor. Mas como nem tudo são flores no meio musical, a banda After Forever se desfez no ano de 2009, com cada integrante dando rumo a sua carreira da melhor maneira que considerasse. A vocalista, Floor Jansen, por exemplo, deu vida a banda ReVamp, e foi para falar exatamente dessa nova empreitada musical que nós fomos bater um papo com a cantora. Então, com a voz, Floor Jansen...

Olá Floor! Obrigado por falar conosco. Eu começo perguntando sobre seu novo álbum, ReVamp, como tem sido ‘feedback’ até agora?

Floor Jansen: Tem sido muito positivo! Muitas pessoas estão felizes de me verem de volta. O que não significa que elas fossem gostar de minha nova banda. Mas elas curtiram minha volta! Eu recebo elogios que vão desde a arte da capa até minha voz e as músicas do disco. Muito bacana!

Conte-nos um pouquinho sobre o conceito do álbum. Você o considera um grande passo em sua carreira já que tudo está sendo feito de seu jeito?

Floor: No começo eu me senti assustada em ter que tomar à frente do meu novo projeto/banda, mas agora que já passou um pouco o tempo, eu me sinto mais confiante e, lógico, cresci junto com todo trabalho. Em relação ao conceito, eu sabia exatamente o que eu queria e foi ótimo ver tudo se tornar realidade. Tanto nas músicas quanto na capa do disco eu pude trabalhar com grandes talentos e mentes criativas, e, juntos, nós demos ao ReVamp um som e uma identidade.

Quais elementos podemos encontrar em seu novo disco?

Floor: Pesados riffs de guitarra com grandes arranjos de orquestra. Minha voz, às vezes, é operística; às vezes tem uma pegada rock n’ roll e ainda flerta com momentos mais calmos. Eu tentei variar o quanto eu podia na composição do álbum. Há também três vocalistas convidados cantando no disco, Russel Allen (Symphony X); Speed (Soilwork) e George Oosthoek (ex-Orphanage), o que contribui para trazer, ainda mais, versatilidade.

Existem sempre diferentes influências e toques na sua música, e em ReVamp não é diferente, vemos exatamente essas outras facetas, como, por exemplo, uma linha de vocal mais agressiva. Quão importante é para você re-inventar seu estilo e trazer mais “cores” a sua música?

Floor: Eu pessoalmente gosto de músicas com variações para soarem interessantes durante todo o álbum. Além disso, eu curto explorar ao máximo minha capacidade vocal. Em apresentações ao vivo eu já comecei a fazer vocais mais agressivos, o que vai ser um ótimo toque para o segundo álbum.

Você acredita que trazendo mais variedade para sua arte irá abrir outras portas para expressar suas emoções, talvez emoções nunca antes sentidas?

Floor: Com certeza me permite expressar emoções em mais de uma forma. Eu não diria que possa se aproximar de minhas emoções pessoais, que é de outra forma, outra maneira de expressar.

Você lançou cinco discos com sua antiga banda (After Forever) e todos eles eram bem pesados, mas ReVamp é ainda mais, isso foi algo intencional? Essa é a nova faceta da Floor Jansen como compositora e cantora?

Floor: O disco foi escrito do modo de como ReVamp tinha que soar, e em letras grandes: Pesado. Então, sim, foi intencional. Eu sempre fui compositora desde época do After Forever, mas, hoje, me sinto mais confiante do que nunca, e tenho total intenção de continuar fazendo música pesada.

De uns tempos pra cá você tem mudado sua forma de escrever, eu a acho mais direta ao ponto. Estou certo?

Floor: Eu acho que todas as letras vieram mais diretas mesmo. Isso é algo que comecei desde o último álbum do After Forever, e será algo que continuarei fazendo. Contudo, eu não quero perder os inúmeros aspectos de interpretação de uma letra, ou seja, as pessoas que deverão ser capazes de senti-las e interpretá-las de seu jeito.

Quais os planos futuros?

Floor: Excursionar em 2011 e tocar nos festivais de verão aqui na Europa. Além disso, continuaremos com processo de composição do próximo álbum, o qual irá começar muito em breve.

Quando poderemos assistir um show do ReVamp no Brasil?

Floor: Eu estou em contato com alguns empresários, mas ainda não há planos concretos. Com certeza temos a intenção de tocar no Brasil, e espero que possamos passar por ai em 2011! (A turnê estava para acontecer no mês de Junho, mas a cantora teve problemas de saúde e os shows foram cancelados)

Obrigado pela entrevista, esse é o seu espaço, você pode dizer o que quiser...

Floor: Obrigada Brasil! É muito legal ver o apoio e carinho vindo do seu país para esse lugarzinho chamado Holanda. Vocês estavam comigo na época do After Forever. E, agora, estão comigo no ReVamp. Isso é muito especial para mim e eu só posso agradecê-los, por isso. Entretanto, eu espero poder mostrar toda minha gratidão encontrando todos vocês em breve. Vocês estão no meu coração!

