Ocorreu um erro neste gadget

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mindflow: Destructive Device (Entrevista Parte 1)


A banda brasileira de ‘progressive metal’ Mindflow foi formada no ano de 2003 e possui em seu catálogo três discos de estúdio (Just Two of Us...Me and Them, Mind Over Body e Destructive Device). Neles o grupo mostra uma qualidade, requinte e versatilidade muito acima da média, com letras baseadas em críticas sociais, ideologias, mistérios e temas agressivos.

Elogiado em todos os países que mostrou sua arte, o grupo ultrapassou o estágio de promessa e despontam hoje um dos melhores representante do estilo no Brasil. O portal Novo Metal teve a oportunidade de ter uma longa conversa com a banda sobre muitos assuntos e curiosidades ligadas a carreira da Mindflow. Dividiremos esta entrevista em duas partes. Então, amigos vamos a primeira seqüência de perguntas. ‘Let Your MindFlow’

Nota: Essa é a primeira entrevista que fiz com a banda brasileira Mindflow no ano de 2009. A matéria foi originalmente publicada no portal Novo Metal. http://www.novometal.com/entrevistas/exibir.php?id=261

Olá, agradeço muito a disponibilidade da banda em nos conceder essa entrevista. É um grande prazer te-los conosco. Gostaria de começar perguntando sobre o novo disco da banda - Destructive Device, que possui uma temática bem sombria. De onde veio a inspiração para abordagem tão ‘dark’ para o álbum?

Rodrigo Hidalgo: O prazer é nosso. No MindFlow temos a tendência de sempre, em um novo trabalho, criar uma atmosfera que englobe as músicas, vídeos, site etc. A idéia era criar um mundo de conspiração e espionagem. Tentamos refletir isso em tudo para transmitir esse suspense. Buscamos algo que fosse contemporâneo mas vestido em uma nevoa de misterio.

Como vem sendo a resposta dos fãs?

Rodrigo: Tem sido incrível! Principalmente ao vivo que é onde o MindFlow pode mostrar todo o peso. O público reage muito bem e nos devolve uma energia enorme! Com relação às criticas ao disco não poderiam ser melhores. Estamos muito satisfeitos!

Vocês firmaram uma parceria com o renomado produtor Ben Grosse. Como se deu esse encontro entre vocês? Havia outros nomes a serem cogitados para a produção do disco?

Rodrigo: Sempre admiramos o trabalho do Ben em bandas como Disturbed, Sevendust. Sabíamos que algo muito interessante sairia da mistura dele com o MindFlow. Quando fizemos um show em Los Angeles, mandamos um convite pra ele. Depois da apresentação saímos para jantar e começamos a conversar.

Qual a importância de Ben para o resultado qualitativo do disco? Suas influências forem levadas até que ponto, para que a banda atingisse o nível sonoro apresentado no disco?

Rodrigo: O Ben foi muito importante em todo o processo. Procuramos por ele para produzir o disco porque sabíamos aonde ele levaria a sonoridade do MindFlow. Trabalhamos juntos desde a pré-producao até a mix final e sabíamos onde queríamos chegar. O Ben é um excelente produtor, tem uma sensibilidade musical diferenciada e é um engenheiro muito talentoso. A mistura dele com o MindFlow foi muito feliz e o resultado nos deixou muito orgulhosos.

É creditada a participação da Rinat Arinos, assinando co-autoria dos vocais, como foi o envolvimento e parceria dela com a banda?

Rodrigo: A Rinat teve um papel muito importante. Ela trabalhou lado a lado com a gente na criação das melodias vocais. Ela é uma produtora muito talentosa e tem ótimas idéias. A maioria das linhas eram criadas de manhã, e já gravadas a tarde.

O som praticado pelo Mindflow é o Prog Metal. Há influências de muitas bandas e, até mesmo, gêneros musicais no som da banda, é perceptível. Mas a essência é calcada no progressivo. Gostaria que vocês nos contassem o processo evolutivo que a banda tem passado nos últimos anos. Pegando como ponto partida o primeiro disco - ‘Just the Two of Us...Me and Them’, onde a influência progressiva era muita mais acentuada.

