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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Iron Maiden: Longe da Última Fronteira!



Desde a primeira edição do festival Rock in Rio, em 1985, o Brasil vem se tornando parada obrigatória dos grandes nomes da música internacional, fato que ganhou ainda mais força nos últimos cinco ou seis anos. Dentro desse pacote há um dos maiores expoentes, talvez o maior nome, do heavy metal, Iron Mainden. Em sua 8ª passagem pelo país os britânicos estão divulgando o ótimo álbum, The Final Frontier. Título que colocou pulga no ouvido dos mais afoitos por abrir margem à idéia de ser o último álbum da carreira do, hoje, sexteto. Com seis datas – São Paulo (26/03); Rio de Janeiro (27/03); Brasília (30/03); Belém (01/04); Recife (03/04) e Curitiba (05/04) – anunciadas no Brasil, o Iron Maiden vem “maidenizando” e provando que fazer heavy metal de qualidade é para poucos – para cabra macho diria os mais exagerados e machistas.

No último Domingo era vez dos fãs cariocas conferirem à nova turnê, e logo na entrada do HSBC Arena um número surpreendente de fãs já se acotovelavam, afinal, cada metro conquistado significava ficar mais próximo dos ‘heróis’ – Steve Harris (baixo); Bruce Dickinson (vocal); Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers (guitarra) e Nicko McBrain (bateria). Por conta da euforia dos fãs e uma má organização do evento, que atrasou a abertura dos portões em pelo menos uma hora, começaram-se alguns probleminhas, que até poderiam ser facilmente resolvidos, mas não sendo poderiam transformar em uma bola de neve daquelas. Batata! Essa dobradinha resultou em algumas divisórias/barreiras de metal derrubadas; empurra empurra e uma desordem na fila. Quem chegou cedo para garantir um bom lugar viu seu sacrifício não valer nada.

Ainda com mais da metade do público fora do HSBC Arena a banda de abertura, a brasileira, Shadowside, fez sua apresentação. Lamentável boa parte do público não ter tido oportunidade de conferir o trabalho da banda santista, com certeza, estarão, muito em breve, dentre os grandes do heavy metal nacional. Passado mais de uma hora do planejado, a banda britânica deu os primeiros acordes de “...The Final Frontier”, entretanto, o que deveria ter sido uma dos melhores momentos da noite logo se tornou na maior dor de cabeça. A barreira de divisão entre pista e o palco rompe, sendo assim, o público invade o espaço reservado para jornalistas e fotógrafos, e por muito pouco não há invasão no palco. Imediatamente o cantor Bruce Dickinson para de cantar; pede calma ao público e insiste que todos deveriam dar um passo para trás, a fim de manter a integridade dos fãs, bem como, ajudar, de alguma forma, no reparo do problema. Fazendo o papel de um verdadeiro líder o vocalista pede, mais uma vez, paciência ao público, e promete um retorno ao palco em dez minutos.

Infelizmente, a produção do evento não conseguiu sanar os problemas, e o vocalista voltou, sim, ao palco, mas para uma notícia nada amistosa. “Nós não queremos que ninguém se machuque, a prioridade é a segurança de vocês”, diz o cantor. E acrescenta que o show será remarcado para o dia seguinte, e quem não pudesse voltar teria o dinheiro de volta. Com grande insatisfação os fãs deixam o HSBC Arena num dia que tinha tudo para ser inesquecível. Pelo menos inesquecível no bom sentido!

Nada melhor que começar a semana com um show do Iron Maiden. Essa, talvez, fosse a melhor maneira de encarar a empreitada de ir à Barra da Tijuca para conferir o show. Com uma melhor organização, o público conseguia ter acesso à casa sem filas quilométricas; empurra empurra, e melhor, com uma produção até gentil, esclarecendo qualquer dúvida de maneira educada.

Com uma ótima produção e visual de palco, a lenda do heavy metal, Iron Maiden, começa sua apresentação – ou purificação, diriam os fãs mais ardorosos – com as sacadas hard de “...The Final Frontier”. Sem dúvida uma das melhores do novo álbum! “El Dorado” é a que dá continuidade ao show, a canção teve boa resposta, mas está longe de representar a força da banda. “Two Minutes to Midnight”, sim, consegue fazer HSBC Arena vir abaixo, afinal, é um dos clássicos do álbum Powerslave.

Em rápida conversa com o público o vocalista, Bruce Dickinson, faz as honras da casa e comenta do incidente do dia anterior, e mais, enaltece a todos que voltaram para prestigiar a banda. Em seguida, anuncia à irrepreensível “The Talisman”. “Coming Home” é mais uma do novo disco, e como o próprio cantor disse: “Essa canção é sobre nós. Tem a ver com o processo de estarmos sempre em turnês pelo mundo, e cedo ou tarde, termos de voltar para nossas casas.” Com grande interpretação fora um dos pontos altos do show.

Não faltaram novos e velhos clássicos da Donzela de Ferro (Iron Maiden) no show. É difícil imaginar uma apresentação da banda sem a acelerada “The Trooper”; a progressiva “The Evil That Men Do”, com direito a aparição do mascote Eddie no meio da canção; ou mesmo a sinistra “Fear of the Dark”. Dos novos clássicos os britânicos brindaram o público com a complexa “Dance of Death”; energética “The Wicker Man”; emocionante “Blood Brothers”, dedicada aos “irmãos” do Japão que estão passando por um triste período de provação e When the Wild Wind Blows, com sua inteligente crítica às mudanças e catástrofes climáticas. A primeira parte do show é encerrada com a canção “Iron Maiden”, onde, mais uma vez, o mascote Eddie da o ar da graça, mas dessa vez numa versão um tanto maior com seus incríveis oito metros.

Para o encore (bis) a celebre “The Number the Beast” rememora o porquê do álbum The Number of the Beast, de 1982, ter passado ao teste do tempo. Qualidade acima de qualquer suspeita. “Hallowed Be Thy Name” é mais uma do disco de 1982, e mais uma vez digo que ao lado de Alexander the Great é a melhor composição da Donzela. O grand finale é com a meio punk, meio rock e meio metal “Running Free”. Uma hora e cinqüenta e cinco de show o Iron Maiden prova o porquê de ser maior banda de heavy metal. Os fãs já estão na contagem do próximo disco de estúdio e nova turnê. Ah! Da próxima vez sem atrasos e cancelamento de show, ok produção?

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