Nota: Matéria publicada também no Jornal do Interior Sul Fluminense.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Gibson Les Paul Bullseye


Apectos técnicos: Alguns aspectos técnicos que fazem essa guitarra uma máquina de guerra se dá pelo seu corpo em mogno e seu hardware todo em acabamento de ouro, com ponte fixa e tarraxas grover. O comprimento da escala está disposto em 24.75'', o que possibilita menos tensão nas cordas e facilita os bends.

Os captadores são EMG85 no braço e EMG81 na ponte. O primeiro favorece o ganho de um som mais cheio, ou seja, sem meias palavras um som bem pesado. Já o segundo captador tende a oferecer o equilíbrio entre o primeiro, com uma sonoridade mais suave. Ponto a destacar em EMG81 é o ganho em se trabalhar com volumes elevados de overdrive.

Indicação: Para músicos que praticam os estilos Rock, Blues e Metal esse instrumento cai como uma luva, possibilitando grande desenvoltura e adequação de timbre a esses estilos. Músicos de Jazz, Pop e Country, podem não se adaptar a essa artilharia de guerra.

Destaque: Les Paul Bullseye ganhou grande notoriedade nas mãos do grande guitarrista americano Zakk Wylde, no ano de 1988, com a gravação do disco "No Rest for the Wicked" - Ozzy Osbourne. O quinto álbum de estúdio do veterano Ozzy Osbourne ganhava novos contornos com o novo guitarrista Zakk Wylde (ex-Zyris). A missão do jovem guitarrista, até então com 19 anos, não era das mais fáceis, além de tocar na banda de uma das maiores lendas da música pesada, ele seria o substituto de nomes como Randy Rhoads e Jake E. Lee, e como se não bastasse, teria que impor sua personalidade na música do velho Madman. A prova de fogo teve seu lançamento no dia 22 de Agosto de 1988. Sob o nome de “No Rest for the Wicked” saiu o primeiro registro de Wylde com a banda de Ozzy. O disco alcançou a marca de 2.000.000 de cópias vendidas, sendo certificado como Platina Dupla e, ainda, registrando a posição de número 13 no Top 200 da Billboard, nada mal para uma época em que algumas bandas tomavam o caminho mais simples, com poucos solos e sonoridade menos agressiva.

Produção: No Rest for the Wicked foi produzido por Keith Olsen & Roy Thomas Baker.

Sonoridade: Como comentado anteriormente, o álbum “No Rest for the Wicked” fora a estréia efetiva do guitarrista Zakk Wylde no mundo da música, além da grande criatividade do guitarrista, o fator decisivo para se chegar ao positivo resultado do disco foi a excelente Bullseye tomando a comissão de frente do disco, com seu peso ímpar e espetacular timbre, onde o guitarrista abusou de harmônicos artificiais, o que mais tarde se tornara marca registro do guitarrista, e licks inspiradíssimos.

Bullseye conseguiu se tornar o instrumento perfeito para Zakk, casamento que perdura até os dias de hoje, se tornando uma das maiores duplas do heavy metal.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Symphony X : Latin America Tour


O mundo da música pesada é composto por vários subgêneros, uns com apelo mais comercial e com forte tendência a composições de caráter simples e objetivo, e outros subgêneros que veem exatamente nessa contramão, como é o caso do prog metal, que é a junção da complexidade do rock progressivo com o peso inerente no heavy metal tradicional. Dentre as inúmeras formações do estilo se destacam nomes como Queensrÿche; Pain of Salvation; Dream Theater; Fates Warning e Symphony X.

E, para felicidade do público que curte o estilo, o último final de semana foi especialíssimo. Duas dessas referências – Pain of Salvation e Symphony X – aportaram em solo brasileiro para uma bateria de shows, e, lógico, que nós não perderíamos essa oportunidade e fomos conferir de pertinho o Symphony X, na Fundição Progresso, Rio de Janeiro.

Nada melhor numa noite fria que um bom show para esquentar o pé e os ânimos, e o responsável por levar embora o frio foram os americanos da banda, Symphony X. Pré-divulgando o novo álbum, Iconoclast, que será lançando no fim do mês, a banda fez bonito em um show que primou pela feliz união entre técnica e peso. A clássica “Of Sins and Shadows” foi responsável em começar os trabalhos, mas logo cede espaço a primeira representante do álbum, Paradise Lost (2007), a pesada “Domination”. Vale destacar que o set list dessa perna da turnê é em boa parte estruturado nesse no disco. Canções como: “Eve of Seduction”; “Set the World on Fire (The Lie of Lies)”; “The Serpent’s Kiss” e música homônima ao disco fizeram alegria de todos os presentes.