Danilo Herbert: Realmente, no MindFlow incorporamos muitas influências diferentes, baseadas na bagagem musical de cada um de nós, mas acho que isso acontece de maneira bem natural, não temos o compromisso de sermos estritamente progressivos. É legal observar como nossa maneira de compor foi se modificando com o passar do tempo... Quando gravamos o "Just the two of us..." queríamos que as músicas soassem bem dramáticas e ligadas entre si, exatamente como uma trilha sonora, pois o conceito da estória pedia que fosse assim, por isso, classifico nosso primeiro álbum como progressivo.

Na época do "Mind over Body" resolvemos levar essa liberdade que o progressivo nos dá ao extremo, tentamos colocar todas as nossas influências juntas, misturamos ritmos, saturamos os contrastes, e aumentamos a atenção a todos os climas das passagens. O resultado disso foram músicas riquíssimas em detalhes e cores, o que fez com que o álbum soasse totalmente experimental. Já no "Destructive Device", que acredito oferecer um progmetal mais moderno, assumimos o desafio de sintetizar nossas composições, que até então eram extensas na sua maioria, em músicas mais diretas e coesas, que funcionassem melhor ao vivo e que convidassem o público a fazer parte do espetáculo e não os deixassem apenas como meros expectadores na platéia, vendo tudo aquilo acontecer tão rápido e sem poder interagir com a banda.

Também nos preocupamos muito com a plástica sonora dos instrumentos e da voz, isso deu ao "Destructive Device" uma qualidade de audio muito superior aos antecessores. O que concluo de tudo isso é que todos os três álbuns expõem facetas diferentes do MindFlow, oferecendo ao ouvinte diferentes abordagens, com isso também sinto que estamos cada vez mais perto do que eu chamaria de estilo próprio.

O trabalho gráfico apresentado nos discos da banda é surpreendente: muito acima da média. Tudo é muito bem elaborado, com aspecto visual de muita qualidade e muito chamativo (em formatos Slipcase e Digipak). Mas para chegar a um material tão excelente como este, há um custeio e, diga-se de passagem, não parece ser dos menores. Gostaria que vocês comentassem como é elaborado esse material. E, qual a importância em estar ofertando um trabalho tão requintado?

Danilo: Umas das grandes vantagens em ser uma banda independente, é o fato de você poder se produzir e de estar a par de todos os aspectos relacionados à sua arte. Assumimos e acompanhamos todas as fases do processo de criação dos nossos álbuns, desde a concepção até a confecção da embalagem. Dessa forma, descobrimos que o valor de custo para a produção de um disco é bem diferente do preço final que pagamos nas lojas. Sabendo disso, podemos pesquisar quais as maneiras mais viáveis de se produzir e vender um disco com a melhor qualidade possível e a um preço justo, e isso é uma das coisas das quais não abrimos mão.

A proposta principal do MindFlow é oferecer aos fãs sempre o melhor que está ao nosso alcance, por isso, nos dedicamos inteiramente para que a pessoa que adquira nosso disco tenha sempre em mãos, algo a mais do que apenas uma mídia que transporta a música, e não apenas isso, fazemos com que todas as mídias que usamos: cd e encartes, posters, cartões, sites, vídeos, camisetas e outros, interajam entre si, criando uma atmosfera envolvente em torno do conceito que se quer transmitir e assim fortalecendo o trabalho da banda.

O Mindflow têm três álbuns lançados na carreira, e sempre aposta alto em um trabalho, que vai de encontro à tendência do mercado. Hoje, gravadoras/selos estão minimizando e otimizando todos os custos e processos, por conta de inúmeros motivos, mas tendo como principal razão a pirataria. Vocês acham que, além da qualidade sonora, um trabalho especial de embalagem, um aspecto visual de luxo é determinante para o fã comprar o disco? Que esse seja o diferencial que os fãs anseiam, o ‘quê’ que esteja faltando, visto que Cd/Dvd passou a ser artigo quase de ‘luxo’, levando em consideração o preço abusivo praticado por parte de algumas gravadoras/selos?

Ricardo Winandy: Para todos os CDs que lançamos, pensamos na embalagem como um complemento do som. Uma foto, imagem, desenho, a letra em si, e tudo o que envolve o CD, nos ajuda a passar o que estávamos pensando ao compor e a nossa visão sobre cada música.

