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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tuatha de Danann: Festa Folk No Rio De Janeiro

Como é bom afirmar que o Brasil não faz bonito apenas por ser uma das melhores e calorosas plateias do mundo, mas por possuir também excelentes e competentes representantes na cena metálica, e tal afirmação fora fácil, fácil, endossada pelo público que lotou a casa carioca Rock Experience no último sábado, (7), para prestigiar as pratas da casa Quintessente e Dreadnox e o maior expoente brasileiro do folk metal, o Tuatha de Danann.

A noite começou com os trabalhos da banda Quintessente, que retornou às atividades depois de catorze anos de hiato, e mostrou que canções de forte acento no metal extremo estão dentro de sua jurisdição, sendo muito bem recebida pelo público por conta de sua desenvoltura e talento.

O Deadnox já é nome tarimbado na cena brasileira, e foi com o competente heavy metal dos cariocas que a noite já tomava traços de inesquecível, embora alguns problemas no som pipocassem vez ou outra e gerasse certo descontentamento nos músicos, mas nada que depreciasse e ou trouxesse desprazer ao público.


Com as emoções à flor da pele e o calor lá nas alturas, os cariocas receberam e deram as boas vindas aos mineiros do Tuatha de Danann, que, com os inúmeros predicados que lhes são atribuídos, trouxeram o suprassumo de sua carreira e o ápice da noite com a celebração do metal nacional de primeira qualidade.

Foi com “We’re Back” e a participação da plateia cantando cada verso e refrão da canção que os mineiros começaram a festança folk metal e a exaltação da carreira de um dos maiores expoentes do metal brasileiro. “Rhymes Against Humanity” mostrou o porquê do mais recente álbum, “Dawn of a new Sun”, ter figurado entre os principais lançamentos do ano passado.


Tocar no tema de unanimidade e consonância pode ser um campo minado, ainda mais quando o item apreciado é arte, ou seja, é um assunto que pode legitimar um vasto matiz de interpretações e avaliações, mas no caso da banda “Tuatha de Danann” talvez seja um dos raros casos onde a concordância quanto às virtudes e atributos de sua arte são percebidas e apreciadas de forma análoga entre seus fãs, sem margens a poréns ou indagações.

Destacar o domínio técnico dos músicos – Bruno Maia (vocal, guitarra e flauta); Rodrigo Berne (guitarra e vocal); Rodrigo Abreu (bateria); Giovani Gomes (baixo e vocal); Edgard Britto (teclado) e Alex Navar (Uilllean Pipe) – é algo trivial, uma vez que é evidente e já fora mais do que constatado tal questão. O diferencial fica por conta da simpatia que todos os músicos transmitem ao público, criando uma atmosfera positiva e íntima à festa folk.

“Believe is True”, “Bella Natura” e “Land of Youth” rememoram o porquê do álbum “Trova di Danú” ter projetado e alçado o nome dos mineiros além-fronteiras, visto a qualidade das canções que compõe o disco, cabendo, hoje, a alcunha de clássico. “The Dance of the Little Ones” e a requisitada “Finganforn” foram os dois momentos de maior euforia, deixando os mineiros em visível prazer por estarem tocando a um público caloroso.


Com pouco mais de uma hora de show, o Tuatha de Danann trouxe temas de toda carreira, mostrando o porquê de terem um lugar de vanguarda no cenário metálico brasileiro e, como sempre, pontuando a apresentação como uma grande festa folk e fazendo parecer, aos desavisados, que aquela farra instaurada no Rock Experience é algo simples e corriqueiro.

E vale duas menções honrosas: A primeira fica por conta da Be Magic Produções que fora a responsável pelo ótimo evento. Já a segunda menção fica para o público carioca que lotou a casa de show, provando, mais uma vez, que um evento bem produzido com bandas de qualidade é a receita certa para ser bem sucedido.