O novo álbum, Iconoclast, veio na encarnação das ferozes “End of Innocence” e “Dehumanized”. E não pense que o passado da banda fora deixado de lado. Nada disso. “Smoke and Mirrors” é clara referência às guitarras e composições do sueco Yngwie Malmsteen. Pelo menos na época que o músico escrevia bons temas. E por falar em referências, a extensa e complexa, “The Odyssey”, nos remete aos idos dos anos 1970, quando Genesis e Cia compunham canções que chegavam ultrapassar os vinte minutos, e acredite, assim como “The Odyssey” com seus vinte cinco minutos, o tempo passava na velocidade luz. Qualidade acima de qualquer suspeita.

Symphony X, como dito anteriormente, espantou para bem longe qualquer ameaço de frio com seu emocionante show. Eu não esperava nada abaixo disso, sendo eles um dos pilares do prog metal!


Nota: Fiz a matéria para o Jornal do Interior Sul Fluminense - edição 104, pag 07.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Symphony X - Iconoclast Tour - Rio de Janeiro


O ano de 2011 vai poder entrar para história como o mais recheado de shows internacionais no país. E olha que só estamos na metade do caminho. Do Pop ao Rock, do Metal ao Jazz, ninguém pode fazer biquinho dizendo que não teve algo que lhe interessasse. Ou pode? Os fãs Prog Metal podiam até meados da semana passada quando o quinteto norte-americano, Symphony X, tratou de suprir essa lacuna com quatro datas no país – 03/06 - Manaus; 04/06 - São Paulo; 05/06 - Rio de Janeiro e 07/06 - Porto Alegre.

Felizmente a cidade do Rio de Janeiro foi incluída no roteiro. A banda estava em débito com os cariocas desde sua última passagem no Brasil, em 2008. E o público pôde tirar o ‘atraso’ em um show que tivesse que ser resumido em uma única palavra seria emocionante. Mas por sorte não precisamos nos limitar, então, vamos aos fatos...

Só mesmo uma banda do quilate de Symphony X para tirar o carioca de casa em uma noite fria de domingo. E não só tirou como encheu a Fundição Progresso - Lapa. “Oculus ex Inferni” ganha no máximo a alcunha de intro, porque “Of Sins of Shadows, sim, foi a debutante e a responsável em dar o tom pesado e melódico que fora algo que se seguiria pelo resto da noite.


Com a malícia adquirida nos tantos anos de estrada, os músicos sabem o que funciona ou não no palco, sendo assim, “Domination” e “Serpent’s Kiss” são estrategicamente colocadas no ‘set list’, porque são sinônimos de empolgação e euforia por parte do público, e acredite, por parte da banda também, visto a sinergia que já havia com os fãs naquela altura do show. Deviam estar se perguntando: Porque só agora que viemos tocar no Rio?

Rápida pausa para saudar a platéia e fazer as honras da casa e já com o público nas mãos a banda anuncia uma das novas canções, “End of Innocence”, que estará no álbum, “Iconoclast”, que tem lançamento previsto para o fim do mês. “End of Innocence” é sinal que vem coisa de primeira no novo disco. De volta ao passado, a canção homônima ao álbum, “Paradise Lost”, é um dos grandes momentos do show, com o público cantando cada verso.


Reclamações ou divergência de opiniões quanto ao ‘set list’ é quase certo quando se fala de bandas no nível de Symphony X, afinal, a discografia da banda conta com número considerável de álbuns dotados de ótimas canções. Mas, sabiamente, os músicos conseguiram driblar os mais afoitos em reclamar, e arquitetaram um repertório que agradaram gregos e troianos. Prova disso, é a dobradinha esperta entre “Smoke and Mirros” e “Eve of Seduction”, dos discos “Twillight in Olympus” e “Paradise Lost”, respectivamente.

“Dehumanized” é mais uma pedrada do novo álbum. Mesmo em tempos de internet com informação correndo na velocidade do vento com tudo chegando em tempo e hora, foi bacana ver a boa aceitação de uma canção que ainda será lançada. Ponto para banda.

A primeira parte do show foi encerrada com a pesada “Set the World on Fire (The Lie of Lies)”. Para o bis a banda trouxe a extensa, “The Odyssey”. Como o nome da canção entrega é uma viagem cheia de aventuras em meio as suas variações e nuanças, onde os músicos provam sua musicalidade e, lógico, ditam as regras de como se faz um Prog Metal complexo e ao mesmo tempo palatável. Como dito antes, Symphony X é pesado, melódico e emocionante, mas não necessariamente nessa mesma ordem!

Nota: Matéria publicada também no site: http://www.territoriodamusica.com/shows/?c=1073