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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Kiss: Alive 35


1973 – 2009. São exatos 35 anos de vida que a instituição KISS tem de vida. Vocês, leitores, não leram errado não, é instituição KISS mesmo, vide tamanha importância que os quatro mascarados têm no mundo do rock n’ roll. E é na comemoração dos seus 35 anos que a banda deu o pontapé para uma turnê mundial, levando aos quatro cantos do globo a marca KISS e o seu teatro-show, com toda pompa, fogos, coreografias, explosões, poses, biquinhos, festa e, lógico, rock n’ roll da melhor qualidade.

A lenda KISS deu um castigo de 10 anos aos fans tupiniquins, quando foi a última passagem da banda em nossas terras, com apenas duas datas nas cidades de Porto Alegre e São Paulo, divulgando o recém lançado disco da época, Psyco Circus. Castigo dado, agora veio a hora recompensa, a turnê ALIVE 35 ganhou uma perna latino-americana com duas datas em nosso país, nos dias 07 e 08 de Abril – São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. E mantendo a tradição de ser a banda mais quente do mundo, trouxe ao KISS ARMY o melhor.

O show apresentado nessa última quarta-feira, no Rio de Janeiro - Praçoa da Apoteose, vai ser lembrado para sempre por todos os 14 mil membros do Kiss Army presentes...

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Antes de prosseguir com a resenha, eu só quero abrir um parêntese em relação a produções de shows internacionais de grande porte em nosso país, os produtores deveriam ter um pouco mais de coerência com a realidade econômica de nossa nação, colocar o Iron Maiden e menos de 20 dias depois agendar o KISS é muito fora de bom senso. O ingresso é extremamente caro, mesmo os estudantes que pagam meia-entrada têm de desembolsar uma importância muito alta para assistir o show das bandas, o que acaba impossibilitando um grande número de fãs a assistirem e terem acesso a concertos como Kiss e Iron Maiden. Não seria mais sensato colocar um preço mais acessível e ter um número de maior de expectadores nas apresentações, e, consequentemente, ter aumento na geração de receita?

Pagar R$ 160,00 pista normal e R$ 350,00 pista Vip, não é realidade de nosso país e, talvez, nem é mais a realidade do mundo, basta ter um pouco bom senso, coerência, noção e acompanhar os noticiários.Além do preço exorbitante do ingresso, a falta de respeito com público foi a níveis inconcebíveis com os preços praticados dentro da Apoteose: uma lata de refrigerante ao preço de R$ 5,00; um cachorro-quente, ou um suposto cachorro-quente, ao simbolico preço de R$ 6,00 e uma batata Rufles por R$ 7,00. Isso é falta de respeito com público bem fora da realidade econômica do país.

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Já passava das 18:00 horas quando os portões foram abertos ao público, alguns membros do KISS ARMY os rostos pintados e outros apenas com camisa do disco favorito, mas todos com um único objetivo, curtir o show da banda mais quente do mundo.

O calor era intenso, e nessas horas o tempo cisma em não passar, com cada minuto parecendo um hora, o que acabava por tirar a paciência de alguns fans. Mas a gota d’ água foi quando a não programada banda de abertura, Libra, entrou no palco com seu rock chocho e sem a mínima presença de palco. A banda não conseguiu levantar o público; o som da banda não decola e falta uma boa dose de atitude, mas o destaque negativo vai para o vocalista que conseguiu desafinar quase em todas músicas e não decidiu uma forma de cantar soando deveras chato.

Com a clássica “Won’t Get Fooled Again –The Who, nos PA's, as luzes começaram a serem apagadas e cai sobre o palco uma enorme bandeira do KISS, e ouvia-se o volume clássico setentista (The Who) sendo aumentado e em seguida dando lugar a clássica introdução: Allright Rio de Janeiro You Wanna the Best... Ao som do primeiro acorde a bandeira cai e lá estava a Instituição KISS com toda pompa, a primeira música foi “Deuce”. É impressionante a capacidade do público brasileiro em cantar alto. O palco era composto de um imenso letreiro com o nome da banda no centro e mais dois telões de cada lado e mais inúmeros amplificadores, mostrando todo o poderio sonoro dos mascarados. O ritmo da apresentação seguiu em altíssimo nível com a bonachona, “Strutter”. “Estão todos se sentindo bem?”, pergunta o frontman, Paul Stanley. Com a resposta positiva, o show segue com a excelente “Got to Choose”.

“Hotter than Hell” foi uma das músicas mais bem recebidas e mais vibradas pelo público, e por mais irônico que possa parecer o nome da música descrevia muito bem a apresentação dos mascarados e temperatura do público. “Nothing to Lose” contou com o vocal do baterista, Eric Singer. Impressionante a habilidade técnica e pegada que Eric toca seu kit. Eu tive oportunidade de assistir o show do Kiss em 1999 na turnê do álbum Psyco Circus com a formação clássica, mas não há como negar como a qualidade técnica da banda cresceu com a entrada de Tommy Thayer e Eric Singer – guitarra e bateria, respectivamente. A primeira música representante do disco Dressed to Kill foi ‘C’Mon and Love Me’, o calor estava bem perto do insuportável, talvez por isso a canção tenha sido pouco vibradas pelos fans, e por mais estranho que possa parecer os deuses do rock n’ roll trataram de dar um jeito no calor que fazia. Com a próxima canção, ótima ‘Parasite’, veio um toró daqueles, a chuva foi tão forte que fez com que o telões do palco parassem de funcionar por breve periodo, retornando em “She”,que ainda contou com um solo do guitarrista Tommy Thayer.

Com direitos a fogos e explosões, “Watchin’ You” foi mais uma canção resgatada do incrível e marcante disco Alive, sendo conduzida com maestria e elegância pelos anfitriões da festa. "100,000 Years" teve um solo individual de bateria de Eric Singer. Solos individuais são sempre um pé no saco, mas Eric conseguiu cativar o público com técnica apurada e efeitos especiais. ’Cold Gin’ é uma música composta pelo Ace 'Spaceman' Frehley, o que deu um ar saudosista e nostálgico ao show e formação original da banda. Em ’Let Me Go, Rock n’ Roll’, para o delírio do público feminino, o vocalista Paul Stanley fez a clássica rebolada, pediu para as mulheres do gargarejo mostrarem os seios, sendo prontamente atendido ainda
recebeu dois sutiãs, que serviu de ornamentação de palco por todo show.

O começo de ’Black Diamond’ foi estendido com trocas de guitarras e com uma breve introdução de Stairway to Heaven (Led Zeppelin). A canção cumpriu o papel de ser um dos destaques nas apresentações da banda. Entretanto, o momento mais esperado da apresentação dos mascarados é o mega hit, ’Rock n’ Roll All Nite’. Muitos fogos de artifício, explosões, chuva de papel picado, letreiro bem luminoso com o nome da banda e um público indo à loucura, dá uma breve idéia da festa instaurada na Praça da Apoteose. E, assim, encerrou-se o primeiro capítulo da apresentação da instituição KISS, mas ainda tinha uma parte da história a ser contada.

A pedidos incessantes dos fãs, a banda volta ao palco para mais festa. O carismático Paul Stanley diz: “Nós amamos vocês. Vocês não querem ir para casa agora, querem? Então, tocaremos mais para vocês”. A primeira música do bis foi o hit do álbum Destroyer - ‘Shout It Out Loud’.‘Starchild’ pergunta ao público: “Quem gosta de dar uma lambida? E quem gosta de ser lambido?” Era o presságio para a farofa oitentista, ‘Lick It Up’, que ainda contou com apêndice de ‘Wont Get Fooled Again’ - The Who. ‘I was Made For Lovin You’ foi cantada em uníssono, mas o que todos estavam esperando era outro hit do disco, Destroyer. Mr. Stanley diz: “O Rio é a capital mundial do Rock n’ Roll, mas há também uma outra capital mundial do Rock, e se chama Detroit”. A última música do espetáculo foi ‘Detroit Rock City’. Com uma produção ímpar, com muitas explosões e fogos, a música foi executada tendo também como protagonista o público carioca, que não deixou de cantar uma só estrofe da canção.

Foi muito interessante constatar o quão carismático e comunicativo foi o vocalista Paul Stanley. Não são todos os frontmen com esse tato para tratar o público. E mais uma vez o KISS ensina que é assim que deve ser a relação entre a banda e seus fãs.

Infelizmente chegara o final da apresentação da instituição KISS. É incrível como duas horas de show passaram quase que num piscar de olhos. Com certeza, foi uma experiência muito importante na vida de todos os presentes. A apresentação dos quatro mascarados nunca foi um mero show, é um capitulo importantíssimo na vida de qualquer fã de rock n’ roll. E ainda restou ao público assistir toda a queima de fogos, que foi deveras bacana, escutando ‘God Gave Rock n’ Roll To You’ . Torcemos por um retorno ao país o mais breve possível, e quem sabe até com um novo disco de músicas inéditas. Não custa nada sonhar e ter esperanças, isso ainda não nos foi cobrado e ou proibido.

A banda mais quente do mundo - “KISS”.

Nota: Fiz essa matéria na turnê de 2009 e foi publicada no site www.novometal.com

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