Fotos: Livia Teles
Nota: Fiz a matéria para o site RockBizz: http://www.rockbizz.com.br/tuatha-de-danann-festa-folk-no-rio-de-janeiro/

domingo, 1 de maio de 2016

Marillion Emociona Mais Uma Vez Público Carioca

Depois de dois anos da última visita na capital fluminense, a banda progressiva Marillion retorna ao palco do Vivo Rio com um show de trejeitos de ‘best of’, onde o caráter festivo e contemplativo a uma carreira pautada por inúmeros hits foi a tônica de toda a apresentação.

Sem disco novo de estúdio para divulgar – que será lançado no segundo semestre deste ano –, os britânicos souberam, como sempre, emocionar o público com canções irrepreensíveis que edificaram suas carreiras e discografia de sucesso como é o caso de “The King of Sunset Town”, que relembrou o ótimo álbum “Season End” e rememorou o porquê da grande aceitação do até então novo vocalista, Steve Hogarth – completa a banda Steve Rothery (guitarra); Mark Kelly (teclado); Pete
Trewavas (baixo) e Ian Mosley (bateria) –, visto os predicados do disco e da canção citada.

O Marillion é uma das poucas, quiçá a única, bandas de rock progressivo considerada clássica que se mantém ativa nos dias de hoje, lançando discos de estúdio com periodicidade e que nada devem ao passado de glória, e uma das provas de tal afirmação pôde ser conferida sob os acordes de “Power”, canção que compõe o mais recente lançamento, o brilhante “Sounds That Can’t Be Made”.

A produção de palco foi de contornos simples com apenas um grande telão, ao fundo do palco, que trazia imagens respectivas às canções, o que fora mais que suficiente para a para celebração da noite progressiva, afinal, quando músicas do quilate de “You’re Gone”; “Hooks in You”; “Cover My Eyes (Pain in Heaven)” e “Man of a Thousand Faces” ecoam pelo PA tais detalhes de palco tomam um caráter efêmero.


O carinho e apreço dos britânicos pelo público brasileiro não é novidade, mas parece que os fãs cariocas são tratados de forma ainda mais especial, fato provado com a execução da emocional “Lavender”, ganhada no ‘grito’ pelo público. E se a ideia era emocionar, o ápice emocional da noite veio com a canção “Sugar Mice”, que representou o excelente disco “Clutching at Straws” e provou que uma banda pode ter seu momento intimista sem soar piegas e/ou gratuito.

As radiofônicas “Kayleigh”; “Beautiful” e “Easter”, cantadas uníssono, enfatizaram, mais do que nunca, o atributo de ‘best of’ do show. “Sounds That Can’t Be Made” fora, infelizmente, prejudicada por problemas técnicos, gerando visível insatisfação em Steve Hogarth que logo, logo, sugeriu à execução de outra canção, sendo “Afraid of Sunlight” a escolhida para desanuviar os problemas da antecessora. E para fechar a primeira parte da apresentação veio à homenagem ao cantor/compositor, Prince, com a canção “King”, que contou com imagens projetadas ao telão de ídolos que marcaram a história da música e cinema contemporâneo.

Para o primeiro ‘encore’ da noite, a progressiva “The Invisible Man” trouxe a tessitura complexa que todo fã de rock progressivo é ávido, figurando em um dos momentos mais celebrados do show. E para o segundo e último ‘encore’ e para finalizar a sexta passagem do Marillion na capital fluminense, a citada “Beautiful” e o clássico oitentista “Garden Party” convidaram o público a cantar cada verso e melodia, comprovando o quanto a música do Marillion é bem quista pelas bandas de cá.

Com quase duas horas de show, o Marillion fez o que lhe é atribuído e praxe: emocionar seu público com belas canções. Quanto ao público carioca se pode afirmar também que sua atribuição fora feita de forma brilhante, prestigiando e celebrando um dos principais nomes do rock progressivo. Agora, resta a torcida por um retorno breve com a divulgação do próximo registro de estúdio, que promete ser um álbum de contorno progressivo, complexo e denso, o que é uma afirmação mais que benvinda aos fãs do quinteto britânico.

Fiz a matéria para o site: www.rockbizz.com.br 
Link Publicação: http://www.rockbizz.com.br/marillion-emociona-mais-uma-vez-publico-carioca/