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domingo, 12 de agosto de 2012

Paul McCartney – A maestria do Rock em pessoa!


Se alguém perguntasse ou pesquisassem, antes da década de 1960, sobre a cidade de Liverpool/Inglaterra, constataria que o lugar tinha seu valor histórico por abrigar um bom comércio e ser, de certa forma, um lugar estratégico para entrada e saída de mercadorias, o que favorecia, e muito, a saúde econômica da Inglaterra, além disso, a informação que pode constar é que a cidade fora uma das que mais sofreu com o bombardeio alemão na segunda guerra. Essas poderiam ser as maiores referências sobre a cidade. 

Mas a partir da década de 1960 a cidade ganhou olhares de todo o mundo quando quatro jovens, Paul McCartney (baixo e vocal); Ringo Starr (bateria e vocal); George Harrison (guitarra e vocal) e John Lennon (vocal, guitarra e piano), tiveram a audácia de formar a maior banda do planeta. Se na época fossem feita essas tantas pesquisas de opinião que pipocam hoje em dia perguntando se existisse alguma chance de alguém da cidade de Liverpool com o poder de mudar a curso da música contemporânea, com certeza uma saraivada de risadas não muito amistosas e uma boa salpicada de palavrões iriam apontar na tal pesquisa. Pois bem, a tal pesquisa não foi feita, assim espero, e os quatro rapazes não sabendo que era impossível foram lá e fizeram. E fizeram muito bem feito, diga-se. The Beatles foi o nome dado à peça que mudaria a história da música, e porque não, um pouco da história do mundo. Foram incontáveis sucessos; concertos para imensidões de fãs que os olhos perdiam até vista; filmes; aparições nos principais programas de TV e uma discografia que ainda hoje pode se envaidecer de soar atual e com o frescor de uma obra recém lançada. E como tudo que é bom insiste em acabar rápido, o sonho acabou na década seguinte quando os quatros, já não tão jovens assim, de Liverpool resolveram cuidar cada um de suas respectivas carreiras, findando um dos maiores marcos da história da música, The Beatles. 

Depois da dissolução da banda cada integrante apontou para o caminho que melhor lhe representasse, uns tiveram mais sucesso que outros, ou melhor, uns tiveram mais destaque que outros, porque todos já estavam há anos luz da necessidade de se fazer sucesso. Mas chega ser infame não citar o quão feliz foi Sir Paul McCartney em sua empreitada solo, que já dura os invejáveis quarenta anos de bons serviços prestados a favor da música. E é nessa batuta de espalhar com maestria a ótima música pelo mundo que o ex-Beatle tem lotado estádios e arenas por onde quer que passe, e é lógico que no Brasil não foi diferente com as três datas da turnê Up and Coming.

Com a vitalidade e o brilho nos olhos de um garoto que tem o mundo de oportunidades pela frente, Paul conduz as quase três horas, isso mesmo que você leu caro leitor, quase três horas de show com maestria e a elegância que só um lorde inglês como Sir McCartney tem privilégio de ter. Misturando clássicos imortalizados dos Beatles e de sua carreira solo o já vovô do rock tem ensinado muito marmanjo aspirante a rock star como é que faz a coisa. E acredite amigo, o negócio não é tão simples assim, não. Isso é para poucos. Poucos como Paul McCartney que pode, sim, dizer como a banda toca. E é dizendo como a banda toca; lotando estádios e com mais de meio século de serviços prestados ao rock n’ roll que esse senhor inglês segue sua vida. Vida longa a ele e aos seus serviços prestados à boa música.

sábado, 4 de agosto de 2012

Maestrick: Unpuzzle!


É sabido que as artes são divididas em uma escala que vai da primeira a décima primeira e cada qual possui atribuições, onde estão contidas as respectivas características aplicáveis a cada uma das expressões artísticas. E não é segredo algum que muitas dessas expressões artísticas flertam em território vizinho, pegando para si influências para compor assim a palheta das características que compõem uma determinada obra. O mundo da música talvez seja um dos mais abertos a tais influências, haja vista o namorico com a literatura, cinema e dança. 

Mas o que isso tem a ver com a resenha do álbum Unpuzzle, da banda Maestrick? Absolutamente tudo! Numa alquimia rara, a banda flertou sem parcimônia com as mais distintas expressões artísticas que vão do recurso visual, passando pela representação teatral que muito se lembra aos apelos usados pelos mestres circenses, cooperando nessa interessante equação há espaço para poesia, fotografia e pintura. O trabalho dos caras é tão bacana que o ouvinte começa a degustá-lo visualmente, visto o capricho que tiveram na feitura da capa e encarte, onde a embalagem digipack só agregou ao saldo mais que positivo na obra desses paulistas. 

Unpuzzle é um álbum conceitual que trata a desconstrução em um realismo fantástico, onde somos os únicos responsáveis pelo papel que queremos atuar em nossas vidas, seja ele bom ou ruim. Parece um tanto quanto complexo, mas trata de uma das mais simples afirmações: podemos e temos o poder de determinar o curso de nossas vidas. Com esse conceito a banda construiu uma das mais audaciosas obras do rock brasileiro, onde, sem sombra de dúvidas, tem todos os predicados para passar com louvor pelo implacável teste do tempo. 

O trabalho de nomear essa ou aquela canção como destaque é difícil, visto a alto padrão de qualidade das canções, mas se fosse obrigado apontar destaques é inegável que a pesada H.U.C. ganhará espaço cativo no cd player de qualquer headbanger que preze pelos já citados predicados; a canção “Pescador” é regida por ritmos brasileiros e é toda cantada em português, o que prova que banda está a todo momento colocando o pé fora da zona de conforto e provando que nossa língua é um ás no concorrido mercado musical;“Treasures of the World” é magnificência da banda em retratar sua complexa obra em linhas simples, sendo, sim, o reflexo do conceito do álbum representado em uma única canção. “Yellow of the Embrium” é feliz na alquimia entre o blues e ritmos brasileiros e para finalizar o álbum a suíte “Lake of Emotions” que chega passar os incríveis vinte minutos de duração, o que nos lembra a fase áurea do rock progressivo e suas obras seminais. 

Unpuzzle em duas palavras pode ser descrito como complexo e magnífico. Você, caro leitor, não perca tempo e adquira já sua cópia, porque, sem gota de dúvida, é um dos melhores trabalhos lançados nesse ano de 2012 – lançamento via Die Hard Records.