No Mind over Body por exemplo, tiramos uma foto para cada música, cada uma com a nossa interpretação, além de um encarte de 24 páginas em quadrinhos para uma delas. Já o último CD, Destructive Device, colocamos bastante pistas e dicas para o nosso jogo além de um pôster. Ambos são em um formato bem diferenciado. Quanto ao nosso primeiro CD, por ser conceitual, utilizamos do encarte para nos ajudar a passar a história do disco.

Vocês lançam mão de uma outra estratégia de divulgação bem bacana, que é disponibilizar um cadastro no site da banda, onde o fã ganha um adesivo, cards de divulgação e uma carta (sobre o jogo Follow Your Instinct 2.0 - J.A.C.K.), convidando o ouvinte a fazer parte do “Mundo - Mindflow”. Qual a importância de sempre estreitar a relação entre ‘artista - público’?

Ricardo: A internet abriu a possibilidade do artista conhecer mais seu público, assim como do público conhecer mais o artista. Damos uma importância enorme para essa interação, principalmente por gostarmos muito. Como valorizamos muito as pessoas que gostam do nosso trabalho, sempre que podemos procuramos presenteá-los, como é o caso dos adesivos, que qualquer um pode pedir pelo link www.mindflow.com.br/free.

Fazendo um comparativo entre os três álbuns lançados pela banda (‘Just the Two of Us... Me and Them’; ‘Mind Over Body’; ‘Destructive Device’), é bem nítido um maior peso nas linhas de guitarra no novo álbum. Essa “ênfase” foi proposital? Já havia pretensão de acentuar o peso nas linhas de guitarra?

Rodrigo: Isso foi natural devido ao direcionamento das músicas do Destructive Device. Quando começamos a compor as musicas, buscamos uma sonoridade que fosse empolgante ao vivo. Algo que soasse forte e impactante. Ficamos muito felizes com o resultado!

Ainda falando sobre guitarra, eu gostaria que Rodrigo Hidalgo comentasse sobre o timbre que alcançou no - ‘Desctructive Device’, e qual equipamento você usou?

Rodrigo: Gostei muito do timbre de guitarra que chegamos no álbum. Tudo foi construído com camadas. Gravei varias vezes as bases e riffs com equipamentos diferentes, microfones etc. Usei um Triple Rectifier Mesa Boogie, Triaxis, Sansamp, Buddha. Dependendo da música combinava essas camadas de forma que nos parecia mais adequada.

Danilo sua voz tem um timbre muito peculiar, com grande alcance e entonações diferentes, quais os estudos que você já teve? Como faz para cuidar da voz? Quais os nomes o influenciaram?
Sua performance teatral e interpretativa das canções, é algo em destaque, trazendo uma maior emoção a execução das músicas, você poderia nos falar, o quão importante é essa postura no palco?


Danilo: Muito obrigado pelas palavras! Comecei a cantar aos 15 anos, mas só encarei a prática de forma séria aos 20, iniciei meus estudos nessa época. A partir daí comecei a sentir a evolução que a técnica vocal me proporcinou em termos de qualidade e versatilidade, desde então nunca mais parei de estudar, sou fascinado pelo assunto! Existem vários métodos para se cuidar da voz, mas a melhor dica sem dúvida alguma, é sempre estar muito bem descansado e relaxado... quanto mais melhor.

São muitos os cantores que me influenciaram e ainda influenciam. Acho que não haveria muita surpresa nessa parte, pois, são os mesmos que influenciam a todos, sendo assim, vale a pena citar (os que acho que são) os nomes mais incomuns dessa lista de influências, como: Mike Patton, Seal, Michael Kiske, Ed Kowalczyk, Michael Stipe.

As músicas do MindFlow em sua maioria são dramáticas, com temáticas densas e obscuras, e ainda assim repletas de energia. Acredito que toda essa carga no palco, requer uma interpretação mais teatral, dessa forma, tento vivenciar esses sentimentos quando canto para que as pessoas consigam sentir a "verdade" que nossa música quer passar e se conectem com a banda. A partir daí a troca de energia acontece e torna tudo muito mais fácil.

